Eu cheguei por último.
Enquanto alguns eram escolhidos,
eu permanecia ali,
esperando.
Vi nomes sendo chamados.
Vi portas se abrindo.
Vi pessoas passando à minha frente.
E, por um instante,
pensei que talvez eu não fosse suficiente.
Talvez meu lugar fosse mesmo o último.
Talvez eu tivesse nascido
para assistir aos outros vencerem.
Mas a vida, às vezes,
guarda suas maiores surpresas
para quem aprendeu a esperar.
E um dia aconteceu.
O nome que ninguém esperava ouvir
foi chamado.
O último foi escolhido em primeiro lugar.
Naquele momento, compreendi
que chegar por último
não significa terminar por último.
Há pessoas que começam na frente
e se perdem pelo caminho.
E há pessoas que começam atrás,
com pouco,
com medo,
com lágrimas nos olhos,
mas chegam ao destino
com um coração que não se perdeu.
Porque de que adianta
ter uma mansão enorme
se dentro dela existe um coração vazio?
De que adianta vestir roupas caras,
usar perfumes importados,
dirigir o melhor carro
e ter uma mesa cheia,
se ao lado dessa mesa
existe alguém com fome
e você não consegue repartir?
De que adianta ter dinheiro
para comprar quase tudo,
se não existe humanidade
para oferecer um pouco de amor?
A riqueza pode comprar uma casa,
mas não compra um lar.
Pode comprar uma cama,
mas não compra descanso.
Pode comprar um perfume,
mas não compra a presença
de alguém que sente sua falta.
Pode comprar muitos amigos de ocasião,
mas não compra um coração verdadeiro.
E existe algo ainda maior
que todas essas coisas:
a caridade.
A Bíblia nos ensina, em 1 Coríntios 13,
sobre a suprema excelência da caridade:
“Ainda que eu tenha tudo,
se não tiver amor,
nada sou.”
É isso que o mundo às vezes esquece.
Podemos ter diplomas,
dinheiro,
títulos,
empresas,
casas,
viagens
e fotografias bonitas.
Mas, se não tivermos amor
para estender a mão a quem caiu,
para dividir com quem não tem,
para perdoar quem errou,
para cuidar de quem sofre,
então talvez tenhamos muitas.
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza.