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Capítulo 44: Olhos que me chamam

BELADIA

Conteúdo da publicação

Livro (trinta dias para a última lua)

Constantino girou sobre os calcanhares com uma fluidez majestosa, sua capa pesada acompanhando o movimento como uma sombra viva. Por um instante, Hadria teve a estranha impressão de que o ar ao redor desse vampiro era diferente, havia se tornado denso, e o tempo, mais uma vez, desacelerado sob o peso esmagador do poder que o príncipe emanava. Hadria não entendia como um ser tão perigoso e poderoso como aquele vampiro não tinha conseguido obter a coroa que tanto almejava.

Luiz, que estava caído no chão de mármore, ergueu-se devagar. Os olhos do jovem príncipe observavam atentamente cada movimento do tio e da letal escolta que se posicionava silenciosamente em volta de Hadria. Movendo-se de forma protetora, ele se aproximou da garota e segurou sua mão, que ainda exibia as garras expostas.

No momento em que suas peles se tocaram, Luiz sentiu o coração da garota bater e a magia ancestral que corria nas veias dela formigar através dele. O toque ativou uma conexão profunda e oculta; algo dentro do vampiro se acendeu. Seu corpo começou a formigar e o sangue frio que corria em suas veias voltou a queimar como lava derretida de um vulcão. Contudo, se antes a sensação era de uma dor alucinante, agora o calor não feria: ele o abraçava e o acolhia, despertando algo que Luiz ainda desconhecia, mas que já sentia fazer parte de si.

Quando a garota ergueu o rosto para olhar o amigo, um ar quente encheu a sala. Hadria teve a certeza absoluta de que o tempo realmente havia parado. Ela apertou firme a mão de Luiz.

Os olhos sombrios e negros de Hadria encontraram os dele. Em uma fração de segundo, as íris do vampiro se transformaram, exibindo um tom amarelo-ouro brilhante cortado por uma fenda escura. A escuridão daquela fenda pareceu chamá-la pelo nome em sua mente: Hadria. O coração da garota errou uma batida. Eram exatamente como as íris das feras ancestrais que vira no Ninho. Os olhos de Luiz haviam se tornado os olhos de um dragão antigo, e a estavam chamando.

Hadria.

Como ele tinha os olhos de um dragão? O que estava acontecendo com o corpo dele?, perguntou-se Hadria.

O ar começou a rodopiar fracamente em volta dos dois. Pequenas faíscas de fogo e sombras giravam ao redor de seus corpos. Era magia pura, primordial e nascida da escuridão. Em resposta a esse poder, as correntes místicas que prendiam Hadria desde o nascimento começaram a brilhar com intensidade ofuscante, apertando-a impiedosamente. Ela sentiu a dor torturante de seus ossos sendo esmagados. Luiz também sentiu a mesma agonia dilacerante ecoar em sua própria carne, mas não recuou. Ele continuou segurando a mão da garota com firmeza.

Quando a tempestade mágica recuou e ambos voltaram à aparência normal, ainda de mãos dadas, o silêncio do salão foi quebrado por palmas lentas e compassadas.

Constantino observava tudo com máxima atenção, exibindo um sorriso fascinado. Ele estava diante de uma nova peça no jogo de poder do reino demoníaco e das Terras Altas — uma variável  que, sem a menor dúvida, destruiria reinados.

Thoughts

  • deixoumarca

    Ele sentiu a mesma dor nos ossos que ela e não soltou a mão. Esse menino já escolheu o lado dele.

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    Mermão, lá no portal foi o coração voltando a bater, agora é olho de dragão. Toda vez que ele encosta na Hadria o corpo do Luiz muda mais um pouco, tá ligado.

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