Escute!
Estamos falando aos ventos
palavras e pensamentos,
esvaídos os sentimentos
e o que resta à essa altura?
De penar tamanha tortura
não vês sentido ou ventura
e as flores não te comunicam candura.
Volta teus ouvidos para o monte.
Esgueire-se à balaustra da ponte.
Bebe água corrente da fonte.
E verás que não está estática
a vida qual torrente frenética
seguindo sempre em despedida
mas de beleza e encanto não está perdida.
E repousa teu lenho fadado
pois que é a verdade
senão pista de eternidade?
Feche teus olhos, meu filho,
e durma como nunca dormistes
e o instante de eternidade
qual centelha de liberdade
está a um passo do abismo.
Dorme tranquilo!