Páginas escritas em tintas
de cores que trazem dores
mas endossam meus valores
daqueles horrores que vivi
pela resiliência de me orgulhar
Outros não faziam parte
daquele capítulo a discorrer
neve sal e sangue a preencher
aquelas páginas já tão passadas
por memórias que não ousam cessar
Então para os que não me cabiam
à distância criei uma muralha
sólida e impenetrável
só que era tudo de vidro
frágil como aquilo que eu guardava
Minha dor virou espetáculo
para os que ovacionavam
a queda perante os meus
ritos e mitos em uníssono
com aquele maldito
que todos julgavam conhecer
Estilhaços criaram linhas brancas
aos prantos eu era marcado
de insano e incapaz disseram
por causa da refração
da redoma que me guardava
Sem as barreiras criadas
fui despido e intervindo
como aquela retórica
ironicamente a salvação heróica
criou alguém que odeia cozinhar
que só liga o forno por impulso
para Plath homenagear
E talvez trazer cores ao mundo
que foram feitas para esvair-se
desse capítulo que todos assumiram colorir
mas ao criarem o mito da morte
trouxeram páginas sem minhas cores
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Enfadonho se tornou o conceito
A criança já se fora
A retrotopia se esgotou
Órion partiu
O prestidigitador foi escamoteado
O proscênio no parnaso se tornou dantesco
Os ritos e mitos se esvaíram
Minha poesia morreu
O que foi dito já não me repito
Então não haverá nada mais escrito
Bem, talvez eu minto.
Dou a adeus a Dionísio.
Aquele que me trouxe o vício.
Que fizeram minhas palavras um simulacro.
Com pupilas que não são minhas…e nem são por acaso.