Ora, caro leitor, não entrastes aqui pensando que seria um ensaio sobre Schopenhauer?
Bom, parte de uma premissa que este popularizou, mas observe que o único momento em que o citarei aqui está nesse início.
Bom, noutro dia, escrevi um ensaio sobre o desejo romântico; por pensar demais sobre aquele texto é que estou escrevendo este.
Começo agora, caro leitor, com uma questão: o prazer de desejar está na conquista do objeto desejado ou está no desejo em si?
És capaz de responder?
Se você responde que está na conquista do objeto desejado, então por que o ser humano nunca está satisfeito com suas conquistas e sempre, após conquistar um desejo, quase que imediatamente busca por outro?
Se você responde que o prazer está em desejar, então por que buscamos alcançar o que desejamos?
Por que não moramos no prazer de desejar?
Por que temos ânsia de acabar com algo que é tão prazeroso?
Mas toda espécie de desejo, se não dada a atenção devida, não tende a se esvair?
Você responderia com “sim” ou “não”? Ou os dois?
Não espere por respostas minhas; este texto tem como ideia habitar a dúvida. Me permite que eu faça isso?
Por que queremos uma resposta para tudo?
A vida não é mais interessante quando é vivida na dúvida?
Não é a dúvida que nos leva a reflexões maravilhosas como esta?
E eu, ao negar uma resposta, não deixo você desejando uma? Não estou explorando justamente o que eu proponho no texto?
Se você obtivesse uma resposta “lógica” para essa questão, não acabaria com o prazer que o desejo da resposta traz e, por conseguinte, com o meu texto?
Mas retomemos, estou me perdendo.
“Mas não é o desejo que nos move?
Não é o desejo que nos faz seguir em frente?”
Você considera isso uma defesa para qual das questões que eu lhe trouxe?
Você acha isso interessante, caro leitor?
Ou acha engraçado? Você acha engraçado também que eu tenha começado este texto com “caro leitor”, como se, de fato, houvesse alguém lendo isso?
Ora, me deixe em paz.