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Estou escrevendo umaa historia de fantasia/sobrenatural

Silva
Pensamento

Pensamento

conto84

Li de novo o abraço do Leônidas no Peter e só aí eu entendi o irmão que vigiava a Sara de longe esses anos todos. Ele achava que um humano não daria conta, e no fim agradece justamente o humano. Aposto que o jantar vai ter a Liz chorando de novo e o Mark

Li de novo o abraço do Leônidas no Peter e só aí eu entendi o irmão que vigiava a Sara de longe esses anos todos. Ele achava que um humano não daria conta, e no fim agradece justamente o humano. Aposto que o jantar vai ter a Liz chorando de novo e o Mark estragando o clima com alguma tirada dele, do jeito que ele fez com o Jonas.

Conteúdo da publicação

Continuação direta dos capítulos 10 e 11: https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-umaa-historia-de-fantasiasobrenatural-CD0OBmwGrLCe/conversations

Capítulo 12 – Laços


— Jonas…


— Sim?


— Existem muitos dragões nesse lugar para onde estamos indo?


— Muitos deles. É quase como uma fazenda.


— Uooooou! Demais!


— Mal vejo a hora de chegar.


Mark estava superanimado, e Jonas ficou cativado pela sua alegria.


— Eles devem ser tão incríveis.


— Sim. São majestosos.


— Aaah… aahh.


— Chega por hoje. Fizemos um grande avanço, Sara.


— Obrigada… estou exausta.


— Não luto assim há anos.


Leônidas permaneceu em silêncio por alguns instantes.


— A vida comum fez bem a você.


Sara arregalou os olhos, surpresa. Não esperava ouvir aquilo do irmão que sempre quis tê-la por perto.


— Você… acha?


— É claro. Antes você era toda rabugenta, nervosinha.


— Grrgh.


Uma veia saltou na testa de Sara.


— Mas, vendo como você é com o Mark e o modo como ele foi criado, eu vejo o quanto você se dedicou.


As palavras de Leônidas deram conforto a Sara.


— E não só você. Peter… aquele cara é demais.


— Você nem conhece ele. Como pode ter essa percepção?


— Durante anos, eu “protegi” vocês, Sara.


Sara ficou confusa. Não havia entendido o que Leônidas quis dizer.


— Como assim? — perguntou Sara.


— Durante anos, eu presenciei a vida de vocês. Observava de longe. Não porque eu queria controlar você. Eu queria ter certeza de que você estava segura.


— Eu precisava ter certeza. E, quando vi você se casando com o Peter, um humano, achei que ele não conseguiria proteger você… Como eu estava errado.


— O que eu vi aquele homem fazer por você, eu nunca vi nada parecido por aqui.


— Eu sabia que, mesmo se ele tivesse que lutar contra um inimigo que não consegue ver, ele o faria sem hesitar. E isso é uma tremenda qualidade dele. O Mark tem essa mesma qualidade. Pegou o melhor de vocês dois.


— Leônidas…


Sara estava emocionada ao ouvir as palavras do irmão. Não havia mais nada a fazer além de… abraçá-lo.


Durante aquele abraço, em lágrimas, Leônidas disse a Sara:


— Era assim que nossa família devia ter sido.


Sara ficou abalada. Ambos começaram a chorar.


— O que o papai fez comigo doeu muito…


A voz de Leônidas falhou.


— Ele tentou me matar de verdade, Sara.


As lágrimas escorriam por seu rosto.


— E por quê?


Ele fechou os olhos.


— Por que eu o amava?


— Ou era simplesmente porque eu pensava diferente dele?


— Eu sinto que fracassei, Sara.


— Não, você não fracassou.


Sara o abraçou ainda mais forte.


— Você sobreviveu.


— Você protegeu pessoas.


— Você continuou seguindo em frente.


— O fracasso do papai não foi você.


— Foi ele.


Os dois permaneceram em silêncio. Aquele era o abraço que haviam esperado durante anos. Naquele momento, os dois queriam passar o resto da vida ali.


Encontraram, por um momento, a paz.


— Sara, eu sinto muito se pressionei você demais antes. A sua decisão era o melhor para você e, mesmo assim, eu queria o que fosse melhor para mim. Queria você e a Liz aqui. Eu fui muito egoísta. Desculpe-me.


— Está tudo bem… Pode aliviar sua dor. Eu estou aqui para você.


— Dragões… finalmente vou ver dragões.


— Jonas, como eles são? Eles são grandes?


— Sim. Alguns são enormes.


A expectativa de Mark aumentava exponencialmente.


— No seu mundo não existem dragões, Mark?


— O quê? Não. Dragões são criaturas místicas.


— Hmm… místicas?


Jonas não havia entendido o que Mark quis dizer. Então, os dois seguiram para a “fazenda de dragões”.


