Tenho sentimentos guardados em lugares que nem eu consigo alcançar.
Pensamentos perturbados que fazem barulho mesmo quando tudo ao redor está em silêncio. Tenho me sentido deslocada, distante de mim, como se estivesse tentando encontrar um lugar dentro de uma versão que já não reconheço.
Eu me julgo.
Eu me cobro.
Eu reclamo.
Eu penso demais, falo demais, questiono tudo.
Questiono minhas escolhas, minhas atitudes, meus sentimentos e, principalmente, os tantos porquês que insistem em permanecer sem resposta. Por que certas coisas aconteceram? Por que algumas pessoas ficaram e outras partiram? Por que eu precisei sentir tanto para aprender tão pouco sobre aquilo que eu realmente queria?
Às vezes, procuro sentido onde talvez só exista passagem. Procuro respostas em acontecimentos que talvez nunca tenham sido feitos para serem compreendidos, apenas vividos.
E então me pergunto: quem sou eu agora?
E quem vou ser amanhã?
Porque o meu antigo eu já não existe mais. Ficou para trás, junto com tudo aquilo que um dia pensei que seria para sempre. Algumas versões minhas morreram silenciosamente, enquanto outras nasceram no meio do caos, da decepção e das coisas que precisei suportar sozinha.
A vida dá voltas.
O mundo gira.
E nós mudamos com ele.
Talvez, lá na frente, eu consiga olhar para tudo o que vivi e finalmente entender que nada foi em vão. Que cada queda deixou alguma coisa, cada perda levou uma parte de mim, mas também abriu espaço para outra.
E talvez um dia eu recolha tudo aquilo que a vida me fez atravessar: as dores, os medos, os silêncios, as dúvidas e até as cicatrizes.
Não para voltar a ser quem eu era.
Mas para perceber que, apesar de tudo, eu me tornei alguém que sobreviveu a todas as versões de mim mesma que um dia pensou não conseguir deixar para trás.