Uai, aquele cantinho atrás da sala de artes que quase ninguém conhecia. Toda escola tem um, na minha era atrás da cantina, e era ali que os bilhetes trocavam de mão. A Cecília levar o menino novo lá logo no primeiro dia já dizia tudo, antes dela mesma saber.
O começo de tudo- aonde meu coração te encontra
CAPÍTULO 1
In groups
Pensamento
Uai, aquele cantinho atrás da sala de artes que quase ninguém conhecia. Toda escola tem um, na minha era atrás da cantina, e era ali que os bilhetes trocavam de mão. A Cecília levar o menino novo lá logo no primeiro dia já dizia tudo, antes dela mesma sab
Conteúdo da publicação
CAPÍTULO 1
Era segunda-feira. O relógio do meu quarto marcava seis e meia, e a casa já estava com aquele cheirinho gostoso de café fresquinho.
Antes de descer para dar bom dia para a mamãe e o papai, eu precisava me arrumar para ir à escola. Minha penteadeira ficava em frente à janela, porque eu amava olhar o céu enquanto me arrumava.
Olhei pela janela e percebi que o dia seria quente. Então, em vez de colocar uma calça, escolhi meu short-saia favorito.
Finalizei meus cachinhos e, depois de conferir meu reflexo no espelho, percebi que já estava pronta!
Desci as escadas com bastante cuidado. Quando cheguei lá embaixo, sentei-me à mesa junto com o papai e a mamãe.
— Bom dia, papai. Bom dia, mamãe.
— Bom dia, Cecília! — os dois responderam juntos.
Tomei meu café bem rapidinho, porque sabia que aquele seria um dia longo.
Minha mãe me deixou na escola. Assim que cheguei, Isa, minha melhor amiga, veio correndo contar uma novidade.
— Cecília! Chegou um menino novo na nossa sala!
Eu quase não me importei.
Até ver o menino.
Ele era... perfeito.
Tinha olhos azuis, era branquinho e tinha cabelos cacheados, assim como os meus.
Eu ainda não sabia o nome dele. Não sabia de onde ele vinha, não sabia nada sobre ele.
Mas, naquele instante, eu tive uma certeza que nem eu mesma conseguia explicar:
Eu já estava apaixonada por ele.
Na hora do recreio, percebi que ele estava sozinho. Fiquei alguns segundos pensando se deveria ir até lá, mas finalmente criei coragem.
Caminhei até ele.
— Oi, menino. Tudo bem?
Ele levantou os olhos e sorriu.
— Oi, menina. Estou sim. E você?
— Estou bem também. Vi você sozinho e resolvi perguntar se você quer que eu te mostre a escola.
— Pode ser.
E foi assim que tudo começou.
Lá fomos nós.
Mostrei cada canto da escola para ele: a biblioteca, a quadra, o pátio, os corredores e até aquele lugar escondido atrás da sala de artes que quase ninguém conhecia.
Nós viramos amigos muito rápido.
O que eu não imaginava era que, enquanto eu começava a gostar dele, Lucas também começava a gostar de mim.
Os anos passaram.
Nós estudamos juntos do sexto ano até o primeiro ano do ensino médio. Crescemos lado a lado, compartilhamos segredos, risadas, provas difíceis, brincadeiras e momentos que eu tinha certeza de que jamais esqueceria.
Quando chegamos aos nossos dezesseis anos, éramos mais do que simples amigos.
Éramos inseparáveis.
Até que um dia recebi uma notícia que eu nunca gostaria de ter ouvido.
Lucas iria se mudar para outro país.
Fiquei destruída.
Como alguém que esteve ao meu lado durante tantos anos poderia simplesmente ir embora?
Nós tínhamos crescido juntos.
E agora tudo poderia acabar de uma hora para outra.
O pior de tudo era que nenhum de nós tinha celular.
Como iríamos conversar?
Como eu saberia se ele estava bem?
Como eu contaria todas as coisas que ainda queria contar?
A semana passou rápido demais.
E, infelizmente, chegou o dia da mudança.
Naquela manhã, eu não quis nem sair da cama.
Fiquei deitada, olhando para o teto, tentando fingir que aquilo não estava acontecendo.
Até que minha mãe entrou no quarto.
Ela segurava alguma coisa nas mãos.
— Cecília...
Olhei para ela.
— O que foi, mãe?
Ela estendeu a mão e me entregou uma carta.
— É para você.
Meu coração acelerou.
Reconheci a letra imediatamente.
Era do Lucas.
Abri a carta rapidamente e comecei a ler.
As primeiras palavras já fizeram meus olhos se encherem de lágrimas.
“Oi, Cecília.
Bom, eu sei que estou me mudando de país e não sei que dia vou te ver de novo. Por isso, tenho uma coisa para te falar.
Já faz alguns anos que eu queria falar isso para você, mas nunca tive coragem.
O que eu tenho para te dizer é que eu gosto de você.
EU TE AMO, CECÍLIA.
Eu te amo com todo o meu coração, desde quando a gente era bem pequeno, lá no sexto ano.
Me desculpa por só te falar isso agora.
Mas isso não é um adeus.
É apenas um até logo.”
Parei de ler por alguns segundos.
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
Por que ele tinha guardado aquilo por tanto tempo?
Por que nunca tinha me contado?
Se ele soubesse...
Se ele soubesse o quanto eu também o amava.
Apertei a carta contra o peito e fechei os olhos.
Naquele momento, eu percebi que talvez aquela história não tivesse terminado.
Talvez aquilo fosse apenas o começo.
E, mesmo sem saber q
uando eu voltaria a vê-lo, uma coisa eu tinha certeza:
Eu esperaria por Lucas.
Thoughts
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PermalinkGostei dos dois se cumprimentando de menino e menina, sem saber o nome um do outro ainda. Coisa bem de sexto ano.
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PermalinkUai, aquele cantinho atrás da sala de artes que quase ninguém conhecia. Toda escola tem um, na minha era atrás da cantina, e era ali que os bilhetes trocavam de mão. A Cecília levar o menino novo lá logo no primeiro dia já dizia tudo, antes dela mesma saber.
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PermalinkEla fica brava com o Lucas por ter guardado aquilo tanto tempo, e ela guardou igualzinho, visse. Os dois calados do sexto ano até os dezesseis, cada um achando que só ele sentia.
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PermalinkNenhum dos dois com telemóvel, aos dezasseis anos. Se calhar a única forma de se falarem agora é por carta, e a morada do Lucas no outro país vai decidir o capítulo 2 inteiro.
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PermalinkCecília e Lucas sem celular aos dezesseis, e o único jeito de dizer tudo foi uma carta entregue pela mãe. Isso me lembra que as coisas mais importantes quase sempre chegam por escrito, e tarde. Aposto que a próxima parte vai depender de quem escreve primeiro do outro país. Obrigado por trazer a Cecília pra cá, fico esperando o capítulo 2!
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PermalinkÉgua, a carta entregue pela mãe na manhã da mudança. Aposto que o Lucas deixou com ela uns dias antes e ela segurou até o último minuto, a mãe da Cecília sabia de tudo.
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