Na terça-feira seguinte, Dídimo marcou uma consulta.
Não contou a ninguém.
Sentou-se diante da psicóloga e decidiu que, dessa vez, falaria a verdade.
— Eu penso em morrer.
Dizer aquilo em voz alta produziu uma sensação estranha.
Esperava que alguma coisa acontecesse.
Que a sala mudasse.
Que a mulher se assustasse.
Que uma sirene invisível começasse a tocar.
Nada aconteceu.
Ela permaneceu olhando para ele.
— Com que frequência?
— Quase todos os dias.
— Você quer morrer agora?
Dídimo pensou.
— Não.
Era verdade.
— Então o que você quer?
Ele demorou mais para responder.
— Eu queria parar.
— Parar o quê?
Dídimo abriu as mãos.
— Isso.
Ela esperou.
— Tudo — completou.
Conversaram durante quase uma hora.
Ao sair, Dídimo não estava curado.
Aquilo o decepcionou, embora soubesse que era absurdo esperar que estivesse.
Mas alguma coisa tinha mudado.
Pela primeira vez, alguém sabia.
Não uma versão reduzida.
Não "estou cansado".
Não "estou meio deprimido".
Não "ando desanimado".
Alguém sabia que, algumas manhãs, Dídimo acordava e lamentava ter acordado.
Na rua, respirou profundamente.
Comprou um sorvete.
Chocolate.
Sentou-se num banco e ficou observando as pessoas.
Uma criança perseguia pombos.
Um casal discutia.
Um entregador olhava o celular.
Uma senhora carregava sacolas demais.
O mundo era extraordinariamente banal.
E, naquele momento, Dídimo gostou dele.
Talvez fosse isso.
Talvez não precisasse amar a vida.
Talvez bastasse suportá-la até encontrar novamente alguma coisa que valesse a pena.
Guardou aquela ideia.
Durante algumas semanas, funcionou.