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Meu namorado fantasma capítulo 15

hyan_amorim

Conteúdo da publicação

1800 - Brasil Colônia

Uma família de grande prestígio vinda de Portugal acaba de se estabelecer em Belém. Trata-se da família Andrade de Vasconcelos.

O patriarca, Dom Fernando Andrade de Vasconcelos, chegou acompanhado de sua esposa, Dona Isabel de Vasconcelos, e de seus três filhos: Ariadne, Miguel e Tomás.

Adquiriram a fazenda vizinha à de minha família, situada a pouca distância de nossas terras.

Ainda não tive ocasião de conhecer nenhum deles pessoalmente. Contudo, toda a cidade parece falar de uma única pessoa: Ariadne, a filha mais velha de Dom Fernando.

Os comentários acerca de sua beleza espalharam-se por toda Belém.

Nesta manhã, cavalgava pelas proximidades de sua propriedade, movido pela curiosidade de avistar a jovem de quem todos falavam.

Foi então que a vi.

Caminhava serenamente pelos jardins da fazenda.

Meu coração acelerou-se ao contemplá-la.

Jamais meus olhos haviam repousado sobre criatura tão formosa.

A jovem voltou o rosto em minha direção e ofereceu-me um gentil sorriso.

Apeei imediatamente de meu cavalo e aproximei-me dela.

- Tenha um bom dia, senhorita. - disse eu, fazendo uma breve reverência.

- Bom dia, senhor. - respondeu ela com certa cautela. - Perdoe minha indiscrição, mas quem sois vós?

- Sois porventura filha de Dom Fernando Andrade de Vasconcelos? - perguntei sem conseguir desviar os olhos de seu rosto.

- Sim, senhor. Sou sua filha. - respondeu ela com um leve rubor nas faces.

Meu coração aqueceu-se.

Era ela.

Ariadne.

Os rumores não exageravam.

Sua beleza parecia saída de um sonho.

- Permiti que me apresente. Sou Álvaro Montenegro, filho de Dom Augusto Montenegro. Nossa família reside na fazenda vizinha à vossa. - respondi.

- É uma honra conhecê-lo, senhor Álvaro. - disse Ariadne, oferecendo-me um sorriso ainda mais belo que o primeiro.

Naquele instante, tive a estranha sensação de que jamais esqueceria aquele sorriso.

E, pela primeira vez em minha vida, suspeitei estar me apaixonando.

- Devo confessar uma coisa, senhorita. - disse eu, sem conseguir conter-me. - Sois deveras a mais formosa dama que meus olhos já contemplaram.

Movido por um impulso pouco prudente, tomei delicadamente sua mão e depositei um leve beijo sobre ela.

Ariadne imediatamente recolheu a mão.

- Não me recordo de ter concedido tal liberdade, senhor Álvaro. - respondeu ela com firmeza.

Senti o rosto aquecer de vergonha.

- Perdoai-me, senhorita. Fui demasiadamente atrevido. Não era minha intenção ofendê-la.

Ela nada respondeu de imediato, apenas me observou por alguns instantes.

Nesse momento, uma voz interrompeu nosso breve encontro.

- Minha senhora.

Voltei-me e vi um criado aproximando-se apressadamente pelo jardim.

- Com licença, senhor Álvaro, mas devo retirar-me agora. - disse Ariadne, afastando-se alguns passos.

- Compreendo. - respondi, ainda encantado.

Observei-a partir.

Havia algo em sua maneira de caminhar que prendia meu olhar. A forma delicada como erguia levemente as saias do vestido para atravessar o jardim, a postura elegante e os movimentos graciosos faziam-na parecer uma personagem saída de um romance.

Permaneci imóvel por alguns instantes, acompanhando-a com os olhos até que desaparecesse entre as árvores.

E, naquele momento, tive a estranha sensação de que minha vida jamais voltaria a ser a mesma.

