Vixe, ela olhou pra tesoura um segundo antes de largar na mesa e minha vo mandou eu ler essa parte de novo
Capítulo 36: A Visita da Matriarca
Pensamento
Vixe, ela olhou pra tesoura um segundo antes de largar na mesa e minha vo mandou eu ler essa parte de novo
Conteúdo da publicação
livro (Querida, Sorria!)
O sol da manhã seguinte banhava o jardim do bangalô com uma luz dourada e enganosamente pacífica. Menos de vinte e quatro horas após o embate violento na cozinha, Maraíra encontrava-se do lado de fora, imersa em uma tranquilidade que beirava o cinismo. Vestia roupas confortáveis de jardinagem, luvas grossas de lona e segurava uma tesoura de poda afiada.
Com movimentos meticulosos, ela dedicava-se a cortar os galhos secos e as folhas mortas das roseiras. Era um trabalho que exigia paciência e precisão para não ferir os brotos novos — virtudes que ela vinha aperfeiçoando com o manejo diário do jardim. A terra úmida e o perfume doce das flores eram o oposto do veneno que ela destilara na noite anterior. O relógio estava correndo. Em dois dias, a construtora voltaria para suas mãos e Pedro sofreria o xeque-mate. Não havia pressa; apenas a espera fria do abate.
O silêncio do campo foi quebrado pelo bipe suave do aplicativo de segurança em seu celular, que repousava sobre a pequena mesa de ferro na varanda.
Maraíra parou a tesoura no ar. Suspirou, retirou as luvas sujas de terra e caminhou até o aparelho.
Ao tocar na tela e abrir as imagens das câmeras da porteira principal, seus olhos se estreitaram. Não era a SUV solitária de Pedro. Havia dois carros pretos e reluzentes parados lado a lado diante dos portões de ferro. A ostentação, a escolta, a postura rígida dos motoristas que aguardavam do lado de fora dos veículos... Aquela coreografia era inconfundível.
Ela apertou o ícone do interfone. O canal de áudio se abriu com um leve chiado estático, seguido imediatamente pela voz de Luiza. O tom era polido, perfeitamente treinado e carregado de uma calma profissional. Ela tratou Maraíra como uma completa estranha, mantendo a frieza cirúrgica que haviam combinado. Ninguém naqueles carros, muito menos a matriarca, poderia suspeitar da amizade de infância que compartilhavam — ou de que fora ela a informante que ajudara Maraíra a roubar as informações e mapear cada passo dos inimigos.
— Senhora Maraíra, a sua mãe veio vê-la. Por favor, abra o portão.
Maraíra continuou encarando a tela, o rosto transformando-se em uma máscara de granito. O coração, que sequer havia acelerado quando Pedro apertou seu pescoço, agora pulsou em um ritmo mais pesado.
Sua mãe. A matriarca que sempre priorizou as aparências acima da sanidade da filha. A mulher que conhecia Júlia melhor do que ninguém e que, até aquele momento, havia mantido um distanciamento conveniente de todo o escândalo. A presença dela ali não era uma visita de cortesia. Seria uma intervenção? Pedro provavelmente havia corrido até ela, em pânico pela exigência das ações da construtora. Ou talvez a própria Júlia tivesse mexido os pauzinhos nos bastidores. Maraíra pesou rapidamente as possibilidades.
A tesoura de poda ainda estava em sua mão esquerda. Maraíra olhou para o metal afiado por um segundo, antes de deixá-lo sobre a mesa.
Com a mesma frieza com que condenara o ex-marido, ela tocou no ícone verde de liberação. As pesadas portas começaram a se abrir lentamente pela tela. O jogo de xadrez não estava pausado; uma nova e perigosa peça acabara de entrar no tabuleiro.
Ela alisou a roupa de jardinagem, recusando-se a trocar de figurino para recebê-la. Se a mãe queria ver a filha, era exatamente isso que ela iria encontrar.
Thoughts
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PermalinkA Luiza no interfone fingindo que nem conhece a Maraíra é o que me preocupa. A mãe passou a vida lendo postura de motorista e empregado, aposto que ela repara em alguma coisa na Luiza antes de a visita acabar.
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PermalinkVixe, ela olhou pra tesoura um segundo antes de largar na mesa e minha vo mandou eu ler essa parte de novo
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PermalinkO coração da Maraíra que nem acelerou com a mão do Pedro no pescoço e pesou só de ver a mãe no portão me fez pensar em como tem gente que a gente enfrenta sem medo nenhum, e outras que desarmam a gente só de aparecer. Aposto que essa visita vai custar mais pra ela do que todo o plano contra o Pedro.
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