Essa virada do Álvaro e do Miguel no Brasil Império muda o peso de tudo: o Luiz já atravessou pelo menos duas vidas atrás da mesma pessoa, e agora a Dani sente o nome esquentar o peito. Eu fiquei pensando no Ariel, que chora pelo corpo do Sebastião sem saber que o amor proibido dessa história também já foi entre dois homens.
Meu namorado fantasma capítulo 10
Pensamento
Essa virada do Álvaro e do Miguel no Brasil Império muda o peso de tudo: o Luiz já atravessou pelo menos duas vidas atrás da mesma pessoa, e agora a Dani sente o nome esquentar o peito. Eu fiquei pensando no Ariel, que chora pelo corpo do Sebastião sem sa
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Terça-feira, 14 de maio de 2024
Sebastião está me olhando com um olhar doce. Nossos rostos vão se aproximando cada vez mais, até que nossos lábios finalmente se tocam.
É o nosso primeiro beijo no mundo real.
- Nossa... - digo toda boba depois que nossos lábios se separam.
Sebastião leva a mão aos lábios e fica tocando a própria boca, completamente encantado.
- Esse beijo foi poderoso - diz Sebastião, sem tirar os olhos de mim. - Fez com que eu recuperasse todas as minhas memórias como fantasma de uma vez.
- Até que enfim, né? - digo aliviada. - Meu namorado fantasma voltou 100%.
- Não se esqueça de que eu não sou mais um fantasma - diz Sebastião enquanto se senta no chão. - Agora eu sou uma pessoa viva.
- O que a gente vai fazer, amor? - pergunto aflita, sentando ao lado dele. - O meu aniversário está se aproximando.
- Não se preocupe, bela dama. Eu vou dar um jeito de sair desse corpo - diz Sebastião com determinação. - Afinal, esse corpo não me pertence.
- Eu estava com tanto medo... - digo, encostando a cabeça no ombro de Sebastião. - Medo de partir sem você ao meu lado.
- Não se preocupe, minha vida - diz Sebastião, fazendo carinho no meu cabelo. - No dia do seu aniversário, vamos partir juntos: eu, você e seus pais.
- Minha vida em casa está cada dia pior - digo com a voz cansada. - A bruxa agora está me obrigando a dormir no porão.
- Eu não vou mais ficar parado. Agora eu posso te defender - diz Sebastião, com determinação nos olhos. - Vamos denunciá-la por maus-tratos.
- Você sabe que não vai dar certo - digo frustrada. - Não se esqueça de que eu já denunciei antes. Infelizmente, ela tem dinheiro para comprar qualquer juiz.
- Não se esqueça de que o pai do Sebastião é um homem poderoso - diz Sebastião, com esperança. - Ele vai te ajudar a desmascarar aquela bruxa.
- Amor, vamos esquecer isso - digo, interrompendo-o. - No momento, vamos focar apenas em como tirar você desse corpo.
- Amor... você não tem vontade de lutar contra essa maldição? - pergunta Sebastião com cuidado. - Agora eu estou vivo. Podemos encontrar uma solução juntos.
- Isso é inútil. Meus pais tentaram de tudo quando eu era criança, mas não adiantou - digo frustrada. - Por insistirem tanto em encontrar uma solução, isso acabou resultando na morte da mamãe.
- Se a gente não tivesse viajado em busca de uma cura, talvez ela ainda estivesse aqui comigo - digo com a voz triste. - Até hoje me culpo pela morte dela.
- Não foi culpa sua, meu amor - diz Sebastião, tentando me confortar. - Acidentes acontecem. Você não teve culpa.
Olho a hora no celular do Sebastião e logo volto para casa. Daqui a pouco a bruxa pode descer ao porão para me atormentar.
Entro discretamente no jardim da mansão, tomando cuidado para que ninguém me veja.
Benedito, o fantasma do jardim, me dá cobertura para que eu consiga entrar sem ser percebida.
- Obrigada... - sussurro bem baixinho.
- De nada, minha senhora - responde Benedito com um sorriso.
Entro silenciosamente pela passagem secreta do jardim, que leva diretamente ao porão.
Quarta-feira, 15 de maio de 2024
Ontem um policial veio aqui em casa. Ele ficou trancado no escritório com a bruxa, e os dois conversaram por horas. Minha mãe escutou toda a conversa deles.
Assim como eu já imaginava, Beatrice foi a responsável pela morte da Bárbara.
Ela colocou pó de amendoim no lanche da menina.
Alguns alunos testemunharam tudo e viram Beatrice jogando um pó na comida da Bárbara.
Minha madrasta confrontou Beatrice, mas ela disse que tinha sido apenas uma brincadeirinha.
Uma brincadeira que custou a vida da Bárbara.
Como sempre, minha madrasta passou pano para os erros da Beatrice e agora está fazendo de tudo para encobrir o crime.
É de manhã, e estamos todos sentados à mesa tomando café.
- Que bom que hoje já tem aula. - diz Beatrice com naturalidade, como se nada tivesse acontecido.
