E então chegaram os Dias dos Namorados.
Mas, muito antes daquela noite chegar, eu já estava preparando o presente dele.
Cerca de dois meses antes, eu tinha comprado algo que sabia que ele iria amar:
a camisa do ídolo que ele mais ama — Cristiano Ronaldo, do Manchester United de 2008.
Eu guardei o presente em segredo, esperando o momento certo para entregar.
Finalmente, chegou a noite.
Eu tinha acabado de tirar algumas fotos quando Ismael chegou.
Ele parou a moto em frente à minha casa, e eu fui abrir o portão.
Assim que ele entrou, percebi que estava escondendo alguma coisa.
Mas não fazia ideia do que era.
Enquanto eu pegava minha bolsa para irmos embora, ele me chamou:
— Ei!
Eu virei.
— Foi o quê...?
Nem consegui terminar a frase.
Quando olhei para ele, vi que estava segurando um buquê de rosas brancas.
Eu fiquei surpresa.
Eu só tinha comentado uma vez, em uma conversa qualquer, que gostava daquelas flores.
E ele tinha lembrado.
Ele estendeu o buquê para mim.
— Seu presente você não vai pegar, não?
Peguei as flores e fiquei admirando.
Mas, quando levantei novamente os olhos para ele...
Eu vi.
O melhor presente de todos.
Na minha frente estava Pikachu.
Meu favorito.
Na mesma hora, devolvi as rosas e me agarrei ao Pikachu.
Eu pulei.
Gritei.
Abracei tanto que parecia que tinha acabado de ganhar o presente mais incrível do mundo.
E Ismael só conseguia rir da minha reação.
— Obrigada! Obrigada! Obrigadaaaaa!
Ele começou a rir ainda mais.
— Kkkkk, parece uma criança...
Eu olhei novamente para o Pikachu e gritei:
— HAAAAAAAA! O PIKACHUUUU!
Ismael já estava quase morrendo de rir.
— Calmaaa! Kkkkkk.
Entrei para guardar as coisas que ele tinha me dado.
Mas, quando eu achava que as surpresas tinham acabado, ele falou:
— Ei, mulher, calma. Lembra que eu falei que eram três presentes?
Parei.
Olhei para ele.
Fiquei desconfiada, ainda agarrada ao buquê.
— Três?
Ismael ficou nervoso.
Respirou fundo.
Passou a mão no peito.
Depois, colocou a mão no bolso.
Quando tirou...
Eu vi uma caixinha preta.
Meu coração disparou.
Ele abriu a caixinha.
E eu só consegui dizer:
— Mentira... MJS! KAKAKAKAKA!
Ismael respirou fundo e começou:
— Eu sei que eu comecei meio "errado", mas eu queria dizer que sou feliz ao seu lado. Amo lhe amar e queria saber se você, Jheniffer Rayanne da Silva, aceita namorar comigo?
Eu coloquei a mão sobre o sorriso, completamente tímida.
Não conseguia parar de sorrir.
Balancei a cabeça e respondi:
— Sim. Eu quero...
Ele colocou a aliança no meu dedo.
Depois, coloquei a dele.
E, depois de mais um momento que parecia inacreditável, fui guardar as coisas.
Então saímos.
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Mais tarde, quando chegamos em casa, chegou a minha vez.
Peguei o presente que tinha preparado para ele.
Entreguei e avisei:
— Não grita.
Ismael começou a abrir o embrulho devagar.
Assim que viu a caixa, já soltou:
— Mentira! Kkkkk. É pegadinha!
— Abre e não grita!
Ele voltou a abrir.
Quando finalmente abriu a caixa e viu o que havia dentro...
A camisa.
A camisa do Cristiano Ronaldo.
A camisa do Manchester United de 2008.
O rosto dele mudou completamente.
Ele ficou sorrindo como uma criança que tinha acabado de ganhar o presente dos sonhos.
Na mesma hora, me pegou nos braços e começou a me rodar.
— Obrigada, meu amor! Obrigada, obrigadaaaa!
Eu comecei a rir.
— Gostou?
Ele olhou para mim, incrédulo.
— Se eu gostei? Se eu gostei???
A reação dele já tinha respondido tudo.
Depois de alguns minutos, chegou a hora de nos despedirmos.
Antes de ir embora, Ismael me olhou e disse:
— Obrigada. Obrigada por hoje... Você é uma caixa de surpresa.
Dei um beijo nele e o abracei.
Ele então colocou o capacete, ligou a moto e foi embora.
E eu fiquei ali, olhando enquanto ele se afastava, pensando em tudo que tinha acontecido naquela noite.
As rosas brancas.
O Pikachu.
A caixinha preta.
A aliança.
A camisa do Cristiano Ronaldo.
Duas pessoas tentando surpreender uma à outra...
E, no fim, os dois conseguiram.
Aquela noite não foi apenas um Dia dos Namorados.
Foi a noite em que nosso namoro ganhou uma nova promessa.