Continuação direta dos capítulos 3 e 4. : https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-uma-historia-de-fantasiasobrenatural-IAErLaNSJkKs?sv_s=257w6urdp6ex
Gostaria da opinião após a leitura, obrigado.
Capítulo 05 – O Conflito
Alguns dias se passaram desde que Mark pensou ter visto sua mãe lutando contra uma infestação.
Após aquele acontecimento, começou a observar com mais atenção as coisas que aconteciam com sua família, com a intenção de protegê-los, como um lobo alfa e sua alcateia.
Vendo que sua família parecia extremamente normal, Mark se permitiu relaxar.
— Mãe? Vamos ao shopping?
— Claro. Adorei essa ideia.
— Peter, vem com a gente?
— Claro, amor.
— Todos a bordo?
— Sim! — responderam Sara e Mark.
Enquanto passavam pela avenida, Mark avistou um homem com um olhar sério. Seu semblante era de um guerreiro nato. Tinha quase dois metros de altura e estava envolto em um grande manto.
— Que cara estranho… — disse Mark.
— Quem? Não estou vendo — respondeu Peter.
— Aquele car—
— Tharok?! — gritou Sara.
— O que você disse, mãe?
Sara, desesperada para esconder o que acabara de revelar, respondeu rapidamente:
— Um cachorro. Devíamos adotar um cachorro e colocar o nome dele de Tharok.
Peter a encarou, confuso.
— De onde você tirou essa ideia, querida?
— É que passamos em frente a um pet shop e essa ideia surgiu.
— Você nunca quis um cachorro. O que mudou?
— Ah, sei lá… Agora que o Mark não é mais criança, a casa precisa de um pouco mais de alegria infantil.
Peter pensou por alguns segundos.
— Certo. Vamos adotar um cachorro.
— Eba! — disse Mark, entusiasmado.
— Um husky? Por que escolheu um husky, Mark? — perguntou Peter.
— Porque ele é lindo, pai. Você não acha? — respondeu Mark.
— Sim, ele é lindo. O que você acha, querida?
Um silêncio quase ensurdecedor pairou na sala.
— Querida?
— Oi?
— Está tudo bem?
— Sim, eu estou bem.
— E o cachorro? O que você acha?
— Tá, tá… cachorro. Pega.
— Mãe, o que está acontecendo? Você estava tão entusiasmada.
Sara percebeu que Mark havia notado algo diferente em seu comportamento.
— Ai, que coisa mais linda! Deixa eu pegar ele.
Sara mudou completamente sua postura, com a intenção de disfarçar o que havia acontecido.
— Que nome vocês gostariam de dar para o cachorrinho? Para podermos fazer a coleira.
— Tharok! — disse Mark, animado.
— Tharok? Que nome mais estranho, haha! — brincou a atendente.
— É um nome único. Significa “aquele que persiste” — disse Sara.
— Uauuu! — Mark ficou incrivelmente surpreso.
— Aqui está a coleira.
— Obrigado — disseram todos.
— Será que vamos poder entrar no shopping com ele?
— Sim. Tem acessórios para isso.
Priiiim!
— Alô?
— Peter, preciso de você aqui na fábrica. É urgente.
— Pode deixar. Estou a caminho.
— Pessoal, eu preciso ir. Estão precisando de mim na fábrica.
— Ok. Cuidado, querido.
— Tchau, pai.
— Fiquem com o carro. Eu chamo um táxi.
— Certo.
⸻
Horas se passaram, e Mark e Sara voltavam para casa.
Quando, de repente…
Uma enorme energia surgiu.
O tempo parecia não passar.
Mark sentiu aquela presença e, desesperado para tentar ajudar alguém que precisasse de sua ajuda, tentou disfarçar sua apreensão.
Ao mesmo tempo, Sara, que conhecia aquela energia, acelerava com toda a força para chegar logo em casa e manter Mark seguro.
Então…
A energia desapareceu.
— Ufa… — pensou Mark, aliviado.
“O que será que aconteceu? Ela não iria simplesmente aparecer, mostrar sua energia e ir embora.” — pensou Sara, assustada.
