16. A MÃO QUE TOCA A MINHA
Já tinha dado as mãos antes.
Mãos de mãe, de amigas, de parentes.
Mas aquelas mãos sempre me puxavam para o mundo,
para a vida que eu deveria viver,
para o caminho que todos esperavam.
Até que uma mão diferente tocou a minha.
Não pediu permissão, mas também não forçou.
Apenas pousou ali, devagar,
como quem chega em casa depois de longa viagem.
Como ´´Tegan and Sara`` cantando ´´Closer``,
a distância entre nós duas era um fio de cabelo.
Como o filme ´´Azul é a Cor Mais Quente``,
o toque era uma descoberta, uma exploração,
um mapa de um território desconhecido.
Os dedos se entrelaçaram e tudo mudou.
Aquela mão não era para me guiar.
Era para me sentir.
Não me puxava para lugar nenhum.
Só queria estar ali.
Senti o calor, a textura, o toque.
E pela primeira vez, meu corpo não se encolheu.
Pela primeira vez, se abriu,
como flor que finalmente encontra o sol.
Não precisava de palavras, nem promessas.
Bastava aquela mão na minha
me dizendo que eu não era mais uma estranha.
Que eu era alguém que podia ser tocada.
Que merecia ser tocada.
Que aquele fogo não queimava.
Apenas aquecia.
— NelleAziul