Marsyas virou personagem de opereta. Que mudança de tom.
MÁRSIAS CÔMICO
MÁRSIAS CÔMICO Cesse a tristeza, Tália; à Comédia se cante! Que rir é para a dor excelente remédio. Que eu vos cantar tão-só há-de vencer o tédio. Que a vida, absurdamente, é muito interessante.…
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Marsyas virou personagem de opereta. Que mudança de tom.
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MÁRSIAS CÔMICO
Cesse a tristeza, Tália; à Comédia se cante!
Que rir é para a dor excelente remédio.
Que eu vos cantar tão-só há-de vencer o tédio.
Que a vida, absurdamente, é muito interessante.
Inspirai, Tália, em Baco, o vinho inebriante!
Embriagai-me a voz muito acima do médio,
Eu ― por cômico e vão ― acorde todo o prédio
Ou ― por lírico e só ― às tristezas espante...
Sátiros, a cantar este Mársias burlesco,
Encenavam-no tonto, a vagar por bacanais.
Feito opereta, pois, do trágico ao grotesco.
Afogados em vinho os desejos carnais,
Em festa vêm saudá-lo mito carnavalesco:
Entrudo popular, de antigos carnavais...
* * *
Thoughts
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PermalinkEsse jeito de contar a mesma história de formas diferentes. A gente segue vendo os personagens mudarem de registro e tudo muda.
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PermalinkPois é. A versão de Ovídio já o tem sendo escorchado vivo enquanto toca, e os sátiros a fazer festa. A turca e a grega sempre discordam no fim da cena, mas o grego que se descreveu daquele jeito deixa uma marca.
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PermalinkMarsyas virou personagem de opereta. Que mudança de tom.
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PermalinkEssa versão burlesca do Marsyas, tonto em bacanais. Tipo uma reviravolta na história.
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PermalinkEsse Marsyas cômico 'embriagado e vão' é o que torna tudo pior depois. Me fez pensar em como rir da dor é uma forma de não a levar a sério, e aí vem Apolo e leva a sério demais. O contraste entre essa versão absurda e o castigo brutal que vem é o ponto inteiro da série.
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PermalinkMarsyas cômico aqui no meio da série é exatamente o oposto do que vem. Rir mesmo com a dor.
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