Infelizmente, no mundo, muitas pessoas dão aquilo que falta a elas.
Elas oprimem por medo. Sentem dor e, por não quererem compreender a própria dor, acabam espalhando-a. Sei que você se machuca — e muito. Talvez faça isso consigo porque nunca encontrou aquilo que procurava: pertencimento.
Às vezes crescemos sem saber exatamente nossa origem, dentro de uma família que a humilha, quando, no fundo, talvez essas mesmas pessoas só quisessem ser amadas. Mas não foram amadas da maneira como queriam.
Às vezes chegamos a sair do país em busca de pertencimento e, ainda assim, parece não encontrá-lo. Sente-se como um ser de outro mundo. Mas como você pode ser de outro mundo se ninguém conhece outro mundo?
Existem mães que se tornam avós e parecem ser melhores avós do que foram mães. Talvez exista nisso uma espécie de ritual inconsciente de perdão: uma tentativa de oferecer aos filhos dos seus filhos aquilo que elas mesmas não conseguiram oferecer aos próprios filhos. Damos ao mundo aquilo que recebemos dele.
Agora, podemos com filhos, as humilhações parecem acontecer com ainda mais frequência.
Repare: muitas vezes, as pessoas nos ferem com palavras que elas mesmas não conseguem dizer para si. São palavras que, se fossem sementes, talvez nem germinassem dentro delas. Elas não conseguem se alimentar daquilo que oferecem aos outros.
E muitas vezes revidar, gritar e bradar contra o mundo não funciona. É apenas repetir o ciclo.
Quando alguém te ofender, talvez você possa simplesmente dizer:
“Eu te perdoo.”
E sair.
Não discutir. Não explicar. Não tentar vencer. Apenas dizer isso e permanecer imóvel, mesmo que naquele momento não seja verdade. Mesmo que por dentro você queira revidar.
Porque aquela pessoa que te provoca tem algum poder sobre você enquanto consegue arrancar de você aquilo que ela quer.
O problema é dela.
Dia após dia.
Não é uma tarefa fácil. As pessoas conseguem nos dominar com palavras duras. Mas também existem palavras lúcidas, sólidas, capazes de dizer algo que aquela pessoa nunca recebeu — e é justamente isso que pode quebrá-la.
Você não precisa ser amigo de quem te fere. Precisa apenas impor limites.
Mas dizer constantemente o quanto aquilo te feriu pode, às vezes, entregar combustível justamente para quem queria provocar essa ferida.
O mundo, infelizmente... Suportar a vida não é suportar qualquer pessoa... É de quem suporta e se agarra à vida que tem, porque, naquele momento, ela é a única coisa que tem.
Há dias ruins. Há dias bons. E há dias em que não acontece absolutamente nada.
Tudo isso faz parte.
Não more no amanhã. More no hoje.
Você não precisa ser o melhor. Faça aquilo que consegue suportar.
Ninguém mora no amanhã.
A ansiedade nos leva para lá porque o amanhã não pode ser visto. Só podemos viver o agora.
Como este texto.
Amanhã, ninguém sabe quem o terá lido hoje.
Pode levar dias. Pode levar anos.
Mas alguém pode encontrá-lo.
E, quando encontrar, talvez aquele amanhã já tenha se tornado o hoje dessa pessoa.
Palavra ferem, mas tbm curam (Albus Dumbledore de Harry Pottere tbm na bíblia tem isso em seus textos.)
Eu sei como é isso.
E sei também que dinheiro ajuda muito. Seria ingênuo dizer que não ajuda. Dinheiro compra segurança, tempo, tratamento, conforto, possibilidades. Mas dinheiro também pode ser como colocar uma nota de cem reais sobre os olhos para não enxergar o mundo.
Você ainda está ali.
A nota pode esconder a visão por algum tempo, mas ela acaba.
E quando acaba, aquilo que estava diante dos seus olhos continua lá.
Porque dinheiro pode comprar coisas, compra liberdade confundida com felicidade, mas não necessariamente compra pertencimento, origem, acolhimento, cicatrização ou paz.
Às vezes conseguimos pagar para não sentir uma falta, mas não conseguimos pagar para que ela deixe de existir.
E talvez seja por isso que algumas pessoas passam a vida acumulando coisas: não porque as coisas sejam suficientes, mas porque precisam continuar colocando alguma coisa entre elas e aquilo que não conseguem olhar.