BOOM!
Uma enorme nuvem de poeira surgiu, bloqueando completamente a visão de Sara.
Ela tentou desviar o carro, mas acabou batendo contra uma árvore.
— Mark, está tudo bem?
— Mark!
— Ai, mãe… o que aconteceu? A gente bateu o carro. Temos que ir. Rápido!
— Vem. Pega o Tharok.
Uma voz surgiu em meio à poeira.
— Oh… parece que alguém não superou o passado, Sara. Pelo nome desse cão.
— Fique quieta! — gritou Sara.
Ela se colocou à frente de Mark.
— Mark, atrás de mim.
— Claro.
Sara encarou a mulher à sua frente.
— O que você quer aqui?
— Você sabe muito bem o que eu quero, Sara querida.
— Não. Você não vai chegar perto dele.
— Você sabe que eu preciso levá-lo. Não tenho escolha…
Sara cerrou os punhos.
— Se der mais um passo em direção ao meu filho, eu juro, Thayen… você vai pagar.
“O quê? Ela quer a mim? Thayen? De onde minha mãe conhece essa mulher?” — pensou Mark.
Thayen estreitou os olhos.
— Pelo que estou sentindo, Sara… você não é mais aquela guerreira de antes. Posso acabar com você em um piscar de olhos.
— Guerreira? Mãe, do que ela está falando?
Thayen, que antes parecia muito distante, avançou em um instante e ficou cara a cara com Sara.
Ela se aproximou do ouvido de Sara.
— Ele não sabe?
— AAAAA! Suma daqui!
Sara acertou um golpe que lançou Thayen para longe.
— Mark, se esconda. Agora!
— Mãe, eu poss—
— Não! Você só iria me atrapalhar.
“Eu nunca a vi assim… ela está brava.”
— Tá bem. Eu vou me afastar.
Mark se escondeu atrás de uma árvore com o pequeno Tharok.
Thayen se levantou e limpou o sangue que escorria pelo rosto.
— Isso doeu, sua desgraçada.
Ela sorriu.
— Mas a Sara que eu conhecia teria acabado comigo com um golpe. Você está acabada.
— Você fala demais, Thayen. Venha.
As duas começaram a trocar socos.
Thayen analisava Sara a cada golpe, desviando e contra-atacando.
Thayen levava vantagem no confronto.
Seu corpo estava no auge.
BOOM!
— MÃE! — gritou Mark.
— Eu estou bem, fiqu— fique aí.
Thayen encarou Sara.
— Sara, você sabe que, se não manifestar seu arco, vai morrer, não é?
— Já chegaaaaa! — gritou Sara.
— Arco?
Naquele instante, a memória da guerreira do arco de energia emergiu na mente de Mark.
Thayen sorriu.
— Olha o que eu aprendi, minha amiga.
VUMM!
Num instante, uma lança apareceu na mão de Thayen, manifestada a partir de sua energia.
Era uma belíssima lança de cor roxa, repleta de detalhes brancos, quase como se carregasse o próprio universo em sua estrutura.
— O quê? Então você despertou de verdade?
— É o que parece, não é?
“Despertar?” — pensou Mark.
“Aquelas cores… eu já vi aquilo. Elas parecem estar vivas.”
“Sim… em um sonho que eu tive, eu vi exatamente essas cores. Parecia um evento no céu.”
Thayen ergueu a lança.
— Aqui vou eu, Saraaaaaaaa!
— Mãe, cuidado! — gritou Mark.
BOOOOM!
Thayen acertou Sara e a lançou contra uma parede.
— MÃEEEEE!
Thayen caminhou lentamente em sua direção.
— Você conseguiu se esquivar muito bem, Sara.
Tic… Tic… Tic…
Sara olhou para o próprio braço.
“Ela conseguiu acertar meu braço. Ainda bem que foi só de raspão.”
Sara ergueu o olhar.
— Você pediu por isso, Thayen. Não me culpe pelo que acontecerá.
Naquele momento, um forte vento soprou.
