LUA
Lua...
lembra quando eu te falei
que já te vi vestida de noiva
dentro dos meus olhos?
Não era apenas um vestido.
Era uma vida que, por alguns segundos,
meu coração ousou imaginar.
Nós dois sorrindo no sofá da sala,
sem pressa de ir embora,
sem precisar dizer nada,
apenas deixando o tempo passar
como se aquela noite
pudesse durar para sempre.
Eu voltava para o seu olhar,
para o seu cheiro,
para a sua risada...
E bastava você sorrir
para minhas pernas bambolearem,
como se meu corpo inteiro
perdesse o equilíbrio
diante daquilo que eu sentia.
No seu olhar,
eu encontro uma beleza
que não sei explicar.
Há nele uma luz tranquila,
dessas que não precisam chamar atenção
para serem percebidas.
Você tem a delicadeza
de uma manhã de primavera
e a força de quem aprendeu
a atravessar suas próprias tempestades
sem deixar de ser gentil.
Seu sorriso chega leve,
como uma brisa sobre águas calmas.
Seu cheiro...
é alecrim,
é terra molhada,
é flor escondida no meio da mata,
um perfume que não parece perfume,
parece lembrança.
Mas quanto mais eu penso em você,
mais percebo
que não foram seus olhos
que me fizeram ficar.
Foi a mulher.
A mulher carinhosa,
alegre,
forte,
humilde,
íntegra.
Aquela que consegue ser doce
sem ser frágil,
forte sem perder a ternura,
humilde sem diminuir
a grandeza que carrega.
E talvez seja isso
que Shakespeare jamais conseguiria
colocar completamente em versos:
existem pessoas
que não cabem em poemas.
A gente apenas sente.
E você,
Lua,
é uma dessas pessoas.
Por isso, quando imaginei você vestida de noiva,
não estava imaginando apenas uma mulher bonita.
Eu estava imaginando
a mulher com quem eu gostaria
de dividir os dias simples:
o sofá,
as conversas,
as risadas,
os silêncios,
as noites cansadas,
os domingos sem planos,
e aquela paz que só existe
quando finalmente encontramos
onde o coração quer descansar.
Talvez o futuro não me prometa nada.
Talvez a vida mude os caminhos,
as pessoas,
os sonhos.
Mas existe uma coisa
que ninguém pode tirar de mim:
o instante em que olhei para você
e enxerguei um futuro inteiro
onde antes eu só enxergava o presente.
E se um dia me perguntarem
o que você significou para mim,
eu não vou responder
com uma palavra.
Vou responder com uma vida que imaginei.
Porque você não foi apenas
a mulher que eu achei bonita.
Você foi a mulher
que fez meu coração
ter coragem de sonhar.
E talvez seja esse
o amor mais bonito que alguém pode deixar:
não aquele que promete
que nunca vai embora,
mas aquele que, por um instante,
faz a gente acreditar
que finalmente encontrou
um lugar para ficar.
(Lediuson Oliveira)