— Estamos quase chegando, Mark.


— LEGAAAAAL!


— E eles cospem fogo? Hã? Hã?


Jonas parou para pensar. Franziu a testa.


— Hmmm… pensando bem, eu nunca vi nenhum deles fazer isso. Eu vejo eles mostrarem a língua várias vezes, mas fogo? Hmm… Talvez quando eu não estivesse por perto alguns deles tenham feito. Não sei ao certo.


Mark continuava interessado nos dragões.


— Mostravam a língua? Elas devem ser enormes.


Mark arregalou os olhos, assustado.


Jonas respondeu imediatamente:


— A língua deles é grande mesmo.


— Hmmm… e eles voam?


Jonas pensou por alguns segundos.


— Eu nunca vi nenhum voar, mas já vi eles escalarem… e eles são ótimos nisso.


— Escalar?


Mark pareceu confuso.


A cabeça de Mark estava funcionando em uma rotação incrível. Parecia até que fumaça estava saindo de sua cabeça.


“Hmm… ele nunca os viu voar. Será que são dragões sem asas? Funcionaria como uma montaria? E a língua… ele disse que elas são enormes. Será que prendem os inimigos com ela? Isso seria fantástico… E as cores… quais serão suas cores?”


— Mark? Mark? MARK!


— Oi! Sim, desculpa. O que foi?


— Você está bem? Parece que se desligou do mundo…


Mark sorriu.


— Haha, estava pensando. Eu tenho mais uma pergunta.


Jonas estava feliz. Mark parecia uma criança louca para chegar ao parque de diversões.


— Qual a sua dúvida?


— Quais cores eles têm?


Jonas parou, colocou a mão no queixo e pensou.


“Hmm… eles têm algumas cores diferentes. Talvez cinza e alguns verdes.”


— Ao que me recordo, alguns são cinzas… e outros, verdes.


— Nenhum vermelho?


Questionou Mark.


— Eu nunca vi um vermelho.


— Você está pronto, Mark?


— SIIIIIIM!


— Preparado para ver a criatura mais incrível da sua vida?


— SIIIIIM!


— Então, ali está a fazenda de dragões.


Jonas apontou em direção ao campo.


— Uooooo!


— Vai ser agora… DRAGÃOOOOOO!


— Ué…


Mark estava confuso. Começou a procurar os dragões.


— Cadê? Onde? Eu não estou enxergando! Eu não consigo ver! AAAAAAAAAA!


— O que você está fazendo, Mark?


Os olhos de Mark estavam cheios de lágrimas.


— Estou… procurando os dragões.


— Estão bem ali!


Jonas apontou.


A sobrancelha de Mark começou a tremer.


— Eu… eu continuo não vendo nada.


— HÃ? Está bem ali.


Jonas apontou novamente.


— Eu não consigo enxergar… Será que é porque é uma criatura mística?


Mark estava desapontado.


Jonas então segurou o rosto de Mark e o direcionou para o dragão.


O animal estava mostrando a língua para eles.


Choque de realidade.


— Jonas…


— Sim?


— O que isso significa?


— Como assim?


— Você… me prometeu um dragão.


Jonas permaneceu em silêncio por alguns segundos.


— Hmm… sim. E eu te entreguei.


— Isso não é um dragão.


Veias saltaram na testa de Mark.


— Claro que é.


— Não chega nem perto.


— E o que é isso então, Mark?


— ISSO É UM DRAGÃO-DE-KOMODO, SEU IDIOTA!


— Viu o que você acabou de falar que ele é?


— Hã? Dragão-de-komodo?


— Então eu cumpri o que prometi.


Mark desabou em frustração.


— Eu… eu te odeio, Jonas.


Capítulo 13 – A volta para casa


— Olha, eles voltaram.


— O que será que aconteceu para o Mark estar tão cabisbaixo?


— Não faço ideia. Ele nunca fica assim.


— O que aconteceu, filho?


Mark continuava desapontado.


— Ele me prometeu um dragão…


Sara rapidamente questionou:


— Dragão?


— Sim — respondeu Jonas.


— Como assim? Vocês foram atrás dos dragões?


— Sim, e ele me mostrou um… um dragão-de-komodo, mãe. Aaaaaaaaaaaa!


Sara respirou aliviada.


— Ah, agora eu entendi…


“Ainda bem que só viu um dragão-de-komodo. Se ele visse um de verdade, ficaria maluco.”


Pensou Sara.


— Mark, hoje iremos para casa, então se arrume e fique pronto.


Mark estranhou.


— Já? Eu queria ficar mais tempo.


Mark estava desapontado, mas, ao mesmo tempo, feliz.


— Mas isso não é o fim do mundo. Eu posso voltar mais vezes, não é, tio?


