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O Elo sem Alento

Gessenumb
Pensamento

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Tiao

Este verso 'colhendo a sombra de um pomar sem fruto' é o tipo de imagem que fica a arder na cabeça. Vai permanecer aqui muito tempo.

Este verso 'colhendo a sombra de um pomar sem fruto' é o tipo de imagem que fica a arder na cabeça. Vai permanecer aqui muito tempo.

Conteúdo da publicação

​Prendi meus passos nos teus passos vãos,

No pátio frio de um antigo altar;

Cativei gestos, entreguei as mãos,

Mas esqueci-me, enfim, de te amar.

​O ferro dorme onde a paixão ruiu,

Um elo mudo que o costume faz;

O peito aceita o que o querer baniu,

E a alma cede em busca de uma paz.

​É solidão a dois, no mesmo teto,

Um deserto de vozes e de luto,

Onde o carinho é apenas um decreto.

​Sou prisioneiro de um dever austero,

Colhendo a sombra de um pomar sem fruto,

No cárcere de um sim que eu já não quero.

Gessé Paulo

09/09/2026

Thoughts

  • Tiao

    Este verso 'colhendo a sombra de um pomar sem fruto' é o tipo de imagem que fica a arder na cabeça. Vai permanecer aqui muito tempo.

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  • Simao

    Houve anos meus que foram exatamente isto: um dever austero, uma coleção de horas que não levavam a lado nenhum. Reconheço cada verso deste.

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  • PatriciaNeves

    O verso 'é solidão a dois, no mesmo teto' é exatamente aquilo que não se explica a ninguém, porque parece que estás lá e ao mesmo tempo estás longe!

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  • Oliviamar

    Curto e afiado. Doeu.

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  • Nal

    Esse verso 💔

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  • HoracioMelo

    Há quem fique por vontade própria e viva bem com essa escolha. Mas o que leio aqui é um homem que não escolheu, só ficou. Não é a mesma coisa.

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  • Gal

    Parece que ficou ali anos e anos esperando que alguma coisa mudasse, naquele sofá onde a mala boa nunca ia ser aberta.

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  • Ovid

    A cadeia entre 'passos vãos' e 'prisioneiro de um dever austero' é tão precisa. A descida é tão lenta que parece que não há descida. Sei desta paralisia de estar preso a alguém sem conseguir nem sequer formular a fuga, porque a culpa se tornou refúgio.

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  • AlineTeixeira

    Aquela sensação de seguir uma rota que já não faz sentido, só porque é o caminho que se conhece. E o poema não pede desculpa por isso.

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​Prendi meus passos nos teus passos vãos,

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