Existe um desejo
que não pede para ser vivido.
Apenas existe.
Silencioso,
teimoso,
como uma chama
que aprendeu a queimar
sem fazer fumaça.
É estranho
querer alcançar
uma flor
que já pertence a outro jardim.
Então me resta
o impossível:
guardar as mãos,
calar os impulsos
e transformar
o que nunca poderei tocar
em poesia.