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Capítulo 34: A aposta

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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livro (trinta dias para a última lua)

Algo o puxava com força para as profundezas da fonte. O vampiro novamente sentiu o ar lhe faltar. Ele tentava respirar, até dar o seu último suspiro. Seu peito começou a queimar, mas ele não se importava mais com a asfixia; abraçou a dor que seu corpo trazia e a escuridão que o cercava. Seu coração acelerou. As veias tornaram-se incandescentes, como se lava corresse por elas ao invés de sangue. A dor era monstruosa. Suas mãos pareciam derreter, escurecendo até ficarem completamente negras, enquanto garras afiadas rasgavam as pontas de seus dedos.

As criaturas que o arrastavam pararam. Eram as sereias. Elas se aproximaram de seu rosto para confirmar se ele ainda respirava e recuaram, perplexas: o rapaz exibia garras idênticas às das Bruxas Negras, mas nunca houve registros de homens bruxos negros. Subitamente, Luiz abriu os olhos. Não eram negros como os das bruxas, mas de um amarelo-ouro vibrante, como os de um dragão. A água lilás da fonte começou a borbulhar, como se estivesse em ebulição em volta dele. Assustadas, as sereias nadaram para longe.

Ele as observou desaparecerem nas profundezas e, guiado por um instinto primitivo, começou a emergir. Assim que cravou uma de suas garras na borda de mármore e impulsionou o corpo para fora da água, a mutação retrocedeu. Seus olhos perderam o brilho dourado e as garras voltaram a ser dedos humanos. A mão e o antebraço que antes estavam petrificados — assim como outras partes de seu corpo afetadas pela maldição das areias negras — haviam retornado ao normal.

Ele olhou para o braço curado e abriu um sorriso largo. Em meio ao desespero do afogamento, o vampiro sequer havia percebido que suas mãos tinham se transformado em garras monstruosas segundos antes.

— Deu certo! — gritou, eufórico, completamente alheio à tensão mortal que cercava a borda do chafariz.

Ao perceber que Hadria e o esquadrão de Bruxas Negras o encaravam em silêncio, e sem compreender a dinâmica hostil já em andamento, Luiz decidiu intervir com seu charme característico.

— Garotas, por favor. Não vamos brigar, vamos conversar. Tenho certeza de que todos nós temos muito em comum — disse ele, lançando uma piscadela descarada para a líder do esquadrão.

A comandante sorriu, visivelmente entretida com a ousadia. Nenhuma das bruxas, tampouco Hadria, havia notado as garras de Luiz antes que a mutação retrocedesse.

— Gostei de você. Vou querer esse belo vampiro como meu servo particular.

— Bruxas Negras não têm escravos! — interveio Hadria, colocando-se à frente de Luiz como um escudo vivo.

— Mas eu o quero para mim.

— Garotas, não briguem... eu posso ser amigo de todas — sugeriu Luiz, terminando de sair da fonte e ficando ao lado de Hadria. Ele passou as mãos pelos cabelos molhados e as estendeu em um gesto de conciliação barata.

— Você o quer? Terá que lutar por ele — sentenciou Hadria, mantendo os olhos fixos na líder. — Vamos apostar. Se você ganhar em uma luta corpo a corpo, ele e eu nos tornaremos seus servos.

— Hadria, não! Você não pode apostar a nossa liberdade em uma briga corpo a corpo! — protestou Luiz, começando a entrar em pânico.

A mente do vampiro trabalhava rápido: Hadria era muito menor em estatura e, teoricamente, mais fraca que as guerreiras de elite. Mesmo possuindo treinamento pesado em artes marciais, a lógica ditava que ela jamais ganharia da líder do esquadrão.

— Não, não, você não pode me apostar. Eu não sou seu! — disse Luiz com veemência.

A garota, no entanto, ignorou completamente o desespero estampado no rosto molhado do amigo. Ela não entendia a desconfiança dele, pois tinha a mais absoluta certeza de que venceria a luta.

— Lógico que eu posso te apostar junto comigo. Você é meu amigo — rebateu Hadria, impávida. E então voltou-se para a líder inimiga: — Mas, se eu ganhar, vamos sair do Ninho ilesos... e eu serei a nova comandante do seu esquadrão.

As seis bruxas explodiram em uma gargalhada uníssona, deliciadas com a petulância absurda daquela pequena menina demoníaca que mantinha os punhos cerrados à frente do corpo, pronta para a luta.

 

 

Thoughts

  • tresPaginas

    O Luiz e a piscadela 😂

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  • Ovid

    O Luiz saindo da fonte com o braço curado e comemorando, sem fazer ideia de que segundos antes tinha garras, foi o que mais me divertiu neste capítulo. Aposto que esse segredo vai custar caro quando a Hadria descobrir, e dá pra ver que você está guardando as sereias pra mais adiante. Obrigado por manter a série vindo!

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  • Oliviamar

    Fui logo às gargalhadas das seis bruxas e só depois ao resto. A Hadria de punhos cerrados contra a comandante, não aposto contra ela.

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