Havia um sinal em suas mãos de gelo
E seus lábios fechavam-se como selo
Ela, gelo, e eu, febril
Nenhum portal se abriu.
Envolta em dourado, ela era cadeado
E eu em chamas, estava afogado
Seu rosto, uma folha em branco
E meu coração andava manco.
De apanhar, sem um instante cessar
Por veredas de terra e por águas do mar
Ambos negando qualquer refúgio
Eu invejava os animais do dilúvio
-Pois tinham com quem caminhar!
Porém o meu contentamento é este :
Dia após dia observo a página que vira,
E de súbito, soa sua voz doce de lira
Agrilhoado naquela cabeleira amarela
Amo com mais ímpeto a minha cela.