Eu não sou perfeita, não tenho o poder em minhas mãos.
O tempo não volta, ele segue sem pausa, sem pressa. O mundo, cheio de pessoas sujas. Almas vazias machucam e sugam quem as cerca.
A natureza lutando por sua existência. Árvores, animais, águas, terras. Sobreviventes da triste resiliência.
Universos ainda tão distantes e tão perto dividem o mesmo espaço. Com o cuidado de não se misturar, com o medo de colapsar.
O desarme quando algo é visto.
Novas descobertas, algo fica para trás, o vazio ganhando mais espaço. Máscaras mais enfeitadas, danças ainda mais vistas, tudo à mostra.
Guerras e mais guerras, como é o costume.
E as pessoas, essas que se denominam humanas, caminham no mesmo passo. Verdadeiros fantoches da regra imposta, sem nenhuma discórdia. Seguindo em círculos, no próprio circo.
Mais um caderno, mais um verso, mais uma linha, mais uma tinta gasta.
Mais um dia, mais uma semana, mais um mês, mais um ano, e nem falo do gasto tempo.
Mais uma revolta se acumula em mim.
Essa impotência da resistência em sobreviver em um lugar assim.
Depois de mim, o mundo é o ser mais complicadamente bagunçado que pode existir.
Texto autoral