Aquela parte do "corvo, hei de insistir": a gente sabe exatamente esse tipo de tristeza que não cede.
Lenore
Pensamento
Aquela parte do "corvo, hei de insistir": a gente sabe exatamente esse tipo de tristeza que não cede.
Conteúdo da publicação
Chamas por Lenore em pranto,
sob o frio do alvorecer;
mas teu grito é só um canto
que o abismo faz morrer.
Ela habita além do sonho,
onde a luz já se extinguiu;
seu olhar, outrora risonho,
no silêncio se fundiu.
“Volta, anjo!”, clamas triste,
mas eu, corvo, hei de insistir;
nada resta do que existe.
No escuro a se expandir,
sombras guardam seu sorriso,
Nunca Mais há de florir.
Thoughts
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PermalinkMeu, que jeito de encerrar um poema. Deixa a gente cansada de tanto preto. Amei!
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PermalinkTem a marca do Poe aqui, mas é seu mesmo. A forma como a gente sente o corvo insistindo é só sua.
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PermalinkLenore ficou perfeita aí. A gente sente o peso de quem insiste em chamar por alguém que já não tá.
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PermalinkParece que você tá escrevendo pra conseguir virar a página e ao mesmo tempo grudada nela. Porque a gente não larga fácil quem se foi.
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PermalinkO que chama atenção é esse giro pra quem tá do outro lado chamando. "Ela habita além do sonho" e a gente fixa ali, naquele espaço entre o grito e a morte dele mesmo. Lenore virou mais um conceito que um corpo. A gente tá lendo a negação da volta.
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PermalinkO corvo vai ficar insistindo mesmo, né. Bem vindo Poe à língua portuguesa! :)
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PermalinkQue escuro 🖤
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PermalinkTem uma coisa em ver alguém chamar por Lenore em pranto e saber que a resposta que vem é só o silêncio expandindo. Isso aqui é pesado de um jeito que faz sentido.
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PermalinkAquela parte do "corvo, hei de insistir": a gente sabe exatamente esse tipo de tristeza que não cede.
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