de eu, que nunca fui corpo
nascida de um ventre,
fui muito usada pelas peles alheias.
eu me contorci
em sementes podres
de eu, que sempre fui alma
nunca tive deveras corpo,
e de núpcias
nao conheço uma viva!
de eu, que sempre fui intensa
nunca obtive nenhum encontro de vidas,
sempre soube o sabor amargo do amor
mas nunca deixei sangrar de mim
aquilo que saceia os homens
nunca de mim, foi tirado a gota
de uma simples lágrima feliz!
de eu, muito de mim, mais de tu
eu obtive desejo.
mas nunca quis aquilo que era real e físico
como posso ser corpo? se minha alma que encendeia os corações de quem eu nunca tive?
mas por qual razão meu corpo núncio jamais será revelado.
annie.