Com os cabelos ao vento, Sara finalmente aceitou que não conseguiria esconder mais nada de Mark.
A energia começou a fluir por sua mão esquerda, como se estivesse viva.
VUUUM!
O arco de Sara surgiu.
Mark permaneceu imóvel.
“Realmente era ela… mas como?”
Ele continuava sem entender.
— A partir de agora, eu vou com tudo que eu tenho — disse Sara, determinada.
— Uau… e o que não é muito, né? — provocou Thayen.
— Não vou cair nos seus joguinhos. Aqui vou eu! Aaaaaaaaa!
Sara correu em direção a Thayen, saltou e lançou uma flecha.
Zuuuum!
O som da flecha cortando o ar era ensurdecedor.
Thayen sorriu.
Antes que a flecha atingisse seu rosto, ela a segurou.
A ponta da flecha estava praticamente encostada em seu olho.
— O quê? — disse Sara, sem acreditar.
Thayen retirou lentamente a flecha de diante do rosto.
— Essa flecha teria me matado facilmente.
— Eu te disse, Sara. Eu não sou mais a mesma… e nem você.
Sara sorriu.
Então, com apenas um fluxo adicional de sua energia…
BOOOOOM!
— Sua desgraçada… o que foi isso? — disse Thayen, com algumas partes de suas roupas rasgadas e o braço sangrando.
— O que você achou, Thayen? É a minha flecha explosiva.
— O quê?
“Flecha explosiva? Que incrível…” — pensou Mark.
Sara respirou fundo.
— Eu já estou viva há um bom tempo, Thayen. Tudo o que você está passando, eu já passei. Eu despertei, conquistei e aprimorei minhas habilidades.
Sara ergueu o arco.
— Você ainda tem muito caminho pela frente…
Ela estreitou os olhos.
— Ou tinha.
Thayen avançou.
Seus movimentos haviam mudado completamente.
Sara se esquivava, tentando encontrar uma brecha para contra-atacar.
Thayen acertou um chute na barriga de Sara, empurrando-a para trás.
Em seguida, fincou a ponta da lança no chão.
Com uma acrobacia e um salto, impulsionou-se e acertou um soco no rosto de Sara, lançando-a para longe.
Rapidamente, Thayen retirou a lança do chão e partiu novamente para o ataque.
Enquanto era lançada para longe, Sara disparou uma flecha.
A flecha passou de raspão por Thayen.
— Você não vai me derrotar assim, Saraaaaaaaaa! — gritou Thayen.
BOOOM!
Sara atingiu uma parede.
— AH!
Thayen caminhou em sua direção.
— Sara será derrotada.
Ela ergueu a lança.
— Agora é o seu fim!
— Hm?
Thayen ficou confusa.
Sua lança estava a cerca de um metro de distância de Sara.
— O que aconteceu? — perguntou Thayen.
Sara sorriu, mesmo ofegante.
— Ai… olha para o seu braço.
Thayen lentamente olhou para o próprio braço.
— Mas que—?!
A flecha que havia atingido Thayen criara uma corrente entre ela e o projétil.
— Minha flecha prendeu você. Agora você não consegue me matar.
Thayen começou a lutar ferozmente para se soltar.
— Não adianta. A não ser que eu queira, você nunca vai se soltar — disse Sara, ofegante.
Sara se levantou lentamente.
— E agora… você vai voltar para casa e vai dizer para eles deixarem o Mark fora disso.
POW!
Sara acertou um soco no rosto de Thayen, lançando-a para longe.
Sara permaneceu ofegante.
Suas pernas finalmente cederam, e ela caiu de joelhos.
— Mãe! — gritou Mark.
— E-eu… eu estou bem…
A energia de Sara estava instável.
Fazia anos que ela não lutava daquela maneira.
— Eu venc—
— Você acha que acabou?
Sara arregalou os olhos.
Thayen começou a se levantar.
Naquele momento, o arco de Sara começou a perder força.
“Não… eu estou sem forças?” — pensou Sara.
— Essa não…
Era tarde demais.
Thayen havia conseguido se libertar.