- Nossa, que frieza... - digo revoltada. - Alguém morreu.
- Cala a boca, Dani. - diz minha madrasta, já ficando impaciente. - Tome seu café em silêncio.
Quanta frieza dessas duas.
- Mamãe, eu quero uma bolsa da edição limitada da Hermès Birkin Himalaya. - diz Beatriz toda mimada.
- Não se preocupe, meu bebê. - diz minha madrasta, apertando a bochecha de Beatriz. - Podemos até fazer uma viagem para o exterior neste fim de semana.
De repente, começo a sentir a presença de um fantasma, mas não era a presença de nenhum dos espíritos da casa.
- Mamãe, preciso renovar meu guarda-roupa. - diz Beatrice toda empolgada. - Todas as minhas roupas estão ficando fora de moda.
- Vamos nos divertir muito! - diz Beatriz, erguendo a mão.
Beatriz e Beatrice batem as mãos uma na outra e logo caem na gargalhada.
- Sua maldita! - De repente, escuto a voz de Bárbara.
Sinto um arrepio percorrer minha espinha.
Olho discretamente e vejo Bárbara se aproximando de Beatrice.
- Como você se atreve a sorrir depois de tudo o que fez comigo?! - grita Bárbara, furiosa.
Bárbara tenta socar Beatrice, mas seus punhos atravessam o corpo dela.
Fico observando a cena horrorizada.
Não consigo desviar o olhar a tempo e, então, Bárbara percebe que eu a vi.
- Por que está me ignorando, Daniella? - pergunta Bárbara com a voz triste enquanto me encara. - Pensei que você fosse uma garota legal.
Não digo nada.
Apenas continuo olhando para ela com um olhar triste.
Depois de tomar café, agora estou andando pela rua. Bárbara está ao meu lado, e estamos conversando.
- Desculpa por ter te ignorado - digo enquanto caminho.
- Tudo bem, eu entendo - responde Bárbara após respirar fundo. - Você seria chamada de maluca se começasse a conversar comigo naquela hora.
- Sinto muito por você - digo com a voz triste. - A Beatrice é mais cruel do que eu imaginava.
- Aquela garota é uma psicopata! - diz Bárbara revoltada. - Tudo porque o meu namorado deu um fora nela.
- Pera aí... a Beatrice te matou por causa de macho?! - digo incrédula e revoltada ao mesmo tempo.
- E isso nem é a parte mais revoltante. O pior é que ela vai sair impune - diz Bárbara furiosa. - Como se a minha morte não significasse nada.
- A mãe dela está calando todo mundo com dinheiro. A escola está tratando tudo como se tivesse sido um descuido meu - diz Bárbara, com rancor na voz. - Você precisa me ajudar, Dani. Tem que ajudar a revelar a verdade para todos.
- Não posso, Bárbara - digo de cabeça baixa. - Eu não tenho provas. E, além disso, quem acreditaria em mim?
- Você precisa contar tudo para a minha mãe! - implora Bárbara. - Minha pobre mãezinha... ela deve estar devastada.
- Não posso, Bárbara. Se sua mãe descobrir que você ainda está aqui, ela pode acabar ficando obcecada em te ver de novo - digo com cuidado. - E talvez nunca consiga superar o luto.
- E quem supera a morte de uma filha?! - diz Bárbara, indignada. - Eu era tudo para a minha mãe. Ela nunca vai superar isso.
- Desculpa... eu falei besteira - digo, arrependida.
Não digo mais nada.
Apenas continuo caminhando em silêncio.
Assim que chego à escola, todos estão comentando sobre a morte da Bárbara. Todos dizem que foi um acidente.
Assim que entramos na sala, o espírito de Bárbara segue Beatrice. Seu coração está cheio de ódio e desejo de vingança.
Bárbara acabou se transformando em um espírito obsessor.
Sua energia está mudando, ficando cada vez mais pesada.
Fico observando de longe e sinto um frio percorrer minha barriga.
É intervalo, e estou sentada no refeitório junto com Evelyn e Ariel.
Meus olhos acompanham Beatrice passando pelo corredor, enquanto Bárbara caminha ao lado dela como uma sombra.
- Amiga, tem uma coisa que preciso te dizer. - diz Ariel, parecendo um pouco apreensivo.
- O quê? - pergunto, olhando para ele.
- Acho que o Sebastião está interessado em você. - diz Ariel, já começando a entrar em pânico.
Meu coração quase para.
- Outro dia ele foi até a floricultura da mamãe - continua Ariel.
- Usou a desculpa de que queria aprender a cuidar do cacto que eu dei para ele... - diz agora, completamente incrédulo. - Mas, na verdade, queria que eu falasse sobre você.
- Eu sabia, o Sebastião continua o mesmo idiota de sempre. - diz Evelyn, revirando os olhos.
- Tem uma coisa que eu preciso contar para vocês dois. - digo após respirar fundo.