Já era noite, e eu jantava com minha família na grande sala de refeições da fazenda. Contudo, por mais que tentasse prestar atenção à conversa, meus pensamentos voltavam sempre para a mesma pessoa.

Ariadne.

Seu sorriso.

Sua voz.

Sua beleza.

- Hoje tive a oportunidade de conhecer Dom Fernando Andrade de Vasconcelos. - disse meu pai enquanto levava uma taça aos lábios. - É um homem honrado e de excelente reputação.

- Eu conheci sua filha mais velha. - respondi sem conseguir esconder o sorriso.

Minha mãe arqueou uma sobrancelha.

- Nossa Senhora... que expressão é essa, Álvaro? - perguntou ela, surpresa. - Pareces um homem enamorado.

- Nem precisa perguntar, mamãe. - brincou minha irmã. - Basta olhar para ele.

Meu pai soltou uma breve risada.

- Então também caíste sob os encantos da senhorita Ariadne?

- Estou apaixonado por ela, papai. - declarei com firmeza. - Desejo torná-la minha esposa.

Minha mãe quase deixou o talher cair.

- Álvaro! Conheceste a jovem apenas esta manhã. Como podes falar em casamento tão depressa?

- Quando um homem encontra a dama destinada ao seu coração, ele o sabe. - respondi sem hesitar.

Meu pai sorriu, divertindo-se com minha convicção.

- Pois talvez a Providência esteja a teu favor. Dom Fernando comentou que sua filha mais velha já se encontra em idade apropriada para o matrimônio.

Meu coração acelerou imediatamente.

- Está falando sério?

- Estou. - respondeu ele. - Se teus sentimentos forem sinceros, poderás começar a cortejá-la como convém a um cavalheiro.

- Mas comporta-te com prudência. - acrescentou minha mãe. - Uma moça de boa família não se conquista apenas com palavras bonitas.

- Não vos preocupeis. - respondi. - Farei tudo da maneira correta.

Meu pai assentiu.

- Primeiro conquistarás a confiança da jovem. Depois, se ela corresponder aos teus sentimentos, falarei com Dom Fernando sobre tuas intenções.

Baixei os olhos para o prato, tentando conter o sorriso.

Mas era impossível.

Pela primeira vez em muito tempo, sentia-me verdadeiramente feliz.

Os dias passaram-se lentamente.

Todas as manhãs eu fazia questão de cavalgar pelas proximidades da fazenda dos Andrade de Vasconcelos, na esperança de tornar a ver Ariadne.

Todavia, a jovem jamais aparecia.

Com o passar das semanas, comecei a acreditar que aquele encontro no jardim havia sido um capricho do destino que não se repetiria.

Numa tarde, encontrava-me na praça da vila em companhia de alguns amigos quando um deles apontou para o outro lado da rua.

- Olhai! É a senhorita Ariadne! - exclamou ele, entusiasmado.

Senti imediatamente o coração acelerar.

Virei-me depressa para olhar.

Porém, ao avistar a moça, senti uma estranha decepção.

Não.

Aquela não era a jovem que eu conhecera.

Não possuía o mesmo olhar.

Nem o mesmo sorriso.

Nem a mesma presença.

- Estais enganados. - respondi, balançando a cabeça. - Aquela não é ela.

- Claro que é. - insistiu um de meus companheiros. - É a filha mais velha de Dom Fernando.

Franzi a testa.

Aquilo não fazia sentido.

Observei a jovem atentamente.

Então resolvi aproximar-me.

- Tenha um bom dia, senhorita. - disse eu ao chegar.

- Bom dia, senhor. - respondeu ela com certa timidez.

- Porventura vos chamais Ariadne? - perguntei.

- Sim. - respondeu ela. - Sou Ariadne Andrade de Vasconcelos.

Fiquei perplexo.

- Como podeis ser Ariadne? - perguntei sem conseguir esconder minha confusão. - Tenho certeza de que já conversei com a filha de Dom Fernando.

A jovem pareceu intrigada.

- Creio que estais equivocado, senhor. Sou a única filha mulher de meu pai.

