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Renúncias de Escritor

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O curso de escrita do Senac - com aúdios claramente narrados por uma IA - me sugeriu escrever a respeito de Rebeca Andrade e sua trajetória no esporte, suas dificuldades , especifidades, e…

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O curso de escrita do Senac - com aúdios claramente narrados por uma IA - me sugeriu escrever a respeito de Rebeca Andrade e sua trajetória no esporte, suas dificuldades , especifidades, e compará-las às de outras atletas mulheres. Roteiro entregue. Comparar atletas a atletas. Bem, essa abordagem parece ser incrivelmente válida, uma vez que, para entender um atleta, nada melhor do que compará-lo a outros esportistas. Meu interesse, porém, não reside em atletas. Encontro-me fascinado pelo mundo da escrita e, modestamente, seria-me de grande valia encontrar semelhanças ou dessemelhanças que unam ou separem escritores em seu ofício, que os levem a percorrer caminhos semelhantes ou díspares em suas escolhas conteudísticas e estéticas. Com essas poucas palavras, meu único propósito era escrever sobre as variadas renúncias que são aconselháveis ao ofício - se é que pode-se usar essa terminologia para referir-se ao universo dos escritores-, mas as palavras iniciais não foram de todo inúteis. Penso que uma das maiores obstruções ao caminho do escritor é o desejo de se tornar aclamado, ou, vulgarmente falando, famoso. Toda escrita parte de uma motivação, e, se ela for deletéria, todo o processo será comprometido, pois a ânsia por ganhar notoriedade corromperá a "pureza" exigida pelo processo. A palavra processo, nos dias atuais, é por vezes mal interpretada. Escrita é uma dessas coisas às quais se pode atribuir o rótulo PROCESSO, especialmente no sentido de que aquele que escreve passa por um. Escrita significa transformação pessoal, e nenhum escritor, amador ou profissional, encontra-se isento de tão dolorosa transformação. Digo isso porque acredito que escrita trata-se de transmitir uma mensagem fielmente, portanto, a escrita verdadeira foge ao objetivo grosseiro do convencimento, isto é, convencer o leitor, levando em consideração a persuasão como produto final. A persuasão, obviamente, não é descartada, mas segue critérios éticos e, por diversas vezes, estéticos, rígidos. Quem escreve, longe de almejar simplesmente convencer, valoriza grandemente o processo. Mas além da motivação, o que foi dito até aqui tem a ver com renunciar algo? É precisamente isso que eu venho tentando dizer, mas por alguma razão, me reservei a narrar razões e disposições interiores, e não renúncias no sentido físico. Quando estava prestes a iniciar esse texto, me propus a comecar por renúncias completamente diferentes das apresentadas até agora. As que me vieram à mente foram da seguinte ordem : abrir mão da maioria das situações de convívio social, exceto aquelas essencialmente necessárias - uma definição um pouco vaga, não? -, dedicar horas a fio à leitura, não só àquela que se dá por fruição, bem como à leitura para fins críticos, escrever diariamente em detrimento de atividades "desprestensiosas" e "descomprometidas", além de usar interações e diálogos como experimentos de escrita sempre que possível, comparar minha rotina à de grandes e renomados escritores, e por aí vai. Suponho que a única parte que eu entendi foi a da motivação!

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