- O quê? - perguntam Evelyn e Ariel quase ao mesmo tempo.
- Eu encontrei o Luiz. - digo sem rodeios.
- Que bom, amiga! - diz Ariel com um sorriso.
- Mas onde o seu namorado fantasma estava? - pergunta Evelyn, curiosa. - Ou por acaso ele estava assombrando alguma casa? - acrescenta com um leve sorriso.
- Lembram da leitura de tarô que eu fiz sobre o Sebastião? - pergunto enquanto olho para os dois.
- Sim, você disse que o tarô mostrou que o Sebastião não estava mais neste mundo. - diz Evelyn, incrédula. - Mas o tarô errou.
- Não. O tarô nunca erra. - digo com determinação.
- Como não? - pergunta Ariel, confuso. - O Sebastião acordou e está bem.
Olho para os dois por alguns segundos e sinto meu coração apertar.
Chegou a hora.
Não posso mais esconder isso deles.
- Porque quem está naquele corpo... não é o Sebastião. - digo em voz baixa.
Os dois ficam me encarando em silêncio.
- Hã? - dizem os dois ao mesmo tempo.
- O Luiz está no corpo do Sebastião. - acrescento, olhando diretamente para eles. - O Sebastião... não voltou.
- Isso é alguma brincadeira, Dani? - pergunta Ariel, me olhando com expressão de julgamento.
- Naquele dia em que fomos visitar o Sebastião, de alguma forma o Luiz acabou sendo puxado para dentro do corpo dele. - digo com convicção. - Acho que aconteceu no momento em que o Luiz tentou tocá-lo.
- Isso explica muita coisa... - diz Evelyn, chocada. - É por isso que o Sebastião mudou tanto.
- Ai, meu Deus... - diz Ariel, segurando o choro. - Então... o meu amorzinho está morto?
- Infelizmente, sim. - respondo com a voz triste enquanto seguro sua mão. - O Luiz tinha acordado sem memória, mas agora ele já se lembrou de tudo.
- O lado bom é que agora seu namorado está vivo. - comenta Evelyn, olhando para mim.
- Para de falar bobagens! - Ariel diz, caindo em prantos enquanto cobre o rosto com as mãos. - Aquele corpo pertence ao meu amorzinho! O Luiz não tem o direito de usá-lo!
- Amigo, por favor, não chora. - diz Evelyn enquanto se levanta e vai até ele.
Eu também me levanto.
- Eu quero o meu Sebastião de volta... - murmura Ariel, chorando.
Eu e Evelyn o abraçamos com força.
- Não chora, amigo... - digo junto com Evelyn.
Alguns alunos começam a perceber que Ariel está chorando e logo se aproximam para ver o que tinha acontecido.
Todos começam a perguntar para Ariel o que havia acontecido. Ele respira fundo, enxuga as lágrimas e logo inventa uma desculpa, dizendo que tinha acabado de descobrir que uma vizinha muito querida havia morrido.
Depois da aula, acabei me encontrando com Sebastião no circo abandonado.
- Fiquei com pena do Ariel. - diz Sebastião, com a voz triste.
- O Ariel amava muito o Sebastião. - digo, pensativa. - Espero que ele consiga superar esse amor logo.
- Tem uma coisa que preciso te contar. - diz Sebastião enquanto toca meu rosto.
- O que foi, amor? - pergunto, curiosa.
- Quando acordei no corpo do Sebastião, não me lembrei apenas das minhas memórias como Luiz. - diz Sebastião sem tirar os olhos de mim.
- O que mais você se lembrou? - pergunto, aflita.
- De uma vida passada anterior à minha vida como Luiz. - responde Sebastião com convicção. - Pelas roupas e pelo lugar, acho que era na época do Brasil Império.
- Como assim, amor? - pergunto, completamente chocada.
- Nessa vida, eu me chamava Álvaro - diz Sebastião, ainda um pouco incrédulo. - E eu vivia um amor proibido com outro homem.
- Um romance gay? - pergunto, surpresa.
- Sim. O nome dele era Miguel. - Sebastião sorri de leve enquanto toca meu rosto. - Você se parece muito com ele... o jeito, a personalidade e até o rosto.
Miguel?
Não sei por quê, mas esse nome faz meu coração se aquecer.
Uma sensação estranha percorre meu peito, como se algo dentro de mim tivesse despertado.
Será que...
Será que eu sou a reencarnação de Miguel?
Thoughts
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PermalinkA Bárbara virando obsessora em cima da Beatrice é o que vai estourar essa casa. A madrasta compra juiz e policial, mas fantasma ela não compra, e a Dani vai acabar no meio das duas.
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PermalinkEssa virada do Álvaro e do Miguel no Brasil Império muda o peso de tudo: o Luiz já atravessou pelo menos duas vidas atrás da mesma pessoa, e agora a Dani sente o nome esquentar o peito. Eu fiquei pensando no Ariel, que chora pelo corpo do Sebastião sem saber que o amor proibido dessa história também já foi entre dois homens.
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