Leônidas sentiu, pela primeira vez, que, ao ser chamado de tio, não havia ironia nas palavras de Mark.


— Sim, Mark. Você sempre será bem-vindo. Os dois sempre serão bem-vindos.


— Nós sabemos, meu irmão — respondeu Sara.


Algumas horas depois.


— Mark, está na hora — disse Sara.


— Sim, vamos.


Enquanto Sara abria o Véu, a passagem entre os dois mundos, uma voz ecoou:


— Espera.


— Eu… eu posso ir com vocês, Sara?


Sara permaneceu imóvel, surpresa.


— É claro que pode, Leônidas. Eu adoraria que você fosse.


— É, tio. Seria ótimo passar mais tempo com você.


Leônidas sentiu um alívio, um aconchego.


— Obrigado, aos dois.


Ao chegarem em casa, Sara ouviu o carro entrando na garagem.


— Chegamos a tempo. Peter acabou de chegar.


— Finalmente vai conhecê-lo, seu cunhado.


Sara riu.


— Hmm… você parece meio nervoso, tio. Está tudo bem?


Mark percebeu que havia algo errado com Leônidas.


— O-q… que? Nervoso… eu? Eu sou um guerreiro, nunca fico…


Leônidas respirou fundo.


— Eu estou apavorado. O que eu faço?


Mark e Sara riram.


— Seja apenas você. Peter sabe quem você é… ele só nunca o viu. Então fique tranquilo.


Leônidas se surpreendeu.


— Ele… sabe sobre mim? — questionou.


— Sim. Peter sabe sobre você e algumas coisas sobre o nosso mundo.


Sara olhou para Leônidas e continuou:


— Peter é compreensivo. Ele nunca pressionou sobre o passado. Sempre esteve focado no futuro.


Mark abriu um enorme sorriso.


— E, como você pode ver, o futuro está bem na sua frente. Ele é brincalhão e tem dezessete anos.


— Primeiro, você tem que tirar essa roupa. Esse lobo vai assustá-lo.


— A mamãe tem razão.


— É… tá. Eu preciso de algumas roupas, então vou fazer o seguinte: a casa da Liz é muito longe daqui?


— Não… é bem perto. Você quer que eu te acompanhe até a casa da tia Liz?


Leônidas se sentiu aliviado.


— Seria ótimo.


— Então vamos. Vamos sair pelos fundos para não assustar o papai.


— Certo.


Leônidas concordava que sua aparência poderia assustar Peter.


Eles partiram para a casa de Liz.


— Mark!


— Sim?


— Como você enxerga as coisas agora? Sua vida virou de cabeça para baixo.


Leônidas fez uma pausa.


— É um fardo grande para um garoto de apenas dezessete anos.


Mark não havia entendido completamente o sentido da pergunta.


— Hmmm… no começo eu achei tudo bem confuso. Principalmente quando comecei a suspeitar que minha mãe fosse algum tipo de heroína.


— Como assim? — questionou Leônidas.


— Quando você apareceu pela primeira vez, uma infestação atacou. Foi quando você me ensinou o que era uma infestação.


— Eu me lembro disso. Continue.


— Algumas semanas depois, eu senti uma energia. A princípio, pensei que fosse uma infestação. E eu não estava errado.


— Como assim? — Leônidas o questionou novamente.


— Uma infestação surgiu naquele dia. Eu ainda não sabia, mas ela havia surgido para atacar minha mãe.


— Entendo — respondeu Leônidas.


— E você correu até aqui para salvar sua mãe?


Leônidas queria entender melhor a situação.


— Não necessariamente — respondeu Mark.


— Eu não entendi — disse Leônidas.


Mark parou por um momento e olhou para o céu, admirando as estrelas.


— No momento em que saí de casa, eu não sabia quem estava correndo perigo. Meu primeiro pensamento foi: “Alguém está em perigo. Eu preciso ajudar. E, logo depois, se minha mãe descobrir que eu não estou em casa, eu estou morto.”


Leônidas sorriu discretamente.


— Eu não hesitei em vir salvar a pessoa. Quando cheguei aqui, foi quando vi uma mulher com um arco majestoso.


Mark fez uma pequena pausa.


— Naquele dia, eu pensei: “Era a minha mãe? Não faz sentido.” Eu fiquei em choque. Nada daquilo fazia sentido. Então, quando cheguei em casa, minha mãe estava lá, de roupão e com sono.


— E, por um momento, eu fiquei aliviado, pois não queria que ela corresse esse tipo de perigo.


— Mark…


Leônidas estava admirado.


— Quando aquela moça surgiu, Thayen, mamãe me protegeu. Ela tentava ao máximo esconder suas habilidades para me manter seguro. Até que não teve escolha e precisou manifestar novamente o arco. Naquela hora, todas as perguntas que eu tinha finalmente encontraram uma resposta.