Ela caminhou lentamente em direção a Sara.
— Sara… eu quero te dizer que, apesar de o tempo ter alcançado você, lutou muito bem.
Thayen ergueu a lança.
— Mas é aqui que você morre.
Thayen partiu em direção a Sara.
Mark observou atentamente.
“O quê? Ela está mais lenta?”
Seus olhos acompanharam cada movimento.
“Não… eu consigo prever seus movimentos.”
— AAAAAAA! Morra, Sara!
POW!
Silêncio.
…
Thayen foi interrompida.
— Como você ousa?!
Ela olhou furiosamente para Mark.
— Seu pirralho de merda!
Mark permaneceu diante de sua mãe.
— Como eu ouso?
Ele cerrou os punhos.
— Como você ousa tentar matar a minha mãe?
Mark encarou Thayen.
— Eu não sei quem você é. Eu não sei o que você é.
Sua expressão ficou séria.
— Mas uma coisa eu sei.
Ele se lembrou das palavras de Leônidas.
— A melhor coisa que eu fiz foi seguir o conselho daquele cara.
Mark avançou um passo.
— Foi graças a isso que eu consegui chegar até aqui.
Ele encarou Thayen.
— E agora… eu vou acabar com você.
Sara, olhando para o próprio filho, não conseguia acreditar no poder que havia acabado de testemunhar.
— Mark… o que aconteceu? Do que você está falando? Conselho de quem?
Mark respirou fundo.
— Há muito tempo eu queria te contar, mas não sabia como.
Sara permaneceu imóvel.
— Na noite em que Jhon desmaiou, eu vi uma pessoa. Um homem.
Mark fechou os punhos.
— Aquele homem disse que eu precisava treinar. Que precisava ficar mais forte.
Ele sorriu levemente.
— E ele estava certo.
Mark encarou Thayen.
— Eu não sei de onde ele veio, ou quem ele é…
Uma pausa.
— Mas eu lembro do nome dele.
Os olhos de Mark se estreitaram.
— O nome dele é…
— Leônidas.
Thayen ficou desesperada.
Ela não conseguia acreditar.
“Leônidas… encontrou-se com Mark?”
— Seu fedelho…
Mark olhou para Sara.
— Mãe, deixe isso comigo. Descanse, ok?
— Mark, você nã—
Mark interrompeu Sara.
— Fique tranquila.
Ele voltou o olhar para Thayen.
— Eu vou vencer.
— Moleque maldito! — disse Thayen, enquanto limpava o sangue do rosto.
— Isso não vai ficar assim.
— Pode vir, sua desgraçada! — disse Mark, furioso.
Thayen avançou em direção a Mark.
Mark analisava friamente seus movimentos. Ele conseguia enxergar cada movimento.
— Morraaaa!
Thayen lançou sua lança em direção ao peito de Mark.
— Mark, cuidado! — gritou Sara.
Mark desviou a lâmina de seu peito e segurou o cabo da lança, como se os dois estivessem disputando um cabo de guerra.
— Sua criatura imunda!
Mark puxou a lança com toda a sua força, fazendo com que Thayen fosse arrastada junto.
Quando ela se aproximou o suficiente, Mark, que havia treinado aquele movimento inúmeras vezes, acertou um golpe em seu rosto.
Foi então que Sara se lembrou.
“Esse movimento… é o movimento de Leônidas.”
Com o impacto do golpe, Thayen soltou a lança e foi lançada alguns metros para trás.
Mark partiu para cima dela, segurando a lança.
— É o seu fim!
— Morraaaa!
Quando estava prestes a atingir o peito de Thayen, ela sorriu.
— Seu idiota… você realmente não sabe como as coisas funcionam.
Nesse momento, a lança que estava prestes a perfurar Thayen desapareceu.
— O quê? Sumiu? — pensou Mark.
POOOW!
Thayen acertou Mark.
Em seguida, começou a golpeá-lo intensamente.
— Você acha que um garoto como você poderia me derrotar? Eu sou uma guerreira! Eu sou uma descendente, seu moleque!
