No dia seguinte ao nosso encontro, eu mandei uma mensagem:
"Bom dia, tudo bem?"
Esperei.
Nada.
Comentei em uma foto dos status.
Nada.
Tentei novamente.
Ele não respondia.
No começo, fiquei apenas confusa.
Depois, comecei a me preocupar.
Por que ele tinha mudado daquele jeito?
Naquele mesmo período, muitas coisas estavam acontecendo na minha vida.
Fui demitida.
Eu também tinha o ENEM pela frente.
Eu precisava de alguém para conversar, de alguém que me escutasse.
E, justamente quando eu mais queria falar com ele, Ismael parecia cada vez mais distante.
Ele havia sumido.
No dia do ENEM, finalmente respondeu.
Mas foi uma resposta seca.
Aquilo foi o suficiente para eu tomar uma decisão.
Mandei uma mensagem:
"Se for realmente querer algo comigo, fale agora. Se não quiser, vamos seguir caminhos diferentes."
Eu esperei.
Ele visualizou.
E não respondeu.
Aquele silêncio respondeu por ele naquele momento.
Eu não consegui fazer a prova do ENEM.
Na volta para casa, tentei seguir como se nada tivesse acontecido.
Até ri pelo caminho.
Mas, quando cheguei em casa, tudo aquilo que eu estava segurando veio à tona.
Chorei.
Chorei muito.
Era como se todas as coisas que haviam acontecido naquele período tivessem chegado de uma vez.
Naquela madrugada, por volta das três horas, fui até a janela.
Ajoelhei-me e, entre lágrimas, fiz uma oração:
"Deus, eu não quero me apaixonar por mais ninguém. Tira os meus sentimentos, arranca esse desejo."
Eu estava cansada.
Cansada de esperar.
Cansada de tentar entender.
Cansada de insistir em alguém que naquele momento não estava me dando respostas.
Depois daquela noite, alguma coisa mudou em mim.
Eu parei de mandar mensagens.
Parei de tentar chamar a atenção dele.
Parei de insistir.
E segui minha vida normalmente.
Talvez, pela primeira vez, eu tivesse entendido que algumas respostas não chegam através de palavras.
Às vezes, o silêncio também diz alguma coisa.
E eu precisava aprender a continuar, mesmo sem saber o que aconteceria depois.