Capítulo 7 — Eu escolho ficar
Foi naquela manhã que alguma coisa mudou.
Não aconteceu nada extraordinário.
Não recebi uma mensagem.
Não encontrei ele por acaso.
Nenhuma música tocou no momento certo.
Foi apenas uma manhã comum.
Mas, pela primeira vez, eu acordei e não senti vontade de voltar para o passado.
E percebi que isso era liberdade.
Não porque eu tinha esquecido.
Mas porque lembrar já não doía como antes.
Eu ainda sabia o nome dele.
Ainda lembrava do sorriso.
Ainda existiam perguntas sem resposta.
Só que elas já não controlavam meus dias.
Eu tinha passado tanto tempo tentando entender por que ele não ficou que esqueci de perguntar por que eu continuava ficando onde não era escolhida.
Talvez aquela fosse a pergunta que eu precisava ter feito desde o começo.
Então, naquele dia, eu fiz uma promessa.
Não para ele.
Para mim.
Eu prometi que nunca mais diminuiria o que sinto para caber na falta de alguém.
Que nunca imploraria por atenção.
Que nunca confundiria migalhas com amor.
E que, se alguém quisesse fazer parte da minha vida, teria que querer estar nela de verdade.
Porque eu finalmente entendi uma coisa:
Amor não deveria fazer a gente duvidar do próprio valor.
E se algum dia ele voltasse…
Eu não sabia o que faria.
Talvez sorrisse.
Talvez sentisse aquele frio conhecido no peito.
Talvez uma parte de mim ainda quisesse ouvir tudo aquilo que nunca ouvi.
Mas eu não seria mais a mesma.
Porque enquanto esperava que alguém me escolhesse…
eu finalmente tinha escolhido a mim.
E talvez esse fosse o capítulo mais importante de todos.
Não o capítulo em que eu o perdi.
Mas o capítulo em que eu parei de me perder por ele.