— Você não sabe nem o que está enfrentando.
BOOM!
Mark foi lançado para perto de sua mãe.
— Mark, você está bem?
— Si— sim… eu estou bem.
Mark respirou fundo.
— Ela é mais forte do que eu pensava.
Sara se levantou e olhou para Mark.
Ao ver até onde seu filho havia chegado sem sequer conhecer a verdade sobre aquele mundo, sentiu orgulho.
Então sorriu.
— Vamos vencer ela juntos.
— Vamos! — disse Mark, entusiasmado.
— Mark, você consegue ver os movimentos dela?
— Sim.
— Ótimo. Você coordena e eu ataco. Depois, atacamos juntos.
Sara respirou fundo.
— Eu tenho um plano.
— Certo, mãe. Vamos.
Mark e Sara partiram para cima de Thayen.
Sara disparou quatro flechas.
Zuuuum!
Thayen rebateu as flechas com a lança e partiu para o ataque.
— Mãe, cuidado! Ela está vindo.
— Certo.
— Eu vou desviar o ataque, e você acerta a flecha.
— Tá.
Thayen, com o corpo tomado pela raiva, aumentou ainda mais sua velocidade.
Mark desviava de seus ataques, tentando encontrar uma brecha para que sua mãe pudesse contra-atacar.
Thayen conseguiu cortar o rosto de Mark.
Foi então que ele segurou a lança e chutou Thayen para o alto.
— Mãe, em cima!
— Certo!
Sara disparou três flechas explosivas contra Thayen.
BOOOM! BOOOM! BOOOOOOM!
Mark partiu em direção a Thayen e, com um chute nas costas, lançou-a de volta na direção de Sara.
— Mãe, agora! Acaba com isso!
Sara se preparou para finalizar Thayen, carregando uma flecha com toda a sua essência.
Ela disparou.
Zummm!
— Vencemos! — disse Mark.
A flecha, que Mark acreditava que acabaria com Thayen, atingiu seu corpo e se conectou às flechas que ela havia desviado anteriormente.
Correntes de energia surgiram ao redor de Thayen e a prenderam de joelhos no chão.
— Mãe, por que você não acabou com ela? Ela queria te matar! — disse Mark.
— Eu preciso de algumas respostas — respondeu Sara.
Sara caminhou lentamente até Thayen.
— Thayen, agora acabou. Você pode desistir e ir para casa.
— Nunca.
Thayen tentou se libertar das correntes.
— Eu vim para fazer um trabalho… e vou terminar.
— É inútil resistir — disse Sara.
Ela a encarou.
— Quem mandou você? Foi Leônidas?
Mark arregalou os olhos.
“Ela conhece esse cara?”
Thayen balançou a cabeça.
— Ninguém me mandou.
— Mentira. Alguém te mandou. Foi o Tharok?
Mark arregalou ainda mais os olhos.
“Agora tudo faz sentido… ela também deve ter visto aquele cara. Aquele é o Tharok.”
— Não. Ninguém me mandou, Sara.
Thayen respirou fundo.
— Eu estava passando perto dos Anciões quando escutei eles falando sobre o Mark.
Sara permaneceu em silêncio.
— Então escutei o seu nome e liguei todos os pontos.
Thayen abaixou a cabeça.
— Por isso eu vim. Achei que, se aparecesse com o moleque, eles poderiam confiar em mim e me mandar para missões importantes em nome do nosso povo.
Sara permaneceu séria.
— Você pode ir agora. Não é mais necessária.
Thayen levantou o olhar, incrédula.
— O quê? Misericórdia?
Ela soltou uma risada amarga.
— Eu não mereço ser morta?
Sara permaneceu em silêncio.
— Eu não vou matar você.
Thayen sorriu.
— Então eu vou continuar vindo atrás dele.
Ela fez uma pausa.
— E eu não serei a únic—
VUM!
Uma flecha atravessou o peito de Thayen.
O corpo dela ficou imóvel.
— Obrigad…
Coff! Coff!
Thayen cuspiu sangue.
Ela olhou para Sara.
— Obrigado… minha…
Sua voz falhou.
