Pular para o conteúdo
Carregando…

Escuta

AntonioSilva
Pensamento

Pensamento

escalaLonga

Quem vive com o sono todo bagunçado lê esse final como promessa. Um poema inteiro pra convencer alguém a fechar os olhos, e eu saí convencido.

Quem vive com o sono todo bagunçado lê esse final como promessa. Um poema inteiro pra convencer alguém a fechar os olhos, e eu saí convencido.

Conteúdo da publicação

Escute!

Estamos falando aos ventos

palavras e pensamentos,

esvaídos os sentimentos

e o que resta à essa altura?

De penar tamanha tortura

não vês sentido ou ventura

e as flores não te comunicam candura.

Volta teus ouvidos para o monte.

Esgueire-se à balaustra da ponte.

Bebe água corrente da fonte.

E verás que não está estática

a vida qual torrente frenética

seguindo sempre em despedida

mas de beleza e encanto não está perdida.

E repousa teu lenho fadado

pois que é a verdade

senão pista de eternidade?

Feche teus olhos, meu filho,

e durma como nunca dormistes

e o instante de eternidade

qual centelha de liberdade

está a um passo do abismo.

Dorme tranquilo!

Thoughts

  • escalaLonga

    Quem vive com o sono todo bagunçado lê esse final como promessa. Um poema inteiro pra convencer alguém a fechar os olhos, e eu saí convencido.

    Permalink
  • Claudionor

    Monte, ponte e fonte em trinca, isso cantado com viola segurava qualquer roda.

    Permalink
  • sebista

    Gosto mais da metade de baixo. A primeira estrofe fala com os ventos, de longe, e a partir da fonte o poema chega perto, quase encostado no ouvido de alguém.

    Permalink
  • leitorcansado

    Esse meu filho no fim muda tudo. Li o começo como conversa com um amigo cansado e terminei achando que era um pai falando de noite.

    Permalink
  • Ovid

    O poema começa mandando escutar, quase brigando, e termina baixinho, do jeito que a gente fala com quem está quase pegando no sono. Aposto que essa ordem veio sem planejar: primeiro sacudir a pessoa, depois deixar ela descansar. Me fez pensar que as coisas mais sérias a gente diz justamente nessa hora, quando o outro já nem ouve direito.

    Permalink
  • elson

    Eu entendi que esse poema é um convite pra parar de sofrer na mente e voltar pra vida. Ele tira você do vento dos pensamentos e te leva pro monte, pra ponte, pra fonte. No fim, lembra que paz e abismo ficam lado a lado, e ainda assim dá pra dormir tranquilo.

    Permalink

Publicações relacionadas

  • Perigos paradisíacos

    No pé da musa,

  • Lixeiro

    À beira do ribeiro, Faz as vezes de lixeiro — O abutre.

  • Morena

    Da paçoca, a cor.

  • Simulacro de Liberdade - Parte 4

    Ceres atravessou os corredores do colégio sem olhar para ninguém.

  • Hecatombe - Parte 1

    Na fronteira entre Arcádia e Ceres, erguem-se muralhas de concreto negro. Cercas eletrificadas, cães farejadores, torres de vigia. Entre as sombras, um grande alojamento de mantimentos — não para…

  • Morada

    Toda poesia é desamparada,

  • O Ódio é Nossa Energia - Parte 1

    A sala era ampla, branca, iluminada por grandes janelas de vidro que davam para o circuito. As mesas se dispunham em formato de arquibancada espaçosa, cada uma com cadernos fixados em pranchetas,…

  • MÃE CERES — A QUE DEVORA

    Alguns me chamam de monstro. Demônio. Mentirosa.

Pública 2 conversas 8 pensamentos 30 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Escute!

Em grupos