Osso
Apenas sou leito.
Sou tumba.
Sou tantas memórias,
sou tantos traumas.
Sou a lenda,
disco Nirvana.
São passagens,
são viagens,
são trens
sem parar.
Mas sempre há um ponto final,
como destino trágico,
como veneno,
amargura, lástima.
Cria dores de parto,
como meu espírito grita,
como ventos da floresta.
Animais fogem.
Grita. Ele foge
do próprio espírito,
como hospício,
como manicômio.
Guerra,
como assassinato tão insano
de lembranças.
Como não há alegria,
nem esperança.
Somente o tempo.
Que os ossos já não serão ossos,
mas vermes
dos próprios pecados.
A terra come o silêncio.
Osso para tornar-se
pó.
Mas só o pó acalma a alma.
Mas só o vento
leva o pó.
Ainda não há paz,
e sim grande tormento,
como o inferno.
Grita por justiça,
por lamento.
Há deserto sem resposta,
mas um mundo em ossos
chora por justiça,
salvação do espírito.
Como amor que chora,
viúva sem paz,
apenas solidão,
de destino tão corrupto.
Quanta política e nação...
Apenas um problema
que nunca acha solução.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho