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O preço de uma segunda chance parte 7 - raiva reprimida

FJS

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Click…

“É, garoto… você chegou tarde para a festa, hehe. A diversão ficou toda para a sua irmã.”

O som que Christopher ouviu foi o da arma sendo engatilhado pelo homem à sua frente.

Poucos momentos antes, ao ouvir o barulho da porta caindo, o homem se escondera aguardando o melhor momento para atacar. Ele não sabia que era Christopher quem chegara, por isso permanecera em silêncio. Mas, quando percebeu de quem se tratava, um sorriso sádico se abriu em seu rosto: era o irmão mais velho da garotinha.

“…”

Christopher estava paralisado. Não pela arma apontada para si naquele momento, mas porque conhecia muito bem o homem diante dele.

“Tyrone…”

“Ânh? O quê? Estava esperando a mamãe?”

Lá estava ele: moicano preto, pele pálida sob um sobretudo escuro e uma tatuagem de espinhos no pescoço.

Tyrone era um dos traficantes da área. Usava constantemente a autoridade para abusar dos moradores, e dificilmente alguém levantava um dedo contra ele por medo de represálias. Ele não apenas traficava, como também roubava e maltratava mulheres e idosos. Como a região era extremamente pobre, nem mesmo os chefões de outras facções se importavam com suas crueldades.

Ele tinha livre acesso para fazer o que quisesse sem que ninguém o incomodasse, desde que mantivesse a venda de suas mercadorias. Por isso, coagia as mulheres das vielas à prostituição por preços irrisórios para atrair novos clientes — e, claro, ele próprio era o seu maior consumidor.

“Sabe, já fazia muito tempo que eu queria provar aquela pirralha”, dizia Tyrone, sorrindo. “Aaaahh, que delícia, cara! Sua irmãzinha mandou muito bem, foi uma fera… Até me machucou com uma caneta, mas aí eu precisei reeducar ela. Você sabe como é, né? Como uma cadelinha, hahaha!”

“AHHHHH!!!!!!!!!!”

Christopher explodiu em fúria e investiu contra Tyrone, sem se importar com a arma. Estava cego de raiva.

POW!

Christopher caiu no chão, agonizando de dor. Havia sido atingido na perna.

MERDA!

Como a situação terminara assim? Era de se esperar, na verdade: no fim das contas, ele era fraco. O que poderia fazer? Nunca conseguira revidar as investidas daquele desgraçado; no máximo, evitava que a irmã se tornasse seu alvo. Mas, hoje, nem isso conseguira evitar.

“Você é bem burro, sabia disso? Achou que eu viria com uma arma de brinquedo?” Tyrone debochou. “Vamos, rapazes, levantem ele.”

Logo, outros dois homens surgiram das sombras. O desgraçado não estava sozinho; ambos vestiam preto, padrão de todos os capangas de Tyrone.

Eles ergueram Christopher, deixando-o cara a cara com o criminoso.

“Ahhh, é! Já ia esquecendo de te contar: uma festa não é uma festa se não tiver mais gente, não é mesmo? Haha!”

Cusp!

Christopher cuspiu direto no rosto de Tyrone.

O soco veio logo em seguida.

Aaahhghhh!

Christopher contorceu-se. Não comera nada desde cedo, mas, se tivesse algo no estômago, teria posto tudo para fora com aquele golpe.

“Seu… seu desgraçado… Eu vou te matar… De algum jeito, eu vou matar… cada um de vocês…”

Christopher não deixou de proferir suas palavras de ódio. Mas era só o que conseguia fazer no momento: falar… Quão impotente se sentia agora!

“O que foi? Eu não ouvi DIREITO!”

Outro soco foi desferido. E mais outro, e outro, um após o outro, até que o rosto de Christopher ficasse irreconhecível, coberto de sangue.

“Agora que a diversão acabou, vamos aos negócios… Cadê o meu pacote?” Tyrone esbravejou. “Era para eu receber uma encomenda com drogas bem pesadas hoje à tarde, mas pelo jeito um passarinho chegou antes de mim, não foi? Agora, onde ESTÁ?!”

Tyrone berrava, mas Christopher não sabia o que responder. Então o pacote era para ele? Mas por que Tyrone viera atrás dele? Christopher só conseguia pensar naquela mulher vil: Pietra!

“Pietr…”

“Ah, a Pietra! Sim, eu falei com a Pietra… Sabe o que ela me disse? Que você recebeu uma grana para pegar o pacote que ela ia me entregar… e sumiu tanto com a encomenda quanto com o dinheiro!” Tyrone vociferou. “Eu vou perguntar mais uma vez… Cadê… o meu… PACOTE?!”

Christopher foi arremessado contra o armário da sala, fazendo todos os objetos despencarem sobre ele. Cuspia sangue e mal conseguia articular palavras.

“Pode enforcar. Quero que ele sofra bastante antes; vai ser um bom incentivo”, ordenou Tyrone a um dos capangas.

Christopher continuava caído, sem forças para reagir. O homem subiu sobre seu corpo, posicionou as mãos ao redor de seu pescoço e apertou com violência. Devido aos ferimentos no rosto, Christopher não enxergava quase nada; só sentia a pressão esmagadora e o próprio corpo implorando por oxigênio.

Que desespero! Voltaria para o limbo daquela forma? Mesmo tendo descoberto o que acontecera com a irmã, não conseguira fazer nada: morreria em vão outra vez.

NÃO!