— …amiga.
Thayen finalmente fechou os olhos.
Seu corpo perdeu as forças.
E então…
Thayen morreu.
Capítulo 06 – A Origem
Ah… ah…
Mark e Sara encontravam-se esgotados.
Booom! Sara cai de joelhos.
Mãe! Mark corre desesperadamente em sua direção.
Não se preocupe filho, não se preocupe. Isso não é nada.
Mas seu braço está machucado.
Isso… isso não importa, como você está…?
Sara estava ofegante, sua respiração descontrolada, parecia que havia esquecido como se respira.
Mãe, está tudo ótimo comigo.
Fica calma, respira devagar.
Sara, em lágrimas, finalmente aceita que terá que contar tudo a Mark.
Mãe, por que você está chorando? Nós vencemos…
Eu preciso te contar uma coisa…
O que? Mark estava assustado, pois nunca havia visto sua mãe naquele estado.
Mark… eu preci-
Sara desmaia.
Booom!
Cai deitada no chão.
Mãe? Mãe? Mããããe?
Alguns dias depois.
PI! PI! PI!
O-onde… e-eu estou…?
Mãe!? Que bom que você acordou! Disse Mark aliviado
Eu fiquei com tanto medo de perder você…
Em lágrimas Mark desabou.
Filho…
Você nunca vai me perder…
Que bom que você está bem!
Mark…
Sim!?
Responde Mark apreensivo.
O silêncio pairou sobre o quarto do hospital por alguns segundos.
Sara, com os olhos cheios de lágrimas, finalmente se abriu ao filho.
Eu sinto muito, Mark. Eu escondi coisas de você por tanto tempo…
Eu não queria que tudo isso chegasse até você, só queria que você fosse uma criança feliz, que pudesse crescer sem uma expectativa esmagadora sobre você…
Mark permanecia em silêncio.
Eu sei que você pode me odiar agora, eu não ligo se você me odiar. Eu só quero que saiba que se eu precisasse fazer de novo, eu faria.
Você é meu menino, eu não queria que você se machucasse, que nada acontecesse a você.
Mãe… do que você está falando? Expectativa? Como assim?
Mark, o que você sabe sobre o mundo?
Mark entrou em choque, pois era a mesma frase que Leônidas havia falado para ele.
O-q… que eu sei?
Mark, eu vim de um lugar diferente daqui.
Mark teve um leve baque.
Diferente? Você… é do mesmo lugar que aquele tal de Leônidas?
Sara respirou fundo e confrontou Mark.
Sim, Leônidas é meu irmão…
O que? Você nunca disse que tinha um irmão.
Eu quero que você entenda uma coisa filho, eu fiz o que eu fiz, para que não acontecesse com você o mesmo que aconteceu com meu irmão.
Eu sinto muito Mark, eu não queria fazer você sofrer sem saber sobre a própria existência, viver assim é crueldade demais.
E por mais que você me odeie, eu quero que saiba que eu te amo incondionalmente.
O silêncio pairou novamente sobre a sala.
Mark se aproxima de Sara.
Sara, triste e até envergonhada, vira o rosto.
Mãe… olha para mim.
Sara então se senta na cama e olhou atentamente para Mark, esperando que suas palavras acabassem com aquele sofrimento, afinal de contas, o momento que ela mais adiou acabava de chegar.
Mark, antes de voc-
Antes de Sara terminar, Mark a abraça e diz:
Odiar você? Por que eu te odiaria? Por me amar demais?
Sinto muito que você teve que carregar esse peso por todos esses anos, mas agora, mãe. Não precisa mais esconder as coisas, eu entendo que você sempre irá me proteger, mas eu já sou grandinho para escutar as coisas.
E mãe, ouvindo você, eu não tenho ideia do que você teve que passar para chegar a conclusão de que guardar para você seria a melhor escolha, mas eu entendo. E sendo sincero, se eu tivesse um filho, teria feito o mesmo. Eu te amo.
Pela primeira vez em muitos anos, Sara não precisava mais carregar aquele segredo sozinha.