Viver é diferente de estar viva.
Eu demorei para entender isso.
Porque, por muito tempo, eu estava aqui. Acordava, respirava, fazia o que precisava ser feito… mas alguma coisa dentro de mim tinha parado.
Tantas coisas aconteceram que eu fui murchando para o mundo. Fui perdendo a vontade de sentir, de me entregar, de acreditar que ainda existiam coisas bonitas esperando por mim.
Eu me fechei. Fiquei distante. E, aos poucos, fui me acostumando com a minha própria ausência.
Até que, no meio de tudo isso, alguma coisa mudou.
Uma cor apareceu onde eu só enxergava cinza. Um sentimento atravessou aquilo que eu tinha construído para não sentir. E, por alguns instantes, eu me reconheci novamente.
Fazia tanto tempo que eu não me sentia viva.
E foi assustador. Foi bonito. Foi intenso.
Porque eu tinha esquecido como era sentir alguma coisa de verdade.
Talvez eu ainda esteja aprendendo a voltar para mim. Talvez algumas partes minhas ainda estejam murchas, esperando pelo tempo certo para florescer.
Mas agora eu sei:
eu não quero apenas existir.
Quero sentir o mundo. Quero rir sem pensar no depois. Quero me emocionar. Quero amar. Quero me perder e me encontrar quantas vezes forem necessárias.
Porque estar viva é respirar.
Mas viver…
viver é quando alguma coisa dentro da gente volta a acender.
E depois de tanto tempo no escuro, eu finalmente vi uma cor novamente.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu gostei de estar aqui.