Mark abaixou o olhar.


— E quando percebi que a ameaça era real, que minha mãe poderia ser morta… eu não pensei duas vezes. Entrei na frente dela. Eu não ligaria se ela me matasse, contanto que minha mãe estivesse viva.


— Eu não suportaria ver a morte dela. E o mesmo vale para ela. Ela não suportaria me perder. E, de certa forma, foi isso que nos deu forças para vencer.


Leônidas ficou em silêncio por alguns segundos.


“Esse garoto… ele é fantástico.”


Pensou Leônidas.


— Chegamos. Vamos entrar?


— Vamos — respondeu Leônidas.


— Toc! Toc! Tia, sou eu, o Mark.


Liz veio correndo em direção à porta, feliz por ver novamente o sobrinho.


— Maaaaark! Que saudade que eu estava de você, garoto!


Liz deu um abraço em Mark.


— Eu também estava com saudades, tia.


Enquanto Liz e Mark permaneciam abraçados, Leônidas observava. Sua irmã estava tão feliz.


— Você parece muito bem, Liz.


Liz congelou.


— Essa…


Sua voz falhou.


— Essa… voz!? Leônidas?


— Como você está, minha ir—


Antes mesmo de concluir sua frase, Leônidas foi interrompido por um abraço apertado.


— Eu… eu senti tanto a sua falta, meu irmão.


Leônidas apertou ainda mais o abraço.


— Não teve um dia em que eu não pensei em você, Liz.


Mark observava aquele momento, imaginando o quanto sua mãe e seus tios haviam sofrido.


Então, o alívio tomou conta de seu coração, quase como a sensação de um “dever cumprido”.


— Tia, nós viemos até aqui para fazer dois pedidos.


Liz estranhou.


— Dois pedidos? — questionou.


— Sim… O primeiro: quer que você venha com a gente até a minha casa. Vamos fazer um jantar em família.


— O segundo…


Liz ficou atenta ao pedido de Mark.


— Tem alguma roupa do tio Jeff para emprestar para esse bruta-montes? As minhas roupas não servem nele. E, se ele chegar assim, com esse lobo nos ombros, vai matar meu pai do coração. Aaaaa, estou sem ar!


Liz e Leônidas caíram na risada.


— Sim, para os dois pedidos. Eu tenho algumas roupas que eram do Jeff. E vou para o jantar com vocês.


— Obrigada pelo convite.


— Nós que agradecemos pela sua presença.


Mark olhou para Leônidas.


— Viu? Agora está muuuuuito melhor sem aquele lobo assustador.


— Ele te assusta, Mark?


— Claro! Aqueles olhos… aiii! Parecem até estar me seguindo.


— Haha. Vocês dois são muito parecidos.


— É o quê? — responderam imediatamente.


— Haha, nada. Vamos.


— Certo.


Chegando à casa de Mark, Leônidas estava apreensivo.


— Tio, fique tranquilo. Ele vai adorar você.


— É, Leônidas. O Peter é um cara superlegal.


— Primeiro, vamos entrar eu e a tia Liz. Depois você entra, certo?


— Certo.


— Oi, pai — disse Mark.


— Oi, meu filho. Como você está?


— Eu estou ótimo. E o senhor? E o braço?


— Eu estou bem. O braço está melhor do que nunca.


— Liz… quanto tempo! Você devia aparecer mais vezes.


Peter deu um abraço na cunhada.


Então, Peter estranhou algo.


— Mark, por que você não fechou a porta?


— Porque tem mais uma pessoa para entrar.


Mark olhou para trás.


— Pode entrar.


Leônidas entrou pela porta. Peter logo o reconheceu.


— Boa noite, eu sou—


Antes mesmo que ele terminasse de falar, Peter o interrompeu:


— Muito prazer. Você é Leônidas, não é? Ouvi muito sobre você.


Peter estendeu a mão para cumprimentá-lo.


Leônidas não se conteve e o abraçou.


Todos ficaram surpresos, inclusive Peter.


— Obrigado — disse Leônidas, com a voz trêmula.


Peter não entendeu.


— Obrigado? Pelo quê?


Leônidas respirou fundo.


— Por ter protegido minha irmã quando eu não pude.


Ele apertou o abraço.


— O que eu vou falar pode parecer estranho, mas eu “conheço” você há anos. Eu estive sempre por perto. Eu tinha medo de que algo acontecesse com a minha irmã, mas agora eu sei… que, dentre todas as pessoas deste mundo, ela se casou com o melhor.


Peter ficou em silêncio por um instante.


Então, colocou a mão sobre o ombro de Leônidas.


— Fique tranquilo, Leônidas… você está em casa.


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