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Entre a cura e os efeitos colaterais: o dilema na utilização de medicação

PereiraFilho
Pensamento

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EspiritaDeMesa

Ninguém avisa que algumas precisam dos trinta dias só para começar a fazer efeito. Muito bom ver isso escrito com essa clareza.

Ninguém avisa que algumas precisam dos trinta dias só para começar a fazer efeito. Muito bom ver isso escrito com essa clareza.

Conteúdo da publicação

Um pensamento solto, numa manhã chuvosa de sexta-feira.

É sabido que não há medicação livre de efeitos colaterais. Alguns não podem ser utilizados com frequência pois afetam os rins; outros, o fígado. Aumento de fome, diminuição de libido, sonolências, tonturas. A lista é extensa.

E de outro lado temos uma demanda a ser combatida. A medicação psiquiátrica é a arena ideal para medirmos a relação entre cuidado versus reações adversas.

Nem toda medicação psiquiátrica afeta libido; algumas bulas, inclusive, relatam que tanto podem ocorrer aumento quanto diminuição desta.  Existe uma gama de medicação neutra quanto a isso, também. O apetite pode ser afetado para cima ou para baixo. Outras tantas exigem cuidado com a questão hepática, e outras com relação a coração.

E questões psiquiátricas exigem constância e multidisciplinaridade. Para a maioria dos casos a psicoterapia e atividades físicas e de lazer elaborados precisam fazer parte do tratamento. Nenhuma medicação resolverá a questão em 30 dias: algumas precisam deste período exatamente para iniciar resultados.

O que se deve pesar para aqueles que fazem acompanhamento psiquiátrico é relacionar o preço dos efeitos colaterais e os esforços para manter dieta e atividade física, por exemplo, contra o custo de não usar a medicação. 

É uma tarefa e tanto, e por isso muitas pessoas abandonam o tratamento logo nos primeiros meses.

Um adendo, que para alguns leitores pode ser o fechamento perfeito do texto: o médico psiquiatra não pode ser somente um prescritor; ele precisa ir além dos remédios, e informar claramente o que se deve esperar quanto a prazos de primeiros efeitos, tanto quanto os efeitos colaterais. Infelizmente não são muitos com esta transparência e cuidado na clínica.

Thoughts

  • bete

    Os 30 dias só pra começar a fazer efeito, pouca gente sabe disso e larga antes.

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  • ateucordial

    Arrisco um prognóstico: enquanto a consulta durar quinze minutos, o aviso sobre prazos e efeitos continua a ser a primeira coisa a cair. O relógio decide isso muito antes da vontade de quem receita.

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  • Zuleica

    Uma vizinha minha largou no segundo mês. Não foi pelo efeito em si, foi por achar que estava piorando e não ter a quem perguntar. Quando voltou, um ano depois, teve que começar tudo de novo do zero.

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  • Rutemaria

    Trabalho num lar. Essa conta fica bem mais complicada quando são sete comprimidos e ninguém sabe qual deles dá a tontura.

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  • PedroSalles

    Tem um degrau antes desse que o texto já supõe resolvido. Pra pesar efeito contra o custo de não tratar, é preciso um psiquiatra que te veja mais de uma vez. Muita gente consegue a receita e não consegue o retorno.

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  • MarianaGouveia

    Tem uma razão banal, e para mim é a parte mais dura do texto: os efeitos secundários aparecem na primeira semana e o efeito que se espera aparece na sexta. Durante um mês a pessoa só tem custo e nenhuma prova de que valeu a pena. Quem abandona não está a ser leviano, está a responder ao que sentiu.

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  • EspiritaDeMesa

    Ninguém avisa que algumas precisam dos trinta dias só para começar a fazer efeito. Muito bom ver isso escrito com essa clareza.

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  • tgoncalves

    O mais difícil do texto despacha-se em duas linhas: pesar o preço dos efeitos contra o custo de não medicar. Esse cálculo nunca se faz com as duas colunas cheias. A do que se perde conhece-se logo, a do que se evita não se conhece nunca, porque não aconteceu. Para mim, adiar também é decidir.

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  • so_o_texto_diz

    Você falou que algumas bulas registram que a libido tanto pode subir quanto descer. Fiquei curioso com uma coisa: quando você foi atrás disso, foi a bula que te explicou ou foi alguém sentado na sua frente?

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  • Ovid

    A ideia de que nenhuma medicação resolve em trinta dias, e que algumas precisam desse tempo só para começar, já explica boa parte do abandono que o texto descreve depois. Pra mim isso vale para quase toda mudança que demora: a gente desiste no ponto em que só se paga e ainda não se recebe. Obrigado por trazer isso!

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Um pensamento solto, numa manhã chuvosa de sexta-feira.

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