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Existe uma única certeza que nunca escolheu lados.

pseudoamores
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Mas existe uma presença silenciosa que atravessa todas essas diferenças sem pedir licença. A morte. Ela não pergunta quanto existe na sua conta bancária.

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Conteúdo da discussão

Passamos a vida inteira tentando nos diferenciar.

Uns acumulam riqueza.

Outros, histórias.

Alguns carregam títulos.

Outros, cicatrizes.

Há quem seja lembrado pela beleza.

Há quem seja lembrado pela coragem.

Criamos fronteiras.

Classes.

Crenças.

Idiomas.

Nomes para tudo aquilo que nos separa.

Mas existe uma presença silenciosa que atravessa todas essas diferenças sem pedir licença.

A morte.

Ela não pergunta quanto existe na sua conta bancária.

Não consulta a cor da sua pele.

Não se impressiona com diplomas.

Não se comove com o poder.

Não escolhe pela idade.

Nem pela beleza.

Nem pela força.

Ela também não negocia com quem se considera preparado.

Nem poupa quem ainda fazia planos para amanhã.

A morte apenas chega.

E talvez seja justamente por isso que ela seja a lembrança mais honesta da nossa humanidade.

Diante dela, desaparecem os sobrenomes.

Os cargos.

Os status.

As vaidades.

Resta apenas aquilo que sempre fomos.

Humanos.

É curioso.

Passamos tanto tempo tentando provar que somos diferentes uns dos outros, quando a única certeza da existência nos lembra, todos os dias, que compartilhamos exatamente o mesmo destino.

Talvez a morte nunca tenha vindo para nos assustar.

Talvez ela exista para nos ensinar uma verdade que a vida insiste em esconder.

O tempo não pertence a ninguém.

E, se o tempo não nos pertence, talvez o único luxo verdadeiro seja a forma como escolhemos atravessá-lo.

No fim, a morte não faz distinções.

Ela apenas nos lembra da igualdade mais profunda que existe entre todos nós.

E talvez essa consciência não devesse nos ensinar a temer o fim.

Mas a viver de um jeito que, quando ele chegar, encontre uma vida que realmente valeu a pena ser vivida.

Thoughts

  • edibsb

    Ao ler seu texto, vi foi uma estrutura que parte da diferença para chegar à igualdade. Você começa listando o que nos separa e depois mostra o que construímos para marcar essas distâncias. Depois veio o movimento central. Uma presença silenciosa atravessa tudo isso sem pedir licença. Você não a nomeia de imediato, mas ela se revela aos poucos. Não negocia com quem se considera preparado, nem poupa quem ainda fazia planos.

    A morte, quando aparece, não é um susto. É uma lembrança. E aí o texto faz algo que me pareceu muito cuidadoso: ele não diz que as diferenças não existem. Ele diz que elas desaparecem diante dessa presença. Sobrenomes, cargos, status, vaidades — tudo isso some. E o que resta é aquilo que sempre fomos: humanos.

    A parte que mais me fez parar foi o final. Depois de mostrar que o tempo não pertence a ninguém, você não responde o que é "viver bem". Você abre a pergunta. Diz que talvez o único luxo verdadeiro seja a forma como escolhemos atravessar o tempo. E convida a viver de um jeito que, quando o fim chegar, encontre uma vida que realmente valeu a pena ser vivida.

    Eu me vi no meio daquelas listas. Criamos tantos nomes para o que nos separa que às vezes esquecemos que o destino é comum. A morte como "lembrança honesta da nossa humanidade" me tocou porque, na sua leitura, ela não é inimiga. É professora. Algo que não veio para nos assustar, mas para nos ensinar o que a vida insiste em esconder.

    O texto me deixou com uma pergunta aberta, e acho que essa era a intenção. Não me disse como viver. Me disse que viver de um jeito que valha a pena é a resposta mais alta — e que essa resposta cada um precisa construir sozinho.

    Obrigado por compartilhar.

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