Será que nós realmente acreditamos no amor?
Ou será que inventamos essa palavra porque temos medo do silêncio?
Porque a solidão assusta.
Porque dormir sozinho é mais fácil quando acreditamos que em algum lugar existe alguém esperando por nós.
Mas me diga...
Você realmente me ama?
Tem certeza?
Ou ama apenas a versão de mim que existe dentro da sua cabeça?
Aquela que você criou, aquela que te serve, aquela que te oferece exatamente aquilo que você procura?
Talvez o amor nunca tenha existido.
Talvez tenha sido apenas a mentira mais bonita que a humanidade inventou para não admitir que está sozinha.
Eu também acreditei.
E talvez esse tenha sido o meu maior erro.
Acreditei em palavras, em promessas, em abraços, em "eu te amo" ditos como se fossem eternos.
Até perceber que quase tudo tem um preço.
Atenção.
Desejo.
Dinheiro.
Conveniência.
Uma oportunidade.
Um lugar para ficar.
Um corpo para tocar.
Uma mão para segurar quando a própria vida começa a pesar.
E então chamamos isso de amor.
Que ironia...
Talvez o ser humano não ame.
Talvez apenas precise.
Precise de alguém para preencher seus vazios, para alimentar seu ego, para diminuir sua solidão.
E quando encontra alguém melhor, mais útil, mais conveniente...
simplesmente parte.
E aquilo que chamávamos de amor morre sem direito a funeral.
Não existem sentimentos?
Existem.
Mas talvez sejam frágeis demais para receber o nome de eternidade.
Talvez sejam apenas necessidades vestidas de palavras bonitas.
Talvez quando um homem diz "eu te amo" para uma mulher, e quando uma mulher diz "eu te amo" para um homem,
ambos estejam dizendo, sem coragem de admitir:
"Eu preciso do que você pode me dar."
E depois...
quando você deixa de oferecer,
deixa de servir,
deixa de preencher,
deixa de ser conveniente...
o amor desaparece.
Como se nunca tivesse existido.
Talvez seja por isso que tudo termina.
Não porque o amor morreu...
mas porque descobrimos que ele nunca esteve vivo.
E talvez a pior parte não seja descobrir que o amor é uma ilusão.
É perceber que eu fui feliz acreditando nela.
Porque durante algum tempo...
eu realmente pensei que alguém pudesse me amar sem querer nada em troca.
Hoje eu sei:
o ser humano chama de amor muitas coisas que tem medo de chamar pelo verdadeiro nome.
Necessidade.
Desejo.
Carência.
Interesse.
E solidão.
Talvez o amor exista.
Talvez não.
Mas se ele existir...
eu ainda não o encontrei.
E se um dia eu encontrar,
espero que ele não precise de dinheiro, de sexo, de favores, de conveniência ou de promessas.
Espero que seja simplesmente amor.
Porque, se precisar de alguma coisa para continuar existindo...
então talvez nunca tenha sido amor.
(Lediuson Oliveira )