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Eloquencia da Fome - Parte 3

aleroz
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— Liberdade não enche barriga, Render... Ela é abstrata. Não traz pão à mesa, não cura feridas, não traz segurança. Todos querem essa fé da liberdade. Comparam felicidade com liberdade. Todos, fora…

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— Liberdade não enche barriga, Render... Ela é abstrata. Não traz pão à mesa, não cura feridas, não traz segurança. Todos querem essa fé da liberdade. Comparam felicidade com liberdade. Todos, fora de Ceres, pagam para ter liberdade e acham justo isso. Vejam as nações que têm pessoas com muito poder e poder financeiro, e ainda querem mais. Elas não querem nada além de poder para testar a própria liberdade: até que limite é permitido mudar o mundo? E quanto mais perverso for o plano de mudar o mundo... não é mudar o mundo.

Respeito o credo de todos: deuses e deusas, criadores de mundos e do próprio universo. Se eles mesmos tentaram mudar o mundo e tiveram a humildade de reconhecer que não conseguiram... então existe o ser humano, que acha que pode mudar o mundo com seu poder.

Eu desejo boa sorte.

Eu fiz isso com água, comida, um lar e um propósito. A liberdade como enfeite, para lembrar o que ela faz quando não temos liberdade: a responsabilidade que a alimenta.

A liberdade morreu de fome de responsabilidade. Seu cadáver está intacto e fede a caos, para lembrar que a fome afeta até a liberdade.

Neste instante, o sistema de renovação do ar da sala é acionado. Ao fundo, a cidade de Ceres está iluminada pelas luzes de LED. As ruas, vazias e limpas. Com a renovação do ar, começa-se a ouvir o burburinho da cidade: trens lotados de grãos, tratores agrícolas, bombas d’água da irrigação...

O áudio vaza para todo o continente.

Todos ficam estupefatos com a eficiência. A cidade parece um relógio vivo, funcionando com precisão. Um lugar onde a fome não mora, enquanto a liberdade chora por seu próprio corpo — e esse corpo está ali: a responsabilidade.

— Neste instante... este som me dá forças todos os dias. Trabalhamos e trocamos nossa fé por suportar. Aqui, são as máquinas que rezam, e nós operamos o milagre todos os dias.

Com o fundo à mostra, como se fosse um milagre, surge uma estrela brilhante.

Não era uma estrela.

Era a estação espacial CERES II, surgindo contra o sol, com suas luzes artificiais brilhando.

Nada daquilo estava programado.

Mãe Ceres percebe. Olha para a câmera.

Uma lágrima escorre.

Ela viu aquilo como um milagre. Pelos fones de ouvido, captava o som daquele momento — algo que, para Ceres, era a coisa mais natural do mundo, mas que, diante do continente, parecia impressionante.

— Ah... isso... desculpem, meus filhos. É só a Ceres II. É só uma estação espacial que controla nossas máquinas agrícolas.

O mundo assiste à cena.

Render fica de queixo caído.

Mãe Ceres não consegue controlar a narrativa.

Em Omni Opus, a nação que caiu diante do milagre de Mãe Ceres se ajoelha novamente ao ver aquilo, ao vivo.

Mãe Ceres é canonizada justamente no país onde era mais odiada e que agora prospera por meio de acordos econômicos com Ceres.

Mãe Ceres fica preocupada com a cena. Para ela, aquilo é normal. Uma coisa que, diante do mundo, definitivamente não é.

Render teve sua pergunta respondida por Mãe Ceres, por Ceres e pela própria natureza de Ceres.

Koee chora baixinho.

Amós sorri, cínico e arrogante.

Ysa, orgulhosa, abre um belo sorriso.

Thoughts

  • Ovid

    Uma estação espacial a aparecer sem estar programada e a virar o rumo de um continente em direto, isso ficou-me desta parte 3. Aposto que a Ceres II vai pesar mais nas próximas partes do que o discurso todo da Mãe Ceres, e que o Amós sabe alguma coisa que nós ainda não sabemos. Gostei muito de voltar a Ceres, @aleroz. Fico à espera da parte 4!

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  • mariinha

    Vixe, a estrela que nao era estrela, minha avo mandou repetir esse pedaco quando li pra ela. ela ficou do lado da mae ceres, eu nao sei

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