Tem gente que torce o nariz pra história de reencarnação, eu não, véi. Numa visita esses dias uma senhora de oitenta e tantos me contou que sonha com o marido quase toda noite e jura que os dois vão se achar de novo. Quando o Leandro fala que espera cem anos, duzentos, eu lembrei dela na hora.
O Amor que Atravessou Séculos
O Passado: 1876
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Pensamento
Tem gente que torce o nariz pra história de reencarnação, eu não, véi. Numa visita esses dias uma senhora de oitenta e tantos me contou que sonha com o marido quase toda noite e jura que os dois vão se achar de novo. Quando o Leandro fala que espera cem a
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O Passado: 1876
A lua cheia banhava os jardins da Fazenda Serenidade. As roseiras estavam em flor, e o vento trazia o aroma de jasmim e chuva prestes a cair. Carolina parou no topo da escadaria de pedra, o coração batendo tão forte que temia ser ouvido. Ele estava ali, como sempre, à espera.
— Leandro... — sussurrou ela, descendo devagar, com o xale cobrindo os ombros.
Ele virou-se, e o brilho nos seus olhos era mais intenso que as estrelas. Estendeu a mão, e ao tocarem-se, parecia que o mundo inteiro se calava.
— Pensei que não viria — disse ele, com a voz suave, mas carregada de aflição. — Seu pai... ele descobriu sobre nós. Quer me mandar embora. Diz que não sou digno de você.
— Não diga isso — Carolina apertou as mãos dele entre as suas. — Nada importa além de nós. Prometa-me. Prometa que não importa quanto tempo passe, não importa onde estejamos... você vai me encontrar de novo.
Leandro a puxou para perto, abraçando-a com toda a força do amor que sentia.
— Eu prometo. Nem a morte, nem o tempo, nem séculos inteiros conseguiriam me afastar de você. Se precisar esperar cem anos, duzentos... eu espero. E quando nos reencontrarmos, eu vou te reconhecer. No primeiro olhar, no primeiro toque. E você vai saber que sou eu.
Beijou-a então, sob a luz da lua, um beijo selado com juras que ultrapassariam a própria existência. E naquela noite, foram separados por um destino cruel, uma doença súbita, um adeus às pressas, um coração que parou com o nome do outro nos lábios. Mas o amor deles não morreu. Apenas dormiu, à espera do momento certo para despertar.
O Presente: 2026
O som do mar batendo nas pedras era o mesmo, embora tudo ao redor tivesse mudado. As ruas eram de asfalto, as luzes eram elétricas, e o tempo agora corria com pressa, em telas e em sinais digitais.
Carolina parou diante de uma construção antiga, quase em ruínas, mas que ainda mantinha a estrutura grandiosa de outrora. Uma placa dizia: Fazenda Serenidade: Patrimônio Histórico. Algo a puxava para ali, como um fio invisível que vinha de muito longe. O coração acelerou ao atravessar o portão enferrujado. As roseiras ainda cresciam selvagens, o jasmim ainda exalava o mesmo perfume.
— Carolina?
A voz. Uma voz que não deveria conhecer, mas que reconhecia no fundo da alma, como se fosse parte dela.
Ela virou-se. Um homem estava parado ali, segurando uma pasta de documentos, olhando para ela com uma expressão de choque e maravilha. Olhos da mesma cor, o mesmo brilho, como se o tempo não tivesse passado.
— Desculpe... — disse ele, hesitante, mas sem tirar os olhos dela. — Eu não quero parecer estranho, mas... você me parece tão familiar. Como se eu te conhecesse há muito, muito tempo.
— Eu também senti — respondeu ela, a voz quase um sussurro. — Só de ouvir você me chamar pelo meu nome...
Ele deu um passo à frente.
— Meu nome é Leandro. Estou aqui porque herdei estas terras. E desde criança, eu sonho com este lugar. Com uma mulher de cabelos escuros, usando um vestido de renda. Com um jardim e uma lua cheia. Sonho todas as noites, e sinto que estou procurando alguém.
Carolina sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
— Eu também sonho — disse ela, com a voz trêmula. — Sonho com uma despedida. Com uma promessa de que não importa quanto tempo passe... nós iríamos nos encontrar de novo.
Ele aproximou-se devagar, como se tivesse medo de que ela desaparecesse se fizesse um movimento brusco. Estendeu a mão, tocando levemente o rosto dela. No instante em que seus dedos a tocaram, ambos suspiraram,um arrepio que percorreu os dois corpos, como se duas partes de uma mesma alma finalmente se encaixassem.
— Cento e cinquenta anos... — murmurou Leandro, maravilhado. — Esperei tanto tempo.
— E eu voltei — respondeu Carolina, cobrindo a mão dele com a sua. — Não sei como aconteceu, não entendo o que nos uniu através de tudo isso... mas eu sei que é você...
Ele a puxou para um abraço, e naquele momento, não havia século XIX nem XXI. Não havia distância nem tempo. Havia apenas eles dois, de novo, como sempre deveria ter sido.
— Nunca mais nos separaremos — prometeu ele, beijando-a com a ternura de quem havia esperado uma eternidade. — Desta vez, ficamos juntos para sempre.
🪶•☕️•🤎•✨️
Olá, leitores,
Muito obrigada por ter dedicado um tempinho para acompanhar a história de Carolina e Leandro, esse amor que atravessou séculos para se reencontrar.
Eu já costumava compartilhar minhas histórias no Wattpad há um tempo, mas foi só recentemente que descobri este espaço, então tudo é novidade para mim! Essa é a primeira vez que publico aqui, ainda estou aprendendo a me virar, a entender como tudo funciona e a me adaptar ao novo ambiente. Pode ser que ainda não esteja tudo perfeito, mas coloquei muito carinho em cada palavra.
Se você chegou até aqui, gostou da história? Ficarei muito feliz se me disser o que achou!
Você gostaria que eu continuasse escrevendo mais capítulos ou outras histórias como essa? Me conta! Seu apoio é o que me motiva a continuar e melhorar a cada passo nesse cantinho novo.
Muito obrigada de coração! Que em breve possamos nos encontrar em mais uma história.
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Thoughts
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PermalinkTem gente que torce o nariz pra história de reencarnação, eu não, véi. Numa visita esses dias uma senhora de oitenta e tantos me contou que sonha com o marido quase toda noite e jura que os dois vão se achar de novo. Quando o Leandro fala que espera cem anos, duzentos, eu lembrei dela na hora.
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PermalinkA pasta de documentos na mão dele em 2026 me fez sorrir: o rapaz que o pai dela achava indigno volta como herdeiro daquelas terras. Gosto quando o tempo devolve assim o que tiraram de alguém. Bem-vinda! Se continuar em capítulos, dá pra juntar tudo numa série aqui. Tem mais histórias do Wattpad que quer trazer pra cá?
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PermalinkArriégua, fiquei preso num detalhe: em 1876 é a Carolina que pede pra ele encontrar ela de novo, e em 2026 quem atravessa o portão enferrujado é ela, puxada por aquele fio invisível. Ele esperou, e quem foi atrás foi ela. Pra mim isso deixa o reencontro mais dela do que dele. E já que tu quis saber lá no fim: quero sim mais capítulos, visse! Aposto que a Fazenda Serenidade ainda guarda alguma coisa daquela noite, uma carta, um retrato, e que é por aí que tu continua.
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