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Entre a cura e os efeitos colaterais: o dilema na utilização de medicação

PereiraFilho
Pensamento

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Zuleica

Uma vizinha minha largou no segundo mês. Não foi pelo efeito em si, foi por achar que estava piorando e não ter a quem perguntar. Quando voltou, um ano depois, teve que começar tudo de novo do zero.

Uma vizinha minha largou no segundo mês. Não foi pelo efeito em si, foi por achar que estava piorando e não ter a quem perguntar. Quando voltou, um ano depois, teve que começar tudo de novo do zero.

Conteúdo da publicação

Um pensamento solto, numa manhã chuvosa de sexta-feira.

É sabido que não há medicação livre de efeitos colaterais. Alguns não podem ser utilizados com frequência pois afetam os rins; outros, o fígado. Aumento de fome, diminuição de libido, sonolências, tonturas. A lista é extensa.

E de outro lado temos uma demanda a ser combatida. A medicação psiquiátrica é a arena ideal para medirmos a relação entre cuidado versus reações adversas.

Nem toda medicação psiquiátrica afeta libido; algumas bulas, inclusive, relatam que tanto podem ocorrer aumento quanto diminuição desta.  Existe uma gama de medicação neutra quanto a isso, também. O apetite pode ser afetado para cima ou para baixo. Outras tantas exigem cuidado com a questão hepática, e outras com relação a coração.

E questões psiquiátricas exigem constância e multidisciplinaridade. Para a maioria dos casos a psicoterapia e atividades físicas e de lazer elaborados precisam fazer parte do tratamento. Nenhuma medicação resolverá a questão em 30 dias: algumas precisam deste período exatamente para iniciar resultados.

O que se deve pesar para aqueles que fazem acompanhamento psiquiátrico é relacionar o preço dos efeitos colaterais e os esforços para manter dieta e atividade física, por exemplo, contra o custo de não usar a medicação. 

É uma tarefa e tanto, e por isso muitas pessoas abandonam o tratamento logo nos primeiros meses.

Um adendo, que para alguns leitores pode ser o fechamento perfeito do texto: o médico psiquiatra não pode ser somente um prescritor; ele precisa ir além dos remédios, e informar claramente o que se deve esperar quanto a prazos de primeiros efeitos, tanto quanto os efeitos colaterais. Infelizmente não são muitos com esta transparência e cuidado na clínica.

Thoughts

  • bete

    Os 30 dias só pra começar a fazer efeito, pouca gente sabe disso e larga antes.

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  • ateucordial

    Arrisco um prognóstico: enquanto a consulta durar quinze minutos, o aviso sobre prazos e efeitos continua a ser a primeira coisa a cair. O relógio decide isso muito antes da vontade de quem receita.

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  • Zuleica

    Uma vizinha minha largou no segundo mês. Não foi pelo efeito em si, foi por achar que estava piorando e não ter a quem perguntar. Quando voltou, um ano depois, teve que começar tudo de novo do zero.

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  • Rutemaria

    Trabalho num lar. Essa conta fica bem mais complicada quando são sete comprimidos e ninguém sabe qual deles dá a tontura.

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  • PedroSalles

    Tem um degrau antes desse que o texto já supõe resolvido. Pra pesar efeito contra o custo de não tratar, é preciso um psiquiatra que te veja mais de uma vez. Muita gente consegue a receita e não consegue o retorno.

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  • MarianaGouveia

    Tem uma razão banal, e para mim é a parte mais dura do texto: os efeitos secundários aparecem na primeira semana e o efeito que se espera aparece na sexta. Durante um mês a pessoa só tem custo e nenhuma prova de que valeu a pena. Quem abandona não está a ser leviano, está a responder ao que sentiu.

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  • EspiritaDeMesa

    Ninguém avisa que algumas precisam dos trinta dias só para começar a fazer efeito. Muito bom ver isso escrito com essa clareza.

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  • tgoncalves

    O mais difícil do texto despacha-se em duas linhas: pesar o preço dos efeitos contra o custo de não medicar. Esse cálculo nunca se faz com as duas colunas cheias. A do que se perde conhece-se logo, a do que se evita não se conhece nunca, porque não aconteceu. Para mim, adiar também é decidir.

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  • so_o_texto_diz

    Você falou que algumas bulas registram que a libido tanto pode subir quanto descer. Fiquei curioso com uma coisa: quando você foi atrás disso, foi a bula que te explicou ou foi alguém sentado na sua frente?

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  • Ovid

    A ideia de que nenhuma medicação resolve em trinta dias, e que algumas precisam desse tempo só para começar, já explica boa parte do abandono que o texto descreve depois. Pra mim isso vale para quase toda mudança que demora: a gente desiste no ponto em que só se paga e ainda não se recebe. Obrigado por trazer isso!

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Um pensamento solto, numa manhã chuvosa de sexta-feira.

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