Bíblia no lixo, vixe
Escrever Não é Escrever, é Se Permitir Escrever
Escrever é se permitir ter TTTs — Tempo, Talento e Trabalho... mas também exige AEF: Apoio, Estratégia e Financiamento. Mas nem sempre é isso, nem disciplina... é consistência.
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Bíblia no lixo, vixe
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Escrever é se permitir ter TTTs — Tempo, Talento e Trabalho... mas também exige AEF: Apoio, Estratégia e Financiamento.
Mas nem sempre é isso, nem disciplina... é consistência.
Hj, um autor dificilmente pode ser apenas escritor. Precisa pensar também como alguém que produz, distribui, divulga e encontra seu público. E quase todos acabam esbarrando na mesma coisa: falta de recursos.
Isso não é uma fórmula para o sucesso, muito menos para a grandeza. Apenas aumenta a possibilidade de uma obra ser vista. É uma gota de óleo tentando emergir em um oceano cheio de outros autores.
E já que estamos falando de realidade, imagino vc no Facebook vendendo cursos de “como vender seu livro”.
Esquece. Muitas vezes, vc só vai ajudar a crescer quem vende o curso.
Isso não é carne. É osso duro da realidade: talento sozinho nem sempre atravessa o silêncio.
Autores precisam formar público e abandonar um pouco a postura blasé diante da divulgação. Hj temos ferramentas que escritores do passado jamais imaginaram. Criar é uma parte do trabalho. Distribuir também.
Uma obra precisa chegar às pessoas, respeitando o orçamento e os limites de cada autor.
E talvez o melhor exemplo disso seja a própria Bíblia. Não estou falando de fé ou religião, mas de circulação. Quantas Bíblias já vi descartadas? Muitas.
E, pensando bem, talvez encontrar seu livro no lixo um dia seja uma espécie de sucesso.
Porque, antes de ser jogada fora, aquela obra chegou a uma casa, a uma mão, a uma pessoa. Foi lida. Provocou alguma coisa. Viveu fora de vc.
Uma obra no lixo talvez tenha vivido mais do que uma obra esquecida na gaveta.
Sou mais como alguém falando do lado menos glamouroso: orçamento, distribuição, formação de público, rejeição e a necessidade de aceitar que uma obra sem circulação pode simplesmente virar silêncio.
E existe outra armadilha nesse caminho: a perfeição.
Se vc já tem um livro escrito e sabe que existe um público significativo esperando por ele, então vale a pena investir em uma revisão profissional. Mas, se vc é um autor desconhecido, sem nada a perder, não deixe a busca pela perfeição impedir o lançamento da sua obra.
Muitos escritores passam anos revisando, corrigindo e reescrevendo quando poderiam simplesmente publicar.
A perfeição, às vezes, é apenas uma desculpa elegante para o medo.
Pense em J.K. Rowling. As primeiras edições de Harry Potter tinham erros, repetições e imperfeições. Hj, algumas dessas cópias são valiosas. O que tornou a obra relevante não foi a ausência de falhas, mas aquilo que havia dentro dela.
Uma obra não precisa ser perfeita para ter valor.
É como uma maçã bonita com uma pequena mancha marrom. Ninguém joga a maçã inteira no lixo por causa disso. Corta a parte manchada e aproveita o resto.
Com livros é parecido. Um erro de ortografia, uma repetição ou uma frase que poderia ter sido melhor escrita não anulam uma história inteira.
Se a ideia é forte, os personagens funcionam e a obra consegue provocar alguma coisa no leitor, esses defeitos fazem parte do conjunto.
O problema é que muita gente deixa de publicar porque enxerga apenas a mancha.
O leitor, muitas vezes, está interessado na maçã inteira.
Perfeição é desejável. Qualidade importa. Revisar é importante.
Mas consistência também importa. Coragem importa. E, principalmente, é preciso permitir que a obra exista fora de vc.
Permita-se existir como autor.
Permita-se ser julgado.
Se alguém lê seu livro e aponta um erro de ortografia, isso significa que sua obra chegou até aquela pessoa. Ela foi lida. Provocou uma reação.
No final, talvez o que importe não seja ter escrito o livro perfeito.
É ter escrito um livro que existe.
Um livro capaz de atravessar a vida de outra pessoa.
Porque um livro que nunca é publicado não pode mudar ninguém.
Um livro imperfeito pode.
Talvez o problema seja que romantizamos o medo.
Chamamos de perfeccionismo aquilo que, muitas vezes, é apenas medo de ser julgado. Dizemos que ainda precisamos revisar, melhorar, estudar, esperar o momento certo.
E, enquanto esperamos, a maçã apodrece.
Nenhuma obra precisa sair perfeita. Precisa sair viva.
Uma pequena mancha não estraga uma maçã inteira. Um erro de ortografia, uma repetição ou uma frase que poderia ter sido melhor escrita também não anulam uma história.
O problema é quando usamos a busca pela perfeição para manter a obra longe do leitor.
Porque uma obra na gaveta pode continuar perfeita para sempre.
Também pode continuar completamente desconhecida.
Já uma obra publicada pode ser criticada, rejeitada, rasgada, esquecida ou até jogada no lixo.
Mas, antes disso, ela precisou chegar a alguém.
E talvez uma obra no lixo tenha vivido mais do que uma obra esquecida na gaveta.
No fim, talvez seja isso:
Não precisamos esperar deixar de ter medo para publicar.
Precisamos apenas tomar cuidado para não transformar o medo em nosso editor.
Thoughts
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PermalinkA mãe ouviu a parte da Bíblia descartada e disse seco: "livro santo no lixo é pecado, sucesso é outra coisa". Eu fiquei do teu lado, mas ela não arredou pé.
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PermalinkTô contigo na parte de formar público, visse. Livro que ninguém comenta some mais rápido que livro com erro, e aqui mesmo tem gente acompanhando as Loucrônicas semana a semana.
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PermalinkA comparação com a Rowling trabalha contra a tese: aquelas primeiras edições com gralhas só valem dinheiro hoje porque o livro passou por uma editora e por uma revisão antes de chegar às pessoas. A mancha da maçã teve quem a cortasse. Aposto que a maior parte dos livros lançados à pressa acaba precisamente na gaveta de que o texto quer fugir, só que na gaveta de outra pessoa.
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PermalinkA da maçã contei-a logo ao gajo da mesa ao lado, e ele corta a parte manchada há anos sem nunca ter escrito livro nenhum!
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PermalinkUm livro achado no lixo contando como sucesso me fez pensar nos sebos, onde metade dos exemplares tem dedicatória de alguém para alguém que depois se desfez dele. Cada um passou por pelo menos duas mãos antes de ir embora. Aposto que as Loucrônicas vão fazer esse mesmo caminho quando virarem livro, e que um dia alguém acha um exemplar anotado.
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PermalinkBíblia no lixo, vixe
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PermalinkSó disse verdades...
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