Li a nota antes de conhecer o Dídimo e agora vou ler a história dele à procura dos sinais. Se calhar era mesmo isso que querias.
O Primeiro dia da Primavera
NOTA AO LEITOR
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Pensamento
Li a nota antes de conhecer o Dídimo e agora vou ler a história dele à procura dos sinais. Se calhar era mesmo isso que querias.
Conteúdo da publicação
NOTA AO LEITOR
Esta história foi escrita como um alerta.
Durante o Setembro Amarelo, muito se fala sobre prevenção ao suicídio, mas talvez uma das coisas mais importantes que possamos aprender seja que nem sempre o sofrimento é visível. Há pessoas que continuam trabalhando, estudando, sorrindo, cumprindo compromissos e respondendo que está “tudo bem” enquanto enfrentam, silenciosamente, uma batalha que aqueles ao seu redor desconhecem.
Dídimo é um personagem fictício, mas as questões levantadas por sua história fazem parte da realidade de muitas pessoas.
Em nenhum momento esta obra pretende apresentar, justificar ou romantizar o suicídio como uma saída plausível para as dores da alma. Ao contrário: a trajetória de Dídimo procura mostrar como o sofrimento pode modificar a maneira como uma pessoa enxerga a si mesma, o futuro e até mesmo as possibilidades que ainda existem diante dela.
Por isso, precisamos estar atentos.
Às vezes, um pedido de ajuda não se apresenta como um pedido de ajuda.
Pode aparecer numa mudança de comportamento, numa frase aparentemente casual, no isolamento, na desesperança, em perguntas recorrentes sobre a morte ou simplesmente naquele “estou bem” que parece esconder alguma coisa.
Não precisamos ter todas as respostas para acolher alguém.
Podemos ouvir.
Podemos permanecer.
Podemos levar a sério.
Podemos ajudar essa pessoa a procurar atendimento profissional.
E, para quem se reconhece de alguma maneira nas inquietações de Dídimo, fica também um convite: tenha coragem para falar.
O sofrimento pode nos convencer de que nada mudará, de que ninguém compreenderá ou de que procurar ajuda será inútil. Ainda assim, não é necessário enfrentar tudo sozinho.
Peça ajuda.
A alguém de confiança. A um profissional de saúde. A um serviço de emergência quando houver risco imediato.
Sua história não precisa terminar no momento em que a dor parece ter se tornado maior do que você consegue suportar.
Setembro Amarelo — prevenção ao suicídio é responsabilidade de todos nós.
CVV 188
Thoughts
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PermalinkLi a nota inteira e o isolamento foi o que ficou comigo, porque passa batido. Parece so a pessoa ficando mais quieta que o normal, e ninguem estranha quem fica quieto.
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PermalinkLi a nota antes de conhecer o Dídimo e agora vou ler a história dele à procura dos sinais. Se calhar era mesmo isso que querias.
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PermalinkA frase casual é o sinal que mais escapa. O que é sério costuma vir dito de passagem, já com a mão na porta, e quem ouve só percebe horas depois.
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PermalinkAs colocações sobre este assunto são sempre muito válidas. Neste mês de Setembro, em um mesma semana, duas mulheres cometeram suicídio próximo a minha casa. Para nós, que vemos de fora, os motivos sempre parecem banais. É precisa enxergar pelos olhos do outro.
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PermalinkNão entendo quase nada desse assunto. Mas a mudança de comportamento eu vi num menino do time no ano passado: ele parou de pedir a bola, continuou vindo em todo treino e dizendo que tava tranquilo. Levei umas três semanas pra reparar, e só entendi que era coisa de casa quando a mãe dele comentou na porta do ginásio.
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PermalinkFiquei com a parte de continuar a trabalhar, a estudar e a cumprir compromissos enquanto se aguenta outra coisa por dentro. A pessoa que nunca falta é precisamente aquela a quem ninguém pergunta como está, porque dá sempre conta do recado. Se calhar quem desaparece dá mais nas vistas do que quem continua a aparecer todos os dias à mesma hora.
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PermalinkConcordo com a nota quando diz que o sofrimento nem sempre aparece. Só que o que mais se vê por aí nem chega a ser o tudo bem: é gente que para de responder mensagem, some do grupo, deixa de ir no almoço de domingo, e todo mundo acha que é correria. Esse sumiço calado, pra mim, é o sinal mais comum de todos.
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PermalinkFui conferir de onde vinha o nome, e Dídimo quer dizer gêmeo, em grego. É o apelido do apóstolo Tomé, justamente o que precisou ver com os próprios olhos pra acreditar. Numa história sobre um sofrimento que os outros não enxergam, o nome parece escolhido a dedo.
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