7. O PRIMEIRO AFETO REAL
Não foi um beijo, não foi um toque.
Foi um olhar que demorou um segundo a mais.
Foi uma risada que não era para mim,
mas que guardei no ouvido como presente.
Não sabia o nome daquilo.
Sabia apenas que o peito doía,
não de tristeza, mas de aperto quente.
Urgência sem direção.
Vontade de ficar perto,
mesmo sem coragem de falar.
Como ´´k.d. lang`` cantando ´´Constant Craving``,
era uma fome que eu não sabia nomear.
Como o filme ´´O Amor É Proibido`` (The Incredibly True Adventure of Two Girls in Love),
era a primeira vez que eu via um amor possível
refletido em uma tela.
Observava cada movimento dela
como quem estuda uma constelação.
Gestos, jeitos, pausas,
tudo parecia ter um significado secreto
que só eu podia decifrar.
Não houve declaração, nem cartas.
Houve apenas a certeza, silenciosa e absoluta,
de que eu era capaz de sentir algo inteiro.
Algo que não era inventado nem ensaiado.
Era real.
E pela primeira vez,
meu coração não pediu desculpas por bater.
— NelleAziul