Meu espanto apenas aumentou.

- Perdoai-me. Talvez eu realmente tenha cometido um engano. - respondi, afastando-me constrangido.

Nesse instante, a jovem ergueu a mão e acenou para alguém.

- Miguel! Estou aqui!

Ao ouvir aquele nome, voltei-me na direção indicada.

E então senti o mundo parar por um instante.

Era ele.

A mesma pessoa que eu encontrara no jardim.

Os mesmos olhos.

O mesmo sorriso.

Os mesmos cabelos escuros.

Contudo, agora vestia trajes masculinos.

Uma camisa clara, colete escuro e calças de montaria.

Meu coração quase saltou do peito.

- Bom dia, senhor Álvaro. - disse ele com um sorriso cordial.

Fiquei completamente sem palavras.

Ariadne observou-nos, surpresa.

- Já vos conheceis?

- Sim. - respondeu Miguel. - Tivemos a oportunidade de conversar nos jardins de nossa fazenda há alguns dias.

Seu sorriso alargou-se.

- É muito bom revê-lo.

Olhei para ele, depois para Ariadne, e novamente para ele.

Minha mente recusava-se a compreender o que meus olhos viam.

- Que espécie de brincadeira é esta? - perguntei atônito. - Então... não sois Ariadne?

Miguel soltou uma breve risada.

- Não, senhor.

- Sou Miguel Andrade de Vasconcelos.

- E, como podeis ver... sou um homem.

Por alguns instantes, permaneci imóvel.

A jovem por quem acreditava estar apaixonado jamais existira.

Ou talvez tivesse existido.

Apenas não da forma que eu imaginava.

- Mas por que fingistes ser vossa irmã? - perguntei, ainda atônito com toda aquela situação.

Miguel arqueou uma sobrancelha.

- Em momento algum afirmei ser Ariadne. - respondeu com tranquilidade. - Foi Vossa Senhoria quem chegou a tal conclusão.

Fiquei sem palavras por um instante.

- Dom Fernando possui apenas uma filha mulher. Encontrei-vos trajando vestes femininas... naturalmente imaginei que fôsseis a senhorita Ariadne. - retruquei, ainda tentando compreender o ocorrido.

Ariadne soltou uma breve risada.

- Houve um pequeno contratempo durante nossa viagem. - explicou ela. - Nosso irmão mais novo resolveu divertir-se às custas de Miguel e lançou suas malas ao rio.

- Não foi uma experiência agradável. - acrescentou Miguel, balançando a cabeça. - Grande parte de minhas roupas ficou inutilizada.

- E, enquanto novas vestes não eram providenciadas, meu irmão viu-se obrigado a usar algumas das minhas. - concluiu Ariadne.

Miguel pareceu um tanto constrangido.

- Peço-vos perdão se vos causei algum embaraço, senhor Álvaro.

- Embaraço? - repeti, sem graça. - Não foi bem isso...

Ariadne voltou a rir.

- Não vos atormenteis com isso, senhor Álvaro. Meu irmão sempre possuiu feições muito delicadas.

Enquanto falava, ela levou a mão aos longos cabelos escuros de Miguel.

- Vede estes cabelos. - disse ela. - E observai seu rosto.

Miguel afastou a mão da irmã com evidente resignação.

- Ariadne...

- Ora, é a verdade. - respondeu ela divertindo-se. - Se o vestirdes novamente com um vestido, metade da cidade acreditará tratar-se de uma jovem dama.

Senti o rosto aquecer imediatamente.

O pior era admitir que ela tinha razão.

Ao recordar o instante em que o vira no jardim, compreendi que qualquer homem teria cometido o mesmo engano.

E, para meu desespero, ainda não conseguia afastar da memória aquele sorriso.

#romance

Thoughts

  • Marina

    Então a regressão caiu em 1800 e o Álvaro se encantou pelo Miguel de vestido kkkk tô doida pra saber quem desses é a Dani na outra vida

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