Christopher reuniu os últimos vestígios de força e começou a tatear o chão em busca de algo que pudesse salvá-lo naquele momento de agonia. Qualquer coisa, por favor… alguma coisa… Achei!

Não sabia o que havia segurado, mas era algo afiado.

Chop!

Guhhaa!

Um golpe rápido! O sangue jorrou instantaneamente.

Christopher empunhara uma faca afiada que caíra do armário quando fora arremessado. Com o agressor sangrando copiosamente sobre ele, os outros capangas ficaram paralisados de susto, sem prestar atenção no jovem, que empurrou o homem moribundo para o lado e correu em direção à porta.

POW!…

Christopher caiu novamente. Outro tiro nas costas. Mais uma vez, Tyrone acertara o disparo.

Seria aquele o fim? Terminaria assim? Pelo menos, agora, levara um dos inimigos consigo. Christopher não se sentia tão deprimido desta vez, embora preferisse que a facada tivesse atingido Tyrone.

Enquanto Christopher se arrastava para a saída, Tyrone o deixou rastejar por alguns instantes para verificar o estado do capanga. Tentou estancar o sangramento com um pano sujo jogado no chão, mas sem sucesso: o homem morreu em questão de segundos devido à hemorragia.

Irritado, Tyrone levantou-se e foi até Christopher, desferindo um chute em sua lateral para virá-lo de frente.

“SIM!!!” Christopher gritou internamente.

“Seu merdinha, tem ideia do que acabou de fazer? Sabe quão difícil é encontrar alguém obediente nesta cidade? Você, além de não morrer, ainda me dá trabalho! Seu merda, vê se morre logo!”

Pouco antes de Tyrone apontar a arma para a sua cabeça, um aviso ecoou na mente de Christopher:

“Você abateu um ser vivo. Você adquiriu 50 Pontos de Alma!”

“Analisando alma… Foram identificados danos no corpo físico. Você possui 50 PA no momento. Gostaria de gastar seus 50 Pontos de Alma para se fortalecer por 30 minutos?”

“SIM!”

“Aviso: O corpo físico já se encontra em estado enfraquecido. Forçá-lo resultará em um estado superenfraquecido com duração de seis dias.”

“VAI LOGO!”

“Fortalecimento ativo.”

Naquele instante, Christopher conseguiu abrir os olhos. Viu a arma e, acima dele, o rosto de Tyrone. Tinha pouco tempo.

Usando toda a força que acabou de receber, desferiu um chute brutal na perna de Tyrone enquanto ainda estava caído. O impacto foi tão devastador que Christopher mal pôde acreditar: Tyrone foi arremessado longe, colidindo a uma distância equivalente a duas casas vizinhas. Quanta força!

Com a fratura exposta na perna, Tyrone contorcia-se no chão, urrando de dor.

A arma!

Com o impacto, Tyrone perdera o revólver, que caíra a poucos metros. Porém, quando Christopher tentou se aproximar, foi repelido por uma sequência de disparos. O outro capanga, ainda vivo, mirara nele e atirava sem parar.

Christopher conseguiu correr sem ser atingido, embora não tenha conseguido recuperar a arma. Felizmente, o impulso do fortalecimento não apenas ampliou sua força, como também aliviou a dor do ferimento na perna e aprimorou drasticamente sua velocidade. Estava muito mais rápido.

Alcançou a entrada das vielas e se escondeu.

O capanga estava sem entender nada. Como aquele garoto conseguira fazer aquilo? Fora baleado e, mesmo deitado, chutara o chefe àquela distância!

O homem aproximou-se de Tyrone, que ainda estava vivo.

“Chefe!”

“Ahhh! Não me toca! O que aconteceu? Cadê o moleque?!”

“Chefe, ele fugiu!”

“FUGIU?! SEU IDIOTA, COMO DEIXOU ELE FUGIR?! VOCÊ ESTAVA ARMADO!”

“Mas, chefe…”

“Sem 'mas'! Agora me ajuda a levantar, preciso ir para um hospital rápido! Vamos pela viela para cortar caminho!”

O capanga ajudou o líder a se erguer e começou a carregá-lo lentamente em direção à entrada da viela.

Oculto na penumbra, Christopher observava tudo. Ainda restavam 15 minutos do tempo de fortalecimento — mais do que suficiente para lidar com os dois.

No momento em que ambos passaram pelo ponto onde Christopher estava escondido, o capanga recebeu um chute fulminante nas costas. Desta vez, o golpe foi ainda mais devastador: o homem foi arremessado contra a parede com tanta violência que abriu rachaduras na estrutura, morrendo instantaneamente.

Tyrone, lançado ao chão pela força do impacto, tremia de pavor. O que estava acontecendo ali? Como uma criança podia ter tamanha força? Seu capanga fora morto à sua frente com um único golpe… Inacreditável!

Christopher aproximou-se lentamente de Tyrone, encarando-o do alto.

“O que você tinha dito lá atrás mesmo? Sobre ter reeducado a minha irmã?”

Thoughts

  • Ovid

    O aviso dos Pontos de Alma só chegando com a arma do Tyrone já apontada diz muito desse sistema: ajuda, mas cobra depois. Aposto que os seis dias superenfraquecido vão pesar mais que a briga, ainda mais com a Pietra solta por aí.

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  • Florisvaldo

    Meu, o Christopher travar por reconhecer o Tyrone, e não pela arma, foi a parte mais pesada pra mim. Depois do que ele encontrou na sala no capítulo anterior, esse nome já chega com tudo junto.

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