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Capítulo 47: A Dívida de Sangue

BELADIA
Pensamento

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conto84

Agora são duas dívidas: a da Hadria com o Rowan, que ela paga entregando o colar antes da próxima lua, e a que o Constantino diz ter com a Aylla. Ele deixar a filha da Aylla sair com o colar pode ser o primeiro pagamento, e não um favor.

Agora são duas dívidas: a da Hadria com o Rowan, que ela paga entregando o colar antes da próxima lua, e a que o Constantino diz ter com a Aylla. Ele deixar a filha da Aylla sair com o colar pode ser o primeiro pagamento, e não um favor.

Conteúdo da publicação

livro (trinta dias para a última lua)

O príncipe vampiro caminhava à frente com passos que pareciam flutuar. Sua aparência, talhada em uma beleza aristocrática e inumana, lembrava uma escultura de mármore impecável. A pesada capa negra balançava sutilmente, erguendo-se a cada corrente de vento que cortava os corredores. Logo atrás dele, marchavam Hadria e Luiz, caminhando lado a lado. E, fechando a retaguarda, vinha a sombria escolta de vampiros, todos silenciosos, apenas observando a dupla.

Hadria ponderava o nível de perigo daquela escolta de elite. Se precisasse lutar de verdade para sobreviver naquele instante, conseguiria vencê-los? Seria Constantino um improvável aliado na iminente guerra civil de Ônix, ou estaria apenas usando-a para algum propósito muito maior em seus planos maquiavélicos? Eram perguntas perigosas e sem respostas imediatas que inundavam a sua mente.

Ela olhou de soslaio para Luiz. O rapaz mantinha-se em absoluto silêncio ao seu lado. Quando aquela mutação estranha havia começado de fato? Foi após mordê-la? Por que ele não falara nada antes? Será que não confiava nela o suficiente, ou estava apenas apavorado com o que estava se tornando? Ele se transformara em um dragão?

Hadria suspirou fundo, afastando as preocupações com o amigo por um momento para focar no quadro geral. Ela entregaria o colar mágico a Rowan antes da próxima lua. Era um alívio imenso. Após pagar essa dívida, ela finalmente voltaria para casa e poderia se concentrar com suas aias para resolver o estrago que sua fuga havia causado. O caos, afinal, a havia encontrado no deserto. A sua desobediência em sair da Montanha Branca escondida e sem proteção disparara uma reação em cadeia que estava prestes a abalar todas as estruturas de poder do mundo.

As Terras Altas e o reino demoníaco teriam a guerra batendo às suas portas. O longo e pacífico reinado da atual Rainha do Clã das Bruxas Negras estava severamente ameaçado, e a usurpadora não desistiria do trono com facilidade. Hadria sabia que, como uma criança de apenas doze anos, ainda não era a hora certa de aparecer para reivindicar a herança. Mas Rowan simplesmente não tinha tempo. O amigo passaria pela sua primeira transformação na próxima lua cheia.

Ela devia a própria vida a ele.

Protegida por uma magia de sacrifício, a Montanha Branca havia se tornado um santuário para todos os perdidos e renegados que desejavam se esconder dos horrores do mundo demoníaco. Uma pequena e humilde aldeia de lobisomens desgarrados e párias formou-se aos pés da montanha. Entre esses refugiados estava a mãe de Rowan, fugindo grávida para escapar da morte nas mãos do próprio Alfa de seu clã. Rowan nascera na segurança daquela aldeia.

Quando pequeno, enquanto explorava o local com outras crianças, Rowan havia descoberto uma caverna secreta que descia para as profundezas da montanha. O lugar tornou-se um esconderijo para brincadeiras. No centro da gruta, descansava uma escultura ancestral de um dragão adormecido, protegendo um imenso ovo rochoso que pulsava, brilhando levemente como a luz de um farol em noites de tempestade.

Até o dia em que o acaso cobrou seu preço. Meninos mais velhos e perversos haviam encurralado os menores dentro da caverna profunda para bater neles. Rowan fora violentamente espancado; quase desfalecendo por causa dos machucados, foi arremessado com força bruta pelos maiores contra a superfície cristalizada do ovo. As lágrimas de dor e o sangue inocente da criança de coração puro banharam a rocha mágica, provocando uma fissura irreparável. A casca se quebrou, e Hadria despertou do sono milenar de forma prematura.

Foi um acidente. O puro acaso. Hadria não deveria ter nascido. Era para nascer apenas quando o mundo fosse seguro para ela.

No milésimo de segundo em que o ovo quebrou, como um mecanismo de proteção falho, uma parte das pesadas e torturantes amarras mágicas que herdara de sua mãe, que fora aprisionada, e que envolviam o bebê Hadria transferiram-se automaticamente para o corpo ensanguentado de Rowan.

 As amarras brancas nunca chegaram a ferir o lobisomem durante a infância, pois, na forma humana, ele não canalizava poder mágico e as amarras não reagiam. Contudo, aos quinze anos, os lobos passam pela primeira e mais dolorosa transmutação de suas vidas. Quando o corpo de Rowan tentasse invocar a magia para se transformar em fera sob a luz da lua, as amarras místicas reagiriam à ameaça reprimindo o poder com brutalidade. Ele sentiria a dor absurda de ter cada osso e nervo esmagado repetidas vezes. Provavelmente morreria antes de concluir a mutação.

Era uma dívida de sangue pesada que Hadria carregava, e ela fora criada por suas aias a pagar absolutamente todas as suas dívidas. O colar de pingente azul, por ser uma relíquia das profundezas ocultas do reino demoníaco, tinha o poder de anular temporariamente cordas mágicas; ele anularia o aperto no corpo de Rowan, permitindo que ele sobrevivesse à primeira transformação, dando a Hadria tempo para descobrir como quebrar definitivamente a maldição sobre ambos.

A comitiva desceu a escada que serpenteava a parede, até finalmente chegar ao salão que abrigava o portal, isolado, onde a escuridão e o silêncio reinavam absolutos.

No centro do piso de pedra crua, Constantino parou diante do gigantesco espelho opaco. Ele cortou levemente a própria mão com uma adaga e, usando o sangue aristocrático, desenhou um selo arcano no vidro. Com um som denso de sucção, a superfície petrificada rasgou-se, abrindo o vórtice negro. Ele fez um gesto silencioso e preciso, apontando para o espelho enquanto olhava predatoriamente para Hadria. Em seguida, colocou as duas mãos para trás das costas e deu dois passos para trás, dando espaço para ela ficar de frente ao vórtice negro.

Hadria sorriu. Seu objetivo principal havia sido alcançado. Faltava muito pouco para entregar o colar e finalizar aquela missão maldita que causara tantos problemas.

Antes de pular na escuridão rodopiante, ela virou o rosto e olhou atentamente para o príncipe vampiro, abrindo um sorriso zombeteiro.

— Sou Hadria — revelou a garota, fazendo uma reverência exagerada e debochada ao vilão. — À sua disposição.

Sem esperar resposta, a garota saltou para dentro do vórtice.

No exato milésimo de segundo em que Luiz se impulsionou para pular atrás dela e cruzar o portal, uma mão pesada e letal como ferro o agarrou violentamente pelas costas.

Com um único puxão, Constantino arremessou o sobrinho de volta ao chão de pedra. Antes que Luiz pudesse sequer reagir, a letal escolta de vampiros puro-sangue se moveu com velocidade sobrenatural, formando uma barreira viva e intransponível ao seu redor, enquanto as bordas do portal se fechavam.

 

 

 

Thoughts

  • conto84

    Agora são duas dívidas: a da Hadria com o Rowan, que ela paga entregando o colar antes da próxima lua, e a que o Constantino diz ter com a Aylla. Ele deixar a filha da Aylla sair com o colar pode ser o primeiro pagamento, e não um favor.

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  • DILMAR

    O tio deixou a garota passar com o colar sem levantar um dedo e só segurou o Luiz. Meu palpite é que o colar nunca foi o que ele queria, né não.

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