Durante muito tempo, acreditaram que aquela era apenas uma história.
Um conto sobre uma garota misteriosa, sobre luzes antigas e sobre um mundo que escondia segredos esquecidos.
Mas toda história tem alguém segurando a caneta.
E quase ninguém se pergunta quem está do outro lado dela.
Eu acompanhei cada passo dela.
Vi quando descobriu as primeiras luzes.
Vi quando começou a questionar o próprio passado.
Vi quando acreditou estar encontrando respostas.
Ela achava que estava escolhendo seu caminho.
Achava que cada decisão era sua.
Que cada encontro era uma coincidência.
Mas histórias não nascem de coincidências.
Elas nascem de escolhas.
E algumas escolhas são feitas antes mesmo dos personagens existirem.
Durante todo esse tempo, deixei que ela acreditasse ser a heroína. Deixei que procurasse o inimigo em todos os lugares, menos no único lugar onde jamais olharia.
Nas páginas.
No fim, ela descobriu que as luzes não estavam guiando seus passos.
Eu estava.
E quando finalmente chegou ao último capítulo, percebeu a verdade que eu escondi desde a primeira palavra:
Ela nunca foi a personagem tentando escapar da história.
Ela era apenas a história que eu estava escrevendo.
E eu?
Eu nunca fui o narrador.
Eu sempre fui aquele que decidiu como ela terminaria.