O pássaro se pergunta o que lhe falta. Ele parece azul como os outros, tão preso quanto todos, mas, no fundo, sabe: há algo ausente. Falta-lhe o canto que nunca conseguiu emitir, falta-lhe a verdade que insiste em esconder.
Ele quer sair da gaiola. Quer cantar de verdade, sem medo, sem hesitação. Mas simplesmente não consegue. Tenta inúmeras vezes — e, em todas elas, é ignorado ou rejeitado.
Ele não canta bem o suficiente?
Não é azul o bastante?
Qual é o problema desse pássaro idiota?
Por que ele não consegue ser como os outros?
Talvez nunca descubra o que lhe falta. Talvez esteja apenas quebrado pela vida na gaiola...
Gaiola.
É isso.
A maldita trama — uma teia de controle, acusações e ofensas. É ela que o prende, que o sufoca, que o molda.
Mas, então, surge uma chance.
Ele vai conseguir. Vai se encaixar. Vai cantar tão lindamente quanto os outros.
Com esforço, ele rasga um pedaço da trama. Por um breve instante, sente a vida ganhar sentido.
Liberdade.
Mas—
O quê?!
Dois pássaros o impedem.
Não.
Não!
...
Pobre pássaro.
Foi ingênuo ao acreditar que poderia escapar.
Foi um pássaro Tolo.