Ele aprendendo a gostar do banal, da rua, do ônibus, gente comum 🌆 É como eu entendo estar vivo. Sem drama, só parado, observando.
Capítulo 3 — O homem que voltou
Na terça-feira seguinte, Dídimo marcou uma consulta.
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Ele aprendendo a gostar do banal, da rua, do ônibus, gente comum 🌆 É como eu entendo estar vivo. Sem drama, só parado, observando.
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Na terça-feira seguinte, Dídimo marcou uma consulta.
Não contou a ninguém.
Sentou-se diante da psicóloga e decidiu que, dessa vez, falaria a verdade.
— Eu penso em morrer.
Dizer aquilo em voz alta produziu uma sensação estranha.
Esperava que alguma coisa acontecesse.
Que a sala mudasse.
Que a mulher se assustasse.
Que uma sirene invisível começasse a tocar.
Nada aconteceu.
Ela permaneceu olhando para ele.
— Com que frequência?
— Quase todos os dias.
— Você quer morrer agora?
Dídimo pensou.
— Não.
Era verdade.
— Então o que você quer?
Ele demorou mais para responder.
— Eu queria parar.
— Parar o quê?
Dídimo abriu as mãos.
— Isso.
Ela esperou.
— Tudo — completou.
Conversaram durante quase uma hora.
Ao sair, Dídimo não estava curado.
Aquilo o decepcionou, embora soubesse que era absurdo esperar que estivesse.
Mas alguma coisa tinha mudado.
Pela primeira vez, alguém sabia.
Não uma versão reduzida.
Não "estou cansado".
Não "estou meio deprimido".
Não "ando desanimado".
Alguém sabia que, algumas manhãs, Dídimo acordava e lamentava ter acordado.
Na rua, respirou profundamente.
Comprou um sorvete.
Chocolate.
Sentou-se num banco e ficou observando as pessoas.
Uma criança perseguia pombos.
Um casal discutia.
Um entregador olhava o celular.
Uma senhora carregava sacolas demais.
O mundo era extraordinariamente banal.
E, naquele momento, Dídimo gostou dele.
Talvez fosse isso.
Talvez não precisasse amar a vida.
Talvez bastasse suportá-la até encontrar novamente alguma coisa que valesse a pena.
Guardou aquela ideia.
Durante algumas semanas, funcionou.
Thoughts
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PermalinkEle aprendendo a gostar do banal, da rua, do ônibus, gente comum 🌆 É como eu entendo estar vivo. Sem drama, só parado, observando.
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PermalinkLi no capítulo 1 pensando no Dídimo acordando no mesmo lugar. Aqui ele finalmente sai dali e descobre que talvez bastasse. Precisamos saber o que vem depois!
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PermalinkIsso 🥺
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PermalinkNão precisa amar a vida pra continuar vivendo. Quem passou por esse lugar sabe quanto vale.
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PermalinkO momento depois, respirando fundo na rua, vendo uma criança brincando, um casal discutindo. Descobrir que aquilo bastava. Me fez pensar em como tantas pessoas leem isso e acordam pra coisa que já sabiam mas não tinham dito em voz alta. Aposto que alguns vão voltar aqui e ler de novo porque se reconhecem.
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PermalinkTodos nos temos que sentir o pertencimento e acolhimento (igreja, galera da bike, pescar e o bar)... Não que o julgamento seja ruim, mas talvez seja o preço de pertencer e ser acolhido... um processo que as vezes entendemos como dureza, as vezes so companhia quem nunca conhece nossas feridas, mas sempre é lucidez... como um medicamento que arde em cima de um machucado
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PermalinkAlguém saber a versão inteira, sem abreviar pra estou cansado. Que diferença faz!
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