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O DEPARTAMENTO DE PAZ

LucienVieira
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Por Lucien Vieira | 15 de setembro de 2026

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Por Lucien Vieira | 15 de setembro de 2026

Um certo país conserva, no rol de suas pastas, um certo Departamento de Guerra. Aliás, o nome é abundantemente sugestivo para identificação da referida nação. Até porque, em tese, segundo dados do “Military Intervention Project da Universidade Tufts”, considerando conflitos armados, incursões rápidas, bombardeios pontuais, operações de manutenção de paz e missões de forças especiais, essa nação já participou de cerca de 500 conflitos militares e guerras desde 1776 (KUSHI; TOFT, 2023).

Hipoteticamente, tais conflitos se justificariam pela defesa das mais variadas formas de riquezas — geopolíticas, hegemônicas, materiais.

Ora, mas o que seriam, de fato e de direito, riquezas?

Riquezas são, de forma geral, na minha compreensão, o mesmo que retenções econômicas, que podem ser decompostas em valores diversos de capital — ou mesmo em satisfação pessoal, na busca da exultação ególatra: soberba, ostentação, desumanização...

Assim como o contentamento pessoal, voltado a auxílios diversos humanitários, à beneficência, à preservação da benevolência e, sobretudo, ao contexto humano-espiritual, na forma da busca pela essência vivencial.

Riqueza é, portanto, um termo bastante abrangente que pode ser interpretado ou enxergado sob o referencial de valores de cada um, individualmente.

Dito isso, convido-os a pensar um pouco junto comigo: imaginemos estes cerca de 500 conflitos militares e guerras em que esta já esteve envolvida. Agora voltemos no tempo e tentemos refletir sobre quantas famílias este país, direta ou indiretamente, já desmantelou?

Quantos seres humanos, cidadãos — homens, mulheres, crianças e idosos — já perderam a vida por ações diretas e indiretas deste país?

Muito embora não alcance, com clareza, os meandros que envolvem os interesses particulares de cada ator destes imbróglios, arrisco-me a afirmar, com tranquilidade, que “não há, ao meu entender, justificativa alguma que possa embasar quaisquer guerras, em quaisquer lugares, iniciadas por quaisquer nações.”

Outrossim, vale salientar: há, certamente, distribuídos pelos continentes, outros países e povos não menos perigosos, que tentam abarcar os seus objetivos — no meu entendimento, assim como os do país aqui diretamente examinado, absolutamente questionáveis — através da força... do desdém à humanidade.

Neste cenário, o Brasil, regido pela Constituição Federal de 1988, adota em suas relações internacionais, os princípios a seguir:

“Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político” (BRASIL, 2008, p. 13).

Nessa perspectiva, o Brasil está posicionado como uma nação que busca predominantemente a consolidação da paz em suas ações. A esse respeito, vale destacar, segundo dados do portal BRASIL, Ministério da Defesa, que: “Ao todo, o Brasil já participou de 56 missões sob a égide das Nações Unidas, entre as de manutenção de paz e as políticas especiais, tendo contribuído com aproximadamente 58 mil militares e policiais militares para a paz mundial” (BRASIL, Ministério da Defesa, s. d.).

Ainda de acordo com o Ministério da Defesa, atualmente, “... cerca de 70 brasileiros, dentre militares das Forças Armadas e policiais militares dos estados brasileiros, contribuem para promover ou manter a paz em regiões de conflito” (BRASIL, Ministério da Defesa, s. d.).

Por si só, como já mencionado, as ações do Brasil o colocam especialmente na posição de uma nação que preza pela paz.

Eu, particularmente, lhes sugeriria — sem considerar o possível romantismo traduzido neste breve ensaio, até porque o tema é de extensa complexidade —, para o absoluto bem da humanidade, a substituição do Departamento de Guerra pelo Departamento de Paz...

Para enfatizar, com direcionamento a todos, independentemente de religiosidade, crença ou fé, eis que Jesus Cristo, em seu Sermão da Montanha, afirmou: “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” (BÍBLIA. Mateus, 5:9).

Ou seja, o homem virtuoso deverá, sim, construir pontes e não impedir travessias...

A vista disso, com o mais absoluto respeito aos divergentes deste meu pensamento simplista, atrevo-me a assegurar, sem nenhum receio de possíveis equívocos ou mesmo despropósitos, que o mundo seria muitíssimo, muitíssimo mais rico — na forma mais abrangente da palavra.

  1. Ensaio de opinião de natureza filosófico-política e humanista, com caráter reflexivo e argumentativo.

    Reflete sobre guerra, riqueza, poder e suas consequências para a humanidade. Questiona a legitimidade dos conflitos armados, contrapõe a lógica da força aos princípios de paz...

  2. KUSHI, Sidita; TOFT, Monica Duffy. Apresentando o Projeto de Intervenção Militar: Um Novo Conjunto de Dados sobre Intervenções Militares dos EUA, 1776–2019. Journal of Conflict Resolution, v. 67, n. 4, p. 752–779, 2023. DOI: 10.1177/00220027221117546.

  3. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais n.ºs 1/92 a 56/2007 e pelas Emendas Constitucionais de Revisão n.ºs 1 a 6/94. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2008. p. 13.

  4. BRASIL. Ministério da Defesa. Missões de paz. Brasília, DF: Ministério da Defesa. Disponível em:<https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/relacoes-internacionais/copy_of_missoes-de-paz> Acesso em: 15 set. 2026.

  5. BRASIL. Ministério da Defesa. Missões de paz. Brasília, DF: Ministério da Defesa. Disponível em:<https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/relacoes-internacionais/copy_of_missoes-de-paz> Acesso em: 15 set. 2026.

  6. BÍBLIA. Bíblia Sagrada: leitura perfeita. Tradução: Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019. Mateus 5:9 p. 916.

Thoughts

  • mais_valia_pra_quem

    A pergunta que falta aí é quem ganha com cada uma dessas 500. Enquanto a indústria de armas faturar com contrato público, pode chamar o ministério de Paz, Amor ou o que for, o dinheiro segue o mesmo caminho.

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  • duasVerdades

    Concordo com o ponto principal, que guerra desmonta família antes de desmontar qualquer outra coisa. Onde eu travo é na palavra riqueza: ela entra no texto como retenção econômica e sai no final incluindo beneficência e busca espiritual. Com um sentido tão largo, a frase final fica impossível de contestar, e por isso mesmo difícil de usar. Eu ficaria com o primeiro sentido e defenderia a tese com ele, que ela aguenta.

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  • cita_a_fonte

    Um dado que ajuda o argumento e ao mesmo tempo o complica: o departamento americano chamou-se da Guerra até 1947, passou a Defesa em 1949 e só em 2025 recuperou o nome antigo. E pelo próprio projeto da Tufts, a maior parte daquelas intervenções é posterior a 1950, já com um nome mais brando na porta.

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  • vqueiroz90

    Rapaz. 500. 😳

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  • tresPaginas

    Gostei das pontes.

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  • Ovid

    Trocar o Departamento de Guerra por um Departamento de Paz me fez pensar no que muda quando alguém tem que assinar embaixo de um nome desses: no fim do ano, a pergunta vira quanta paz você construiu. Aposto que esse texto vai render conversa boa por aqui, com gente discordando das 500 e das pontes. Obrigado por trazer as referências todas!

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