Por Lucien Vieira | 25 de novembro de 2025
Ah! Isso é o tempo.
Espontaneamente docente, pacificador,
afeiçoado às faces da idade...
sobretudo à calma, à própria vaidade,
à transformação, à razão, à dor,
ao amor...
(Ele, o tempo)
Desofusca o desenxergamento do avesso,
as prescrições impensadas
dos pensantes
e de berço.
É um ponto a ponto dos pontos cardeais,
a cancha repensando vielas, praças
e rodovias;
editor das inúmeras inverdades;
faz crescer sem esquecer as sorridentes bobagens;
desimportar os disfarces da grafia:
a cadência que ditam os pontos e vírgulas
e que distorcem os desfechos das histórias.
Desdizer diversos sins do dia a dia
e emudecer, enfim, inúmeros nãos.
Abandonar as dubiedades
das vãs filosofias;
aproximar-se da morte
para compreender a vida,
e aceitar os nutrientes do pão.
Ah! Isso é o tempo.
São versões de memórias.
Poesia Lírica Filosófica / Contemplativa / Existencial.
Ao amadurecer, o ser humano passa a rever seus “sins” e “nãos”, abandonar dubiedades e compreender melhor a vida, inclusive pela consciência da morte. As memórias, assim, tornam-se versões continuamente reelaboradas pelo tempo.