Por Lucien Vieira | 26 de fevereiro de 2026
Aprendi...
A vivência, enfim,
está aí, à porta — nasceu.
Nestes tantos ires e vires,
em que se deu,
quantas e quantas vezes
fui e revivi?
Sou resquício, portanto,
de outros e outros
que morri.
Sexagésimo segundo ciclo
de maduros exercícios:
o tempo é, além de tudo isso, arte —
Autor, diretor, ator.
Graças às flores,
às ansiedades,
aos desamores,
aos vícios
(gratificantes combinações
de deslumbres e dores),
os pseudodesânimos da mente —
em hipótese, doente —
machucam mais levemente,
contrastando com os fardos
de antigamente.
O silêncio tornou-se
um sábio discurso inteligente,
assim como também
um revide articulado — paciente.
Aprender, aprender sempre,
sem parar,
faz viver — é devir.
Ser ou não ser
significa tudo
ou meramente nada;
é uma questão única, subjetiva,
tão-somente um fruto do compreender.
Esse é, se assim o desejo for,
o compasso natural
das muitas caminhadas.
Logo,
quando eu for sem vir,
de lá acenarei resignado, feliz;
saberei sorrir.
Poesia reflexivo-filosófica (existencial).
... um poema de maturidade existencial, em que o eu lírico demonstra ter internalizado a pedagogia do tempo como método de lapidação do ser. A dor não desaparece — ela é reconfigurada. O silêncio não cala — ele fala melhor. E a morte não ameaça — ela é compreendida.