Passamos a vida inteira tentando nos diferenciar.
Uns acumulam riqueza.
Outros, histórias.
Alguns carregam títulos.
Outros, cicatrizes.
Há quem seja lembrado pela beleza.
Há quem seja lembrado pela coragem.
Criamos fronteiras.
Classes.
Crenças.
Idiomas.
Nomes para tudo aquilo que nos separa.
Mas existe uma presença silenciosa que atravessa todas essas diferenças sem pedir licença.
A morte.
Ela não pergunta quanto existe na sua conta bancária.
Não consulta a cor da sua pele.
Não se impressiona com diplomas.
Não se comove com o poder.
Não escolhe pela idade.
Nem pela beleza.
Nem pela força.
Ela também não negocia com quem se considera preparado.
Nem poupa quem ainda fazia planos para amanhã.
A morte apenas chega.
E talvez seja justamente por isso que ela seja a lembrança mais honesta da nossa humanidade.
Diante dela, desaparecem os sobrenomes.
Os cargos.
Os status.
As vaidades.
Resta apenas aquilo que sempre fomos.
Humanos.
É curioso.
Passamos tanto tempo tentando provar que somos diferentes uns dos outros, quando a única certeza da existência nos lembra, todos os dias, que compartilhamos exatamente o mesmo destino.
Talvez a morte nunca tenha vindo para nos assustar.
Talvez ela exista para nos ensinar uma verdade que a vida insiste em esconder.
O tempo não pertence a ninguém.
E, se o tempo não nos pertence, talvez o único luxo verdadeiro seja a forma como escolhemos atravessá-lo.
No fim, a morte não faz distinções.
Ela apenas nos lembra da igualdade mais profunda que existe entre todos nós.
E talvez essa consciência não devesse nos ensinar a temer o fim.
Mas a viver de um jeito que, quando ele chegar, encontre uma vida que realmente valeu a pena ser vivida.