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O Amor que Ninguém Fotografou

GabrielVictor
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Há uma espécie de amor que quase ninguém percebe. Não faz barulho. Não chega com flores. Ele aparece disfarçado de coisas pequenas.

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Conteúdo da publicação

Há uma espécie de amor
que quase ninguém percebe.
Não faz barulho.
Não chega com flores.
Ele aparece disfarçado
de coisas pequenas.

Na mensagem perguntando
se você chegou bem.
No copo d’água colocado
ao lado da cama.
No "me avisa quando chegar".

A gente quase nunca percebe
o amor enquanto ele está acontecendo.
Percebe depois.
Quando aquilo que parecia rotina
vira lembrança.

Há coisas que só ganham tamanho
quando deixam de acontecer.
É como uma lâmpada:
ninguém passa o dia
admirando a luz.
Até faltar energia.
Então percebemos
o quanto aquela claridade
organizava a casa.

A gente se acostuma com a presença
e chama de rotina
aquilo que, na verdade,
era privilégio.

Por isso existem amores
que não estão no grande pedido,
não estão na viagem inesquecível,
não estão na declaração
que todo mundo aplaudiu.

Estão na mão procurando a sua sem perceber.
No lugar guardado no sofá.
No “lembrei de você”
depois de uma coisa completamente boba.

E descobri, tarde demais ou não,
que o amor nunca foi feito
das grandes coisas.
As grandes coisas
só aparecem nas fotografias.

O amor mesmo,
aquele que quase ninguém vê,
é feito daquilo
que ninguém fotografou.

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