O meu beijo ao teu beijo foi por Deus,
Ao ponto de eu sofrer com tal adeus.
Pois foi Deus quem, num lance, nos juntou
E, por acaso, nos desmoronou.
A voz do hierofante é invasão,
E o cosmo, por si só, é descompasso.
Deus fez tudo a passo de simulacro,
de antemão seria o suposto sacro.
Do cosmo o paradoxo agora emerge,
E todos os sentidos ele esmaece.
Uma palavra só pode existir
Quando o que discorre já teve de ir.
Mais um passo se dá ao Deus incerto,
Deus esse que jamais nos vê liberto.
Por acaso, no Parnaso, a ele acena,
Enquanto ri de forma bem obscena.
Do nada, já deu hora de ir embora,
Ir ao passo do acaso mundo afora.
Sumir hei de fazer num só piscar,
Para surgir do nada